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Quem são Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda, os candidatos na 2.ª volta das presidenciais da Colômbia

Abelardo de la Espriella (admirador de Trump) é um advogado que promete luta contra o narcotráfico e contra a corrupção. Já Cepeda quer dar continuidade às políticas de esquerda do atual Presidente.

Tiago Caeiro
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Contrariando as sondagens, o candidato de extrema direita Abelardo de la Espriella venceu a primeira volta das eleições presidenciais na Colômbia, que decorreram este domingo, com 43,7% dos votos, contra os 40,9% do candidato de esquerda Iván Cepeda, apoiado pelo atual Presidente colombiano Gustavo Petro. Os dois candidatos vão agora enfrentar-se na segunda volta, marcada para o dia 21 de junho.

Abelardo de la Espriella, de 47 anos, é advogado penalista e centra o discurso político no combate à corrupção e à insegurança, sendo um defensor do papel central de Deus e da família na sociedade. Conhecido como “El Tigre”, tem três nacionalidades (é ítalo-colombiano e norte-americano). Nascido em Bogotá, passou a infância e adolescência em Montería, uma cidade da costa norte do país. Licenciou-se em direito, e tornou-se um advogado de renome, trabalhando em casos judiciais que envolveram paramilitarismo, corrupção, vítimas de violência de género ou celebridades, relembra a BBC.

Entre os seus clientes estava Alex Saab, o suposto testa de ferro de Nicolás Maduro na Venezuela, que foi recentemente extraditado para os EUA para responder a acusações criminais. Atacado pela oposição, a campanha de Abelardo de la Espriella apressou-se a esclarecer que o atual candidato presidencial aceitou defender Saab quando ainda eram desconhecidas as ligações deste ao regime de Maduro.

Terá sido a proximidade com casos judiciais — envolvendo a violência de organizações paramilitares como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e a corrupção —, que levaram “El Tigre” a lançar, em 2024, o movimento Defensores da Pátria, de cariz populista, que tem impulsionado a sua ascensão mediática e política. Como vários políticos do seu campo ideológico, promete a resolução dos problemas dos colombianos com soluções simples, que diz serem concretizáveis num curto período de tempo. Numa entrevista, defendeu, por exemplo, que conseguiria reformar o sistema de saúde em apenas três meses.

“El Tigre” promete luta contra narcotráfico e tolerância zero com a corrupção

Confesso admirador de líderes como Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele (o polémico Presidente de El Salvador), Abelardo de la Espriella promete uma luta sem tréguas contra o narcotráfico, tendo já elogiado as operações militares levadas a cabo pelos EUA no mar das Caraíbas. “Mão de ferro e acabar com eles (…): fumigando os cultivos ilícitos e bombardeando os acampamentos”, chegou a dizer “El Tigre”, numa linguagem muito semelhante à usada por Bukele, que também levou a cabo uma repressão violenta dos narcotraficantes.

O candidato à presidência da Colômbia defende o fim do plano do atual Presidente Gustavo Petro (que, em 2025, anunciou um acordo com um grupo de dissidentes das antigas FARC para alcançar a paz no norte do país), sugerindo que, se for eleito, irá lançar uma ofensiva contra os grupos paramilitares que ainda operam em território colombiano. Tal como fez Nayib Bukele em El Salvador, Abelardo de la Espriella quer abrir várias prisões de grandes dimensões e de máxima segurança por toda a Colômbia. Defende ainda o aumento do investimento nas Forças Armadas.

https://observador.pt/2026/06/01/candidato-de-extrema-direita-vence-a-primeira-volta-das-presidenciais-da-colombia-presidente-gustavo-petro-rejeita-resultados-preliminares/

“El Tigre” defende uma política “de tolerância zero” contra a corrupção e quer instituir a pena de morte para homicidas de crianças. Numa eleição extremamente polarizada, durante a qual já foi alvo de várias ameaças de morte, Abelardo de la Espriella participou em vários comícios discursando perante os apoiantes atrás de vidros de proteção e usando um colete à prova de balas.

No plano económico, o candidato de extrema direita (que tem sérias possibilidades de suceder a Gustavo Petro como o próximo Presidente da Colômbia, devido à provável transferência de votos da candidata conservadora Paloma Valencia para a sua candidatura na segunda volta) defende que o país tem de crescer 7% ao ano. Quer ainda liberalizar o fracking de petróleo e gás e aumentar a superfície agrícola no país, aliviando as restrições ambientais em vigor.

Filho de comunistas, Cepeda quer dar continuidade às políticas de Petro

Já Iván Cepeda, de 63 anos, tem feito carreira na política: já foi deputado e é, há vários anos, senador pelo partido Pacto Histórico, de esquerda, tendo vasta experiência na negociação com grupos paramilitares. É filho do líder comunista Manuel Cepeda Vargas, que foi assassinado em 1994. Desde jovem que Cepeda teve de lidar com várias ameaças de morte contra a sua família, sendo obrigado a viver no exílio por diversas vezes. Viveu na República Checa, na Bulgária (onde estudou Filosofia) e em Cuba, durante os anos 60 e 70.

Sou defensor dos direitos humanos, sobrevivente de um genocídio político, filho de um senador da União Patriótica assassinado pelo seu compromisso com os direitos das pessoas”. Foi desta forma que Cepeda se definiu aquando do lançamento da sua candidatura presidencial, deixando transparecer as dificuldades com que se defrontou ao longo da vida. Em 2005, criou o Movimento Nacional de Vítimas de Crimes de Estado, organização que reúne mais de 300 associações de direitos civis, e que luta contra os crimes cometidos pelo Estado e pela reparação das vítimas desses mesmos crimes.

https://observador.pt/especiais/com-demonstracoes-de-forca-das-ex-farc-violencia-domina-eleicoes-na-colombia-direita-quer-mao-de-ferro-esquerda-procura-paz-total/

Ao contrário de “El Tigre”, Cepeda defende a continuação da estratégia de negociação e diálogo com os grupos paramilitares, ao invés de aumentar a pressão militar. Foi Cepeda que facilitou as negociações de paz entre o Estado e as FARC, concluídas em 2016.

Entre as propostas eleitorais de Iván Cepeda estão o aumento da progressividade fiscal, de modo a reduzir as desigualdades sociais. Mas também a reversão da privatização do sistema de saúde, o reforço da lei de proteção ambiental ou o combate à corrupção — uma bandeira que partilha com o seu adversário. Aliado do atual Presidente colombiano, Cepeda promete dar continuidade às políticas de Petro de combate à pobreza e às desigualdades sociais, com subsídios para os mais pobres, educação universitária gratuita para os jovens e melhor cobertura de saúde.