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(A) :: Leitão diz que suspenderia o mandato se fosse arguida — ao contrário do que fizeram os dois vereadores do PS em Lisboa

Leitão diz que suspenderia o mandato se fosse arguida — ao contrário do que fizeram os dois vereadores do PS em Lisboa

Vereadora do PS elogiou Miguel Coelho, que suspendeu mandato de deputado municipal, e classificou a situação como "complexa e grave" para o o seu partido. Ainda assim, criticou "show-off policial".

Rita Tavares
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A operação Imergente atingiu a vereação do PS na Câmara Municipal de Lisboa, com dois socialistas a serem constituídos arguidos, Sérgio Cintra e Carla Madeira, como o Observador noticiou em primeira mão. A cabeça de lista do PS nas últimas eleições em Lisboa, Alexandra Leitão, faz parte dessa equipa e revela uma posição de princípio que contrasta com a dos dois arguidos: teria suspendido o mandato na CML — o que nenhum dos dois fez até agora.

Alexandra Leitão afirmou-o no programa “Princípio da Incerteza”, transmitido este domingo à noite na CNN Portugal, sem nunca referir diretamente a situação dos seus dois colegas — mas assumiu que já falou com os seus “camaradas que estão nesta situação”. Em vez disso, destacou outro socialista também arguido, o ex-presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, deixando-lhe “um grande elogio” por ter suspendido o mandato de deputado municipal em Lisboa “no próprio dia”, sublinhou.

Embora considere que a decisão seja dos próprios, a socialista mostra ter, para si, um critério distinto do seguido pelos dois membros da sua equipa: “Se fosse um dia constituída arguida suspenderia também, se tivesse um mandato público”. E explicou a sua posição de princípio: “A suspensão de um cargo político tem a ver com as circunstâncias políticas, não tem nada a ver com a inocência ou culpabilidade. Fá-lo-ia por uma questão até de um certo altruísmo do desenrolar da atividade política.” A declaração sugere que Leitão entende que a condição de arguido fragiliza as condições políticas para o exercício de funções públicas e diz mesmo que “é evidente que existem consequências políticas” neste caso.

https://observador.pt/2026/05/30/dois-vereadores-do-ps-em-lisboa-arguidos-na-operacao-imergente/

Sérgio Cintra e Carla Madeira foram constituídos arguidos depois das buscas de que foram alvo na semana passada, no âmbito da Operação Imergente, e nenhum dos dois pediu a suspensão das funções de vereador na CML. O Observador confirmou isso mesmo com Sérgio Cintra, este sábado, e apurou que Carla Madeira pretendia fazer o mesmo.

No comentário que fez na noite de domingo, Alexandra Leitão considerou também que essa é uma decisão pessoal que “depende da valoração que os próprios, tendo em conta que o mandato é seu, devem fazer relativamente às condições políticas que têm para exercer esse mandato”. “Devem ser os próprios [arguidos] a fazer a análise sobre a possibilidade de continuarem”.

A socialista considerou ainda, no mesmo espaço de comentário, que esta é uma “situação complexa e grave, quer para o PS, quer para a política em geral, até porque com este tipo de situações é o partido populista que ganha”. Ainda assim, criticou — tal como o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, no mesmo programa — a dimensão da operação policial nas buscas da passada quinta-feira. “Parece ter havido um certo exagero, um show-off policial”, considerou Alexandra Leitão que diz que já criticou quando isso aconteceu com outros partidos e que isto não tem a ver com o facto de, agora, estar o seu partido envolvido.

https://observador.pt/especiais/operacao-imergente-as-ligacoes-socialistas-os-contratos-suspeitos-e-o-acordo-em-oeiras/