Japão e Coreia do Sul até ao final do ano passado, Áustria, Alemanha e México no início do novo ano. O Gana teve um caminho com menos espinhos do que outros qualificados africanos para o Mundial mas sentiu um enorme choque com a realidade no momento em que começou a testar aquilo que conseguia fazer depois com seleções de outros continentes. Com asiáticos, correu mal. Com europeus, correu ainda pior. Com norte-americanos, simplesmente correu como estava a tornar-se habitual. “Após uma cuidadosa consideração, decidimos que é melhor para a seleção procurar um novo treinador que possa levar a equipa a novos patamares”, anunciou de forma inesperada a Federação ganesa. Otto Addo fazia parte do passado, havia um sem número de nomes que podiam orientar o presente, ninguém conseguia ao certo perceber o futuro.
A apenas 72 dias do arranque do Mundial, e num grupo onde tem duas das principais formações europeias nas últimas fases finais (Inglaterra e Croácia), o Gana estava quase sem nada. Sem treinador, sem rumo, sem projeto desportivo, sem ambições. A resposta chegou em português: Carlos Queiroz, que tem vários daqueles recordes em termos de seleções que às vezes nem a própria FIFA consegue apurar, foi a aposta do conjunto africano depois da passagem pelo Omã, sendo chamado para o quinto Mundial da carreira (um por Portugal em 2010, três pelo Irão em 2014, 2018 e 2022) que iguala o mítico Bora Milutinovic. No entanto, o ténico vê nisso um ponto de passagem e não de chegada e está apostado em revitalizar a equipa ganesa.
Os Black Stars, que entre 2008 e 2017 foi seis vezes consecutivas ao top 4 da Taça das Nações Africanas e fez a melhor participação de sempre num Campeonato do Mundo logo na única edição realizada em África (em 2010, na África do Sul, com uma dramática derrota nos quartos frente ao Uruguai), procura voltar a esse patamar perdido de uma das grandes potências continentais. É esse o objetivo assumido por Queiroz. “Um grande senhor ensinou-me muitas coisas, muitas delas para a vida, e uma delas tenho sempre presente no futebol: não existe falhanço. O que existe é oportunidade para ser melhor. Mandela disse-me um dia ‘Carlos, nunca perdemos: ou ganhamos ou aprendemos’. Por isso, não tenho medo de nada. Se trabalharmos e acreditarmos, vamos estar preparados”, apontou logo na conferência de apresentação.
Um pouco à semelhança daquilo que foi acontecendo com o Irão, o português tentará trabalhar em cima do que conhece da equipa, dos adversários e do contexto que irá enfrentar em jogos tão específicos como os que se esperam no Mundial, contando também com aquele que promete ser um dos grandes destaques da prova como foi na Premier League: Antoine Semenyo, médio ofensivo que no mercado de inverno trocou o Bournemouth pelo Manchester City depois dos 13 golos e seis assistências em 2024/25 e que terminou esta temporada com 21 golos e seis assistências entre os dois conjuntos. Com organização, com rigor tático, com espírito de sacrifício, poderá ser a estrela dos citizens a fazer o resto do meio-campo para a frente.

BI
- Ranking FIFA atual: 74.º (a 1 de abril de 2026)
- Melhor ranking FIFA: 14.º (abril a maio de 2007 e fevereiro de 2008)
- Patrocinador: Puma (desde 2005)
- Alcunha: Black Stars
- Presenças em fases finais: 4
- Última participação: 2022 (fase de grupos, com Portugal, Coreia do Sul e Uruguai)
- Melhor resultado: quartos em 2010 (Uruguai)
- Qualificação: 1.º lugar do grupo I da CAF (25 pontos em 10 jogos com Madagáscar, Mali, Comores, República Centro Africana e Chade)
- O que seria um bom resultado? Passar à fase a eliminar e chegar aos oitavos
Jogos desde junho de 2025
- Jogo particular, 2/6: País de Gales (fora), 1-1 (E)
- Jogo particular, 23/5: México (fora), 0-2 (D)
- Jogo particular, 30/3: Alemanha (fora), 1-2 (D)
- Jogo particular, 27/3: Áustria (fora), 1-5 (D)
- Jogo particular, 18/11: Coreia do Sul (fora), 0-1 (D)
- Jogo particular, 14/11: Japão (fora), 0-2 (D)
- Qualificação CAF, 12/10: Comores (casa), 1-0 (V)
- Qualificação CAF, 8/10: República Centro Africana (fora), 5-0 (V)
- Qualificação CAF, 8/9: Mali (casa), 1-0 (V)
- Qualificação CAF, 4/9: Chade (fora), 1-1 (E)
O onze
- 4x3x3: Benjamin Asare; Alidu Seidu, Jerome Opoku, Alexander Djiku, Gideon Mensah; Thomas Partey, Kwasi Sibo, Ibrahim Sulemana; Fatawu Issahaku, Antoine Semenyo e Jordan Ayew
O treinador
- Carlos Queiroz (português, 73 anos, desde abril de 2026)
- Outros clubes: Portugal Sub-20, Portugal, Sporting, NY/NJ MetroStars, Nagoya Grampus Eight, United Arab Emirates, África do Sul, Manchester United (adjunto), Real Madrid, Portugal, Irão, Colômbia, Egito, Irão, Qatar e Omã
- Títulos (9): 1 Europeu Sub-16, 2 Mundiais Sub-20, 1 medalha de bronze no Mundial Sub-17, 1 Taça de Portugal, 1 Supertaça de Portugal, 1 Suntory Championship, 1 Sanwa Cup e 1 Supertaça de Espanha

O craque
- Antoine Semenyo (26 anos, médio ofensivo do Manchester City)
- Outros clubes: Highworth Town, Bristol City, Bath City, Newport County, Sunderland e Bournemouth
A revelação
- Fatawu (22 anos, extremo do Leicester)
- Outros clubes: Steadfast, Dreams, Sporting B e Sporting
O mais internacional e o maior goleador
- André Ayew (120 internacionalizações) e Asamoah Gyan (51 golos)

Os 26 convocados
- Guarda-redes (3): Benjamin Asare (Hearts of Oak, Gana), Lawrence Ati-Zigi (St. Gallen, Suíça) e Joseph Anang (St. Patrick’s, Rep. Irlanda)
- Defesas (9): Baba Abdul Rahman (PAOK, Grécia), Gideon Mensah (Auxerre, França), Marvin Senaya (Auxerre, França), Alidu Seidu (Rennes, França), Abdul Mumin (Rayo Vallecano, Espanha), Jerome Opoku (Basaksehir, Turquia), Jonas Adjetey (Wolfsburgo, Alemanha), Kojo Oppong Peprah (Nice, França) e Derrick Luckassen (Pafos, Chipre)
- Médios (6): Elisha Owusu (Auxerre, França), Thomas Partey (Villarreal, Espanha), Kwasi Sibo (Oviedo, Espanha), Augustine Boakye (St. Etienne, França), Caleb Yirenkyi (Nordsjaelland, Noruega) e Fatawu (Leicester, Inglaterra)
- Avançados (8): Christopher Bonsu Baah (Al-Qadsiah, Arábia Saudita), Ernest Nuamah (Lyon, França), Antoine Semenyo (Manchester City, Inglaterra), Brandon Thomas-Asante (Coventry, Inglaterra), Ibrahim Sulemana (Atalanta, Itália), Prince Kwabena Adu (Viktoria Plzen, Rep. Checa), Iñaki Williams (Athl. Bilbau, Espanha) e Jordan Ayew (Leicester, Inglaterra)
O local do estágio
- Providence Biltmore, Providence, em Rhode Island (treinos: Bryant University, em Rhode Island)
A antevisão
A ligação a Portugal
- Quando Portugal estava perto de fazer o primeiro Mundial sem representação de treinadores, eis que o Gana promoveu a “surpresa”: já em abril, Carlos Queiroz substituiu Otto Addo no comando técnico do conjunto africano, regressando aos grandes palcos depois das participações em Mundiais por Portugal e pelo Irão. Há também um jogador com potencial para ser uma das revelações da equipa com passado em Portugal: Fatawu, antigo extremo do Sporting que saiu por empréstimo para os ingleses do Leicester e acabou mesmo por ficar a título definitivo no clube que passou recentemente pela Premier League.