Completamente vestido de branco, com uma bicicleta especial também completamente branca, a cruzar a meta a sorrir e a acenar. Afonso Eulálio ficou num tranquilo 54.º lugar na última etapa do Giro, este domingo, e confirmou a sexta posição na classificação geral da Volta a Itália e a vitória na classificação da juventude, ficando mesmo com a camisola branca no dia em que Jonas Vingegaard conquistou a prova pela primeira vez.
O ciclista de apenas 24 anos da Bahrain Victorious tornou-se o terceiro português a alcançar uma camisola distintiva numa Grande Volta, sucedendo a Rúben Guerreiro, que ganhou a camisola azul da montanha também no Giro em 2020, e João Almeida, que também ficou com a camisola branca na edição de 2023 da Volta a Itália.
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Ao ficar no sexto lugar e a 9.39 minutos de Jonas Vingegaard, Afonso Eulálio também se tornou o quarto ciclista português a ficar o top 10 do Giro, sucedendo a Acácio da Silva (7.º em 1989, José Azevedo (5.º em 2001) e João Almeida (3.º em 2023, 4.º em 2020 e 6.º em 2021). O atleta natural da Figueira da Foz ficou com a camisola rosa na quinta etapa, ainda na primeira semana do Giro, e conseguiu liderar a classificação geral durante nove dias — ultrapassando os dois de Acácio da Silva em 1989 e ficando ainda longe dos 15 de João Almeida em 2020.
Este sábado, já depois de garantir matematicamente tanto o sexto lugar como a camisola branca e ainda antes da derradeira etapa de domingo, Afonso Eulálio mostrou-se naturalmente satisfeito com a prestação na Grande Volta. “A etapa de sexta-feira foi muito difícil, acho que uma das mais difíceis da história moderna do Giro, por isso, não tinha muitas esperanças. Mas toda a gente na equipa disse-me que conseguia. A equipa sempre acreditou em mim, talvez mais do que o que acreditava em mim mesmo. Só percebi que ia ficar com a camisola mesmo no último quilómetro”, explicou.
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“O Giro mudou a minha carreira, mas não me mudou. Achava que ficar no top 10 do Giro era incrível, fora deste mundo, e é. Mas agora fiquei no sexto lugar, estive com a camisola rosa e ganhei a camisola branca… Este Giro tem sido inacreditável para mim”, acrescentou o ciclista, que recolheu cerca de 70 mil euros em prize money. Os outros dois portugueses que estiveram na competição, António Morgado e Nélson Oliveira, ficaram em 125.º e 66.º, respetivamente.