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Força de elite

O que é que queremos deles: que aprendam de forma consistente e que discorram e criem e construam, ou estaremos a vê-los como uma força de elite, sem tempo para aprender, para pensar e para viver?

Eduardo Sá
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Não conseguem dormir. Deixam de comer. Explodem à mínima contrariedade. Agitam-se e têm episódios de pânico. E choram por tudo e por nada. Nalgumas escolas, têm exames todos os dias. Seis horas seguidas, se for necessário. Nas outras, há uma pressão absurda porque os exames são uma prova de vida e a palavra de ordem é: “estuda mais!” (não tanto “aprende melhor”). Não estamos a ensiná-los a aprender mas a ter resultados. E fazemos deles forças produtivas mais do que mentes criativas. Como se não precisassem de conciliar aprendizagens com escola de vida.

Quanto mais cansados e mais assustados melhores resultados: é essa a fórmula do sucesso?…

Para suportarem a turbulência dos exames, muitos andam medicados. Outros, têm pessoas da família a exigir-lhes sempre mais e mais trabalho. As escolas insistem nas notas para que com elas se catapultem nos rankings. E, por aflição, há pais a sugerir “comprimidos milagrosos”, para que aumentem a concentração e elevem os resultados. Estamos a chegar aos exames do ensino secundário e a insensatez parece não ter limites.

É claro que os adolescentes ganham quando são avaliados. E não perdem se passarem por situações de exame. Mas, muitos, entram em pré-reforma mal sentem que as notas põem em risco os cursos e as escolas que tinham namorado. Outros, hipotecam a adolescência e colocam os resultados à frente de tudo, como se a vida pudesse esperar. Para alguns, os sonhos de pouco lhes servem ao pé dos objectivos que pesam sobre os ombros. Para outros, não fica claro se os seus estudos futuros serão uma escolha sua ou dos pais. Seja como for, a empregabilidade e o dinheiro parecem prevalecer  sobre quase todos os gostos.

Depois dos exames, será que eles saem da escola a formular mais dúvidas e a colocar mais perguntas? E mais expeditos, mais autónomos e pró-activos? E a saber conviver com erros e pequenas frustrações? E a ser menos individualistas e mais atentos? Será que a vida acaba aos 18 com a entrada na universidade?… Afinal, o que é que queremos deles: que aprendam de forma consistente e que discorram e criem e construam, ou estaremos a vê-los como uma força de elite, sem tempo para aprender, para pensar e para viver?