(c) 2023 am|dev

(A) :: "Não se levanta enquanto não terminar a tarefa": diretor de recursos humanos de hospital acusado de prender funcionária à cadeira

"Não se levanta enquanto não terminar a tarefa": diretor de recursos humanos de hospital acusado de prender funcionária à cadeira

No início de maio, funcionária da ULS Lisboa Ocidental terá sido agarrada pelo líder dos Recursos Humanos e colada à cadeira. André Coelho Dias já tinha sido alvo de denúncias anteriormente.

Mariana Marques Tiago
text

Uma funcionária da Unidade Local de Saúde Lisboa Ocidental (ULSLO) acusa o diretor do serviço de Gestão de Recursos Humanos, André Coelho Dias, de a ter colado a uma cadeira com fita-cola, obrigando-a a terminar a tarefa que lhe tinha sido atribuída.

O caso foi divulgado pelo jornal Público, que detalha que tudo terá acontecido há cerca de duas semanas. A funcionária avançou mais tarde com uma participação do caso à administração desta ULS, que integra os hospitais de São Francisco Xavier, Egas Moniz e Santa Cruz. Na participação, a administrativa relata que no dia 12 de maio, por volta das 10h45, o diretor dos Recursos Humanos, André Coelho Dias, a agarrou “fisicamente pelos braços”.

Depois, “fazendo uso de fita cola que se encontrava na minha secretária, começou por colar o meu braço direito à minha cadeira, com o instituto de me manietar, situação que não foi totalmente concluída em virtude de a fita cola ter acabado”, lê-se na denúncia entretanto divulgada pela CNN.

A administrativa conta ainda que André Coelho Dias gritou: “Não se levanta desta cadeira enquanto não terminar a tarefa que lhe dei há mais de dois meses”.

Segundo o jornal Público, o momento foi presenciado por vários colegas. Uma fonte próxima explicou que a funcionária que foi colada à cadeira tinha estado a enviar emails e não tinha terminado ainda o trabalho. Esta mesma fonte relata que inicialmente pensou que o momento fosse uma brincadeira do chefe, contudo isto não era algo típico no responsável, até porque anteriormente este tinha indicado que as mesas das secretárias tinham de estar viradas para a parede.

A funcionária que viveu este episódio acabou por ter um quadro de ansiedade e taquicardia, tendo sido observada por um médico mais tarde. Expôs depois o caso à administração da ULS, à IGAS (Inspeção-Geral das Atividades em Saúde) e à Comissão para a Igualdade no Trabalho e Emprego.

O caso foi mais tarde também denunciado pela própria Ordem dos Enfermeiros — que teve conhecimento do mesmo ao realizar visitas aos hospitais — à IGAS. Até ao momento, esta entidade não adiantou se abriu (ou irá abrir) um processo.

Esta funcionária não é a única que se mostrou insatisfeita com a realidade desta ULS e a gestão do diretor do serviço de Recursos Humanos. Segundo o jornal Público, um grupo de diretores, gestores e responsáveis de serviços assistenciais desta ULS pediu uma reunião ao conselho de administração. Na carta escrita ao Conselho de Administração e subscrita por 130 pessoas, os profissionais falam de um clima de “desrespeito e desconsideração”, numa gestão de recursos humanos “centrada no controlo burocrático e administrativo” e na degradação do ambiente de trabalho.

Segundo o mesmo jornal, André Coelho Dias já tinha sido alvo de denúncias e averiguações. Em março deste ano a IGAS terá mesmo aberto um processo de inspeção do serviço de Recursos Humanos por si liderado, em virtude de uma denúncia anónima sobre irregularidades na contratação de profissionais.