Há momentos em que o futebol deixa de ser apenas um jogo e passa a ser história viva. No preciso momento em que a bola rolar no relvado deste Mundial, milhões testemunharão o fim de uma era. Para Portugal, esta não é apenas mais uma fase final. É o culminar de uma jornada histórica que começou há mais de duas décadas. É a Last Dance de Cristiano Ronaldo no maior palco do planeta.
Aquele rapaz insular que se tornou o maior marcador da história do futebol internacional joga o Mundial pela sexta vez. Um feito inédito, igualado apenas por Lionel Messi, que também estará na competição. Quem conhece Ronaldo, sabe que ele não viajou para os EUA para ser homenageado. Cristiano não procura a nostalgia. Procura a glória que ainda lhe falta. Ele sabe, o balneário sabe e o mundo sabe: este é o capítulo final do livro mais extraordinário do futebol português e a imprevisibilidade da prova não permite spoilers.
A qualidade de Portugal não se esgota no legado de Ronaldo. A seu lado está agora uma das mais talentosas gerações que alguma vez vestiu a camisola da Seleção. A irreverência de João Neves, a capacidade de definição de Bruno Fernandes, a qualidade técnica de Bernardo Silva e a inteligência de Vitinha cruzam-se com uma das melhores duplas de laterais do mundo: João Cancelo e Nuno Mendes. Todos estes componentes e mais alguns conferem à equipa argumentos para disputar qualquer jogo da prova. Portugal apresenta-se em solo americano não para fazer um tributo ao passado, mas para se afirmar como um candidato ao título no presente. O grupo que vai atravessar o Atlântico cruza a experiência dos mais veteranos com as dinâmicas de atletas que hoje são protagonistas nos principais clubes europeus.
O registo histórico não mente. Desde as meias-finais em Inglaterra em 1966 e na Alemanha em 2006, o percurso de Portugal longe do continente europeu resume-se a eliminações precoces e exibições cinzentas, como aconteceu na Coreia do Sul e Japão, no Brasil ou no Qatar. Superar a fase de grupos contra a RD Congo, o Uzbequistão e a Colômbia é apenas o primeiro passo para afastar esse fantasma. Para esta equipa, o verdadeiro desafio nos Estados Unidos é provar que consegue ser tão competitiva longe de casa como é na Europa, onde já conseguiu vencer um Europeu, duas Ligas da Nações e ainda conseguiu alcançar as meias-finais da competição por duas vezes (1966 e 2006), ambas em anos acabados em seis – um número que “pode trazer algo de muito bom” a este grupo, acredita Roberto Martínez.

BI
Ranking FIFA atual: 5.º (abril de 2026)
Melhor ranking FIFA: 3.º (abril de 2010)
Patrocinador: Puma (desde 2025)
Alcunha: Seleção das Quinas
Presenças em fases finais: 8
Última participação: 2022 (quartos-de-final, Marrocos)
Melhor resultado: 3.º lugar em 1966 (Inglaterra)
Qualificação: 1.º lugar do grupo F da UEFA (13 pontos em 6 jogos com Rep. Irlanda, Hungria e Azerbaijão)
O que seria um bom resultado? Chegar às meias-finais
Jogos desde junho de 2025
- Jogo particular, 10/6: Nigéria (casa)
- Jogo particular, 6/6: Chile (casa), 2-1 (V)
- Jogo particular, 31/3: EUA (fora), 0-2 (V)
- Jogo particular, 28/3: México (fora), 0-0 (E)
- Qualificação UEFA, 16/11: Arménia (casa), 9-1 (V)
- Qualificação UEFA, 13/11: Rep. Irlanda (fora), 2-0 (D)
- Qualificação UEFA, 14/10: Hungria (casa), 2-2 (E)
- Qualificação UEFA, 11/10: Rep. Irlanda (casa), 1-0 (V)
- Qualificação UEFA, 9/9: Hungria (fora), 2-3 (V)
- Qualificação UEFA, 6/9: Arménia (fora), 0-5 (V)
- Liga das Nações, 8/6: Espanha (neutro), 2-2 (5-3 g.p.) (V)
- Liga das Nações, 4/6: Alemanha (neutro), 2-1 (V)
O onze
- 4x3x3: Diogo Costa, João Cancelo, Rúben Dias, Gonçalo Inácio, Nuno Mendes; Vitinha, João Neves, Bruno Fernandes; Pedro Neto, Rafael Leão e Cristiano Ronaldo
O treinador
- Roberto Martínez (espanhol, 52 anos, desde janeiro de 2023)
- Outras equipas: Swansea, Wigan, Everton e Bélgica
- Títulos (3): 1 Liga das Nações (Portugal), 1 FA Cup (Wigan) e 1 League One (Swansea)

O craque
- Vitinha (26 anos, médio do PSG)
- Outros clubes: FC Porto (formação), FC Porto e Wolverhampton
O mais internacional e o maior goleador
- Cristiano Ronaldo (226 internacionalizações e 143 golos)

Os 26 convocados
- Guarda-redes (3+1): Diogo Costa (FC Porto, Portugal), Rui Silva (Sporting, Portugal) e José Sá (Wolverhampton, Inglaterra)
- Defesas (9): Rúben Dias (Manchester City, Inglaterra), Renato Veiga (Villarreal, Espanha), Gonçalo Inácio (Sporting, Portugal), Tomás Araújo (Benfica, Portugal), Nuno Mendes (PSG, França), João Cancelo (Barcelona, Espanha), Diogo Dalot (Manchester United, Inglaterra), Nélson Semedo (Fenerbahçe, Turquia) e Matheus Nunes (Manchester City, Inglaterra)
- Médios (6): Vitinha (PSG, França), João Neves (PSG, França), Bruno Fernandes (Manchester United, Inglaterra), Bernardo Silva (Manchester City, Inglaterra), Samu Costa (Maiorca, Espanha) e Rúben Neves (Al-Hilal, Arábia Saudita)
- Avançados (8): Cristiano Ronaldo (Al Nassr, Arábia Saudita), Gonçalo Ramos (PSG, França), João Félix (Al Nassr, Arábia Saudita), Francisco Conceição (Juventus, Itália), Francisco Trincão (Sporting, Portugal), Rafael Leão (AC Milan, Itália), Pedro Neto (Chelsea, Inglaterra) e Gonçalo Guedes (Real Sociedad, Espanha)
O local do estágio
- Four Seasons Hotel Palm Beach, na Flórida (treinos: Gardens North County District Park)