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Dois vereadores do PS em Lisboa arguidos na Operação Imergente

Sérgio Cintra e Carla Madeira foram constituídos arguidos após buscas domiciliárias. Ao contrário de Miguel Coelho, nenhum tenciona suspender o atual mandato na CML.

Rita Tavares
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Luís Rosa
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Dois vereadores do PS na Câmara Municipal de Lisboa foram constituídos arguidos no âmbito da Operação Imergente – metade da equipa socialista liderada por Alexandra Leitão no município. Sérgio Cintra confirmou ao Observador que foi notificado após as buscas realizadas ao seu domicílio na quinta-feira passada. Carla Madeira é a outra vereadora arguida. Nenhum dos dois pretende suspender as funções na CML.

O vereador socialista fez declarações ao Observador a mostrar-se disponível para colaborar com as autoridades na investigação. Disse também desconhecer o teor das suspeitas que estão na base da sua constituição como arguido. A outra vereadora arguida foi questionada diversas vezes pelo Observador sobre a sua situação, mas não respondeu.

https://observador.pt/2026/05/29/quarto-detido-da-operacao-imergente-e-um-ex-porta-voz-do-psoe-da-galiza-faturou-mais-de-100-mil-euros-ao-ps/

Cintra é atualmente vereador em Lisboa, lugar para o qual foi eleito nas últimas autárquicas, mas antes disso foi, desde 2013, presidente da Assembleia de Freguesia de Santa Maria Maior, a junta que está no centro da investigação. O presidente desta autarquia nesse mesmo período (2013-2025) era Miguel Coelho que também é arguido nesta investigação.

No tempo em que foi presidente da Assembleia de Freguesia, Sérgio Cintra trabalhou também na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, entre 2016 e 2024, tendo saído na altura em que o Governo PSD/CDS exonerou toda a Mesa da Santa Casa, incluindo a provedora Ana Jorge. Entre 2007 e 2016, esteve na Gebalis, empresa municipal responsável pela gestão da habitação social em Lisboa, da qual foi presidente do Conselho de Administração a partir de 2013.

https://observador.pt/especiais/operacao-imergente-as-ligacoes-socialistas-os-contratos-suspeitos-e-o-acordo-em-oeiras/

Já Carla Madeira foi eleita Presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia em 2013, e desempenhou esse cargo até ser eleita vereadora em Lisboa, nas autárquicas de outubro passado. Atualmente é também coordenadora das Mulheres Socialistas de Lisboa e integra a Comissão Política Concelhia do PS Lisboa.

Consulta prévia na Misericórdia sob suspeita

O primeiro contrato da Diálogo Emergente, empresa de Duarte Moral (assessor de José Luís Carneiro, secretário-geral do PS) e de Rui Nascimento (ex-líder do PS de Oeiras) foi com a Junta da Freguesia da Misericórdia, então liderada pela socialista Carla Madeira. A empresa de Moral e de Nascimento foi contratada através do regime de consulta prévia, por um valor de 22.000 euros. Pormenor muito relevante: marido e mulher foram concorrentes na consulta prévia feita pela Junta da Misericórdia.

Ou seja, a Diálogo Emergente de Duarte Moral concorreu com a Cidade Etérea de Rute Reimão — um facto que coloca aquela consulta prévia sob suspeita, por manipulação das regras da contratação pública. Participou ainda uma terceira empresa, mas, no final, ganhou a Diálogo Emergente para prestar serviços de “consultoria e imagem, informação, participação e cidadania”, segundo o portal base.gov.

https://observador.pt/especiais/buscas-no-ps-o-assessor-fanatico-sportinguista-de-carneiro-e-o-autarca-que-tratava-a-freguesia-como-um-feudo/

Já este ano, a 12 de fevereiro, a Diálogo Emergente voltou a ganhar um concurso para o mesmo tipo de serviço. Desta vez, o valor mais do que triplicou, ascendendo aos 88.560 euros, a serem liquidados em prestações mensais fixas de 2 mil euros acrescidos de IVA, com uma duração prevista de 36 meses.

A Junta de Freguesia da Misericórdia foi também alvo de buscas judiciais esta quinta-feira. A socialista Carla Almeida, atual presidente do Executivo da Misericórdia, foi constituída arguida. “Colaborámos prontamente em tudo o que nos foi solicitado e mantemo-nos disponíveis para prestar, às entidades competentes, todas as informações que venham a ser consideradas necessárias”, afirmou a presidente da Junta, confirmando igualmente ao Observador ter sido constituída arguida.

Tal como a Junta da Misericórdia, também a de Santa Maria Maior está envolvida na Operação Imergente devido a suspeitas de irregularidades em adjudicações de contratos públicos. E a investigação já provocou consequências políticas: Miguel Coelho, ex-presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, suspendeu o mandato de deputado municipal em Lisboa após ter sido constituído arguido. No entanto, os dois vereadores socialistas na Câmara Municipal de Lisboa que se encontram na mesma condição – Sérgio Cintra e Carla Madeira – não optaram por suspender as suas funções, segundo apurou o Observador.

Na noite de ontem foram conhecidas as medidas de coação para os quatro detidos nesta investigação. Duarte Moral, Rute Reimão, Rui Pedro Nascimento e Emílio Vázquez Blanco ficaram em liberdade, com termo de identidade e residência. E estão proibidos de contactar entre si, de comunicar com funcionários autárquicos ou políticos ligados ao processo, e de frequentar instalações das autarquias visadas na investigação.