É o jogo que todos querem, a final com que todos sonham, o dia que concretiza ou destrói objetivos. A final da Liga dos Campeões é muito mais do que 90 minutos de futebol — e ganhá-la ou perdê-la também é muito mais do que ganhar ou perder 90 minutos de futebol. Este sábado, em Budapeste, PSG e Arsenal defrontavam-se no jogo que queriam, na final com que sonharam e no dia que podia concretizar ou destruir objetivos.
De um lado, o PSG disputava a segunda final consecutiva e procurava também sagrar-se bicampeão europeu, um feito que só Real Madrid, Benfica, Inter Milão, Ajax, Bayern Munique, Liverpool, Nottingham Forest e AC Milan alcançaram anteriormente. A equipa de Luis Enrique chegava ao derradeiro dia da Liga dos Campeões depois de ter conquistado a Ligue 1 e ultrapassado uma meia-final épica contra o Bayern, recolhendo até algum favoritismo que o treinador espanhol queria aproveitar.
Ficha de jogo
PSG-Arsenal, 1-1 (4-3 após grandes penalidades)
Final da Liga dos Campeões
Puskás Arena, em Budapeste (Hungria)
Árbitro: Daniel Siebert (Alemanha)
PSG: Matvei Safonov, Achraf Hakimi, Marquinhos (Zabarnyi, 106′), Willian Pacho, Nuno Mendes, Vitinha (Lucas Beraldo, 106′), João Neves, Fabián Ruiz (Warren Zaïre-Emery, 95′), Désiré Doué, Kvaratskhelia (Bradley Barcola, 84′), Dembélé (Gonçalo Ramos, 90+5′)
Suplentes não utilizados: Lucas Chevalier, Renato Marin, Kang-in Lee, Lucas Hernández, Senny Mayulu, Dro Fernández, Ibrahim Mbaye
Treinador: Luis Enrique
Arsenal: David Raya, Mosquera (Jurrien Timber, 66′), Saliba, Gabriel Magalhães, Piero Hincapié, Myles Lewis-Skelly (Zubimendi, 91′), Declan Rice, Martin Odegaard (Viktor Gyökeres, 66′), Bukayo Saka (Madueke, 83′), Leandro Trossard (Gabriel Martinelli, 83′), Kai Havertz (Eze, 91′)
Suplentes não utilizados: Kepa, Gabriel Jesus, Norgaard, Mikel Merino, Riccardo Calafiori, Max Dowman
Treinador: Mikel Arteta
Golos: Kai Havertz (5′), Dembélé (gp, 64′)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Mosquera (47′), a Bukayo Saka (54′), a João Neves (90+5′), a Viktor Gyökeres (98′), a Declan Rice (103′), a Nuno Mendes (118′)
“Penso que há um favorito nesta final, para ser sincero. Mas é preciso aproveitar os pequenos detalhes e estar ano jogo durante 90 minutos. Há sempre muita tensão, muita expectativa. É importante saber lidar com tudo isso. Não há motivação maior do que jogar a final da Liga dos Campeões, o resto não importa. Temos de manter o foco no que é positivo para a nossa equipa e mostrar o nosso melhor. O desejo de conquistar a Liga dos Campeões pela primeira vez foi poderoso, mas ganhar duas vezes seguidas é ainda mais motivador”, atirou o técnico dos franceses, que há um ano derrotou o Inter Milão na final de Munique.
Do outro lado, o Arsenal disputava a primeira final em 20 anos e procurava sagrar-se campeão europeu pela primeira vez, sendo que em 2006 perdeu essa oportunidade para o Barcelona de Frank Rijkaard. A equipa de Mikel Arteta chegava ao derradeiro dia da Liga dos Campeões depois de ter conquistado a Premier League 22 anos depois, superando o todo-poderoso Manchester City de Pep Guardiola, e com a ideia de que esta temporada tudo era possível.
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“A preparação foi muito boa e merecemos estar aqui. O PSG é favotiro, mas queremos tirar-lhes esse direito. Lutámos durante tanto tempo para ganhar a Premier League e agora queremos voltar a fazê-lo, lutámos e temos o nível necessário. Espero muita coragem e um desejo inabalável de vencer. Vejo apetite, fome, sede, vontade de vencer. Os rapazes já conhecem o sabor da vitória e queremos repetir o mesmo. É uma nova oportunidade”, explicou o treinador dos ingleses, que na época passada foi eliminado pelos parisienses nas meias-finais.
Assim, na Puskás Arena da capital da Hungria e na primeira vez em que dois treinadores espanhóis se defrontavam na final da Liga dos Campeões, Luis Enrique tinha Nuno Mendes, João Neves e Vitinha no onze inicial, com Désiré Doué e Kvaratskhelia no apoio a Dembélé e Gonçalo Ramos enquanto suplente. Já Mikel Arteta apostava em Kai Havertz como referência ofensiva e deixava Gyökeres no banco, lançando Bukayo Saka e Leandro Trossard junto do alemão e Myles Lewis-Skelly no meio-campo.
O jogo começou como era expectável: o PSG tinha mais bola, o Arsenal pressionava alto. O que não era assim tão expectável, porém, era que aparecesse um golo ainda dentro dos cinco minutos iniciais. Numa demonstração brutal de eficácia, Trossard ganhou um ressalto na esquerda e isolou Kai Havertz, que acelerou sem oposição e atirou forte e de pé esquerdo, já na grande área, para bater Matvei Safonov e abrir o marcador (5′). Sem que ainda praticamente nada tivesse acontecido, a final da Liga dos Campeões já estava a mexer.
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O golo marcado numa fase tão embrionária da partida ditou o tom da primeira parte. O PSG assumiu a posse de bola, ainda que de forma algo inconsequente, e o Arsenal parecia perfeitamente confortável com a ideia de defender sem sofrer, manter as linhas numa zona intermédia e explorar o contra-ataque. Os parisienses tiveram poucas oportunidades para empatar, contando-se apenas um remate ao lado de Fabián Ruiz (13′) e um cabeceamento por cima também do médio espanhol (44′), e Kai Havertz até podia ter bisado já nos descontos, mas foi desarmado por Marquinhos no momento decisivo (45+3′). Ao intervalo, o Arsenal estava a vencer o PSG em Budapeste.
Nenhum dos treinadores mexeu ao intervalo e o jogo mantinha-se com a mesma lógica, ainda que os franceses estivessem claramente mais incisivos e os ingleses mais preocupados em resguardar a vantagem, sem tanta capacidade para lançar a profundidade nas costas da defesa contrária. Achraf Hakimi bateu um livre direto que David Raya encaixou (56′) e o empate acabou por aparecer depois da hora de jogo: Mosquera fez falta sobre Kvaratskhelia no interior da grande área e Dembélé, na conversão da grande penalidade, não falhou (64′).
Mikel Arteta fez as primeiras substituições logo a seguir, lançando Jurrien Timber e Gyökeres, mas depressa se percebeu que o PSG iria utilizar o facto de ter estado por cima durante quase todo o jogo para manter o ascendente. Dembélé rematou ao lado (73′), Vitinha atirou por cima ainda de muito longe (73′) e Kvaratskhelia acertou no poste pouco depois (78′), enquanto que o Arsenal não conseguia criar perigo apesar de ter subido linhas e de o encontro estar claramente mais aberto.
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Madueke e Gabriel Martinelli entraram já dentro dos últimos dez minutos e Luis Enrique mexeu pela primeira vez para colocar Bradley Barcola. Vitinha ainda poderia ter marcado mesmo em cima dos descontos ao rematar ligeiramente por cima da trave (90′), Barcola ainda atirou à malha lateral (90+7′), mas já nada mudou e a final de Budapeste seguiu mesmo para o prolongamento já depois de Gonçalo Ramos ter entrado em campo.
Arteta fez as últimas substituições, colocando Eze e Zubimendi, e Luis Enrique apostou em Zaïre-Emery. Pouco ou nada aconteceu na primeira parte da meia-hora extra, à exceção de um remate de Hakimi que passou muito por cima (101′), Vitinha saiu com queixas físicas ao intervalo e a igualdade manteve-se até ao apito final, entregando todas as decisões às grandes penalidades.
Aí, Eze atirou ao lado, David Raya defendeu o remate de Nuno Mendes e Gabriel Magalhães também falhou o alvo, encerrando todas as questões: o PSG venceu o Arsenal nas grandes penalidades e voltou a conquistar a Liga dos Campeões, tornando-se bicampeão europeu em Budapeste. Para os ingleses teria sido uma surpresa ganhar, para os franceses era natural ganhar — no fim, foi exatamente isso que fez toda a diferença.
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