Sexta-feira foi dia de a fuga voltar a vingar. No regresso à alta montanha, a etapa-rainha desta 109.ª Volta a Itália terminou com o histórico triunfo de Sepp Kuss, que fechou a trilogia de vitórias em etapas das três Grandes Voltas e colocou a Visma-Lease a Bike bem encaminhada para vencer mais uma classificação, a das equipas. No que concerne aos favoritos, Jonas Vingegaard (Visma) geriu a liderança e a vitória que ficou bem mais perto, ao passo que Afonso Eulálio (Bahrain-Victorious) caiu para sexto, mas conservou a liderança da classificação da juventude com cerca de um minuto de vantagem para Davide Piganzoli (Visma). Essa era uma das lutas que estava por decidir à partida para a 20.ª etapa que, na teoria, ia servir para resolver todas as contas deste Giro d’Italia.
https://observador.pt/2026/05/29/sepp-subiu-as-nuvens-para-fazer-historia-no-dia-mais-bonito-kuss-vence-etapa-rainha-e-completa-trilogia-eulalio-segurou-camisola-branca/
“Não me senti muito mal, mas os outros sentiram-se melhor do que eu. Não havia muito a fazer. Estive sempre na frente, sofri muito. Fui sempre a ver o número de ciclistas no grupo a descer, mas no final não tinha muito a fazer. Cheguei à última subida com poucas forças, estava muito limitado. Acho que foram os últimos cinco quilómetros mais longos da minha vida. É um dia a menos, mas não sei. Está cada vez mais perto [do final]. Vamos ver o que fazemos amanhã [sábado]. É um dia duro no final, tão duro como na sexta-feira, mas vamos dar tudo. É o último dia, vamos sofrer e, no final, veremos. [A subida final] é demasiado longa. Lembro-me desta subida quando o [Tadej] Pogacar ganhou [em 2024]. Não sei se é exatamente a mesma, mas é um esforço superlongo. Lutarei como lutei nos últimos dias mas, se no final o Piganzoli ganhar, é ciclismo. Seria mau, porque perderia no último dia, mas o Piganzoli também merece, porque é um corredor super forte”, explicou o figueirense ao Eurosport.
“Adoraria vencer hoje [sábado]. O nosso principal objetivo é manter a maglia rosa, mas obviamente também queremos tentar a vitória na etapa. Não somos os únicos no pelotão e, como é o último dia [de montanha], vai haver uma grande disputa. Obviamente que temos de tentar ver se conseguimos controlar isso. É realmente especial quando o Sepp [Kuss] vence, porque o Sepp é o rapaz que se sacrifica sempre pelos outros. Quando ele consegue vencer, todos na equipa ficam extremamente felizes”, perspetivou o líder da geral.
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A 20.ª etapa da Volta a Itália contou com 200 quilómetros, ligando Gemona del Friuli, região que foi fustigada por um grande sismo em 1976, a Piancavallo, a célebre subida que viu despontar Marco Pantani em 1998. No total, esta penúltima tirada contava com 3.750 metros de desnível positivo acumulado, com a primeira subida a aparecer apenas ao quilómetro 80, em Clauzetto (6,8 km a 5,6%). A partir daí, a dura subida de Piancavallo ganhava destaque, com o pelotão a passar duas vezes no alto que coroou o eterno pirata. No total, a escalada tinha 14,5 quilómetros a 7,8%, mas com pendentes de 14%. A primeira passagem acontecia a mais de 50 quilómetros do fim, pelo que a decisão iria ficar guardada para o fim.
O dia começou bastante movimentado, com Jonas Geens (Alpecin-Premier Tech), Manuele Tarozzi (Bardiani CSF 7 Saber), Axel Huens (Groupama-FDJ United), Jack Haig (Netcompany Ineos), Larry Warbasse (Tudor), Andreas Leknessund (Uno-X Mobility) e Guillermo Thomas Silva (XDS Astana) a integrarem a fuga, antes de Fredrik Dversnes Lavik (Uno-X) cair. Com os pontos a ficarem para os fugitivos no sprint intermédio, Paul Magnier (Soudal Quick-Step) carimbou de imediato a conquista da maglia ciclamino, precisando “apenas” de terminar em Roma. Na primeira passagem pelo Piancavallo, que teve o pelotão a quebrar o recorde da subida em cerca de cinco minutos, Haig, Warbasse e Leknessund foram os resistentes da fuga, ao passo que, no pelotão, não houve diferenças, apesar de Vingegaard ter passado por um susto que o levou a parar para verificar o pneu dianteiro. Eulálio seguiu bem os adversários, encontrando o seu lugar na parte de trás do grupo.
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No alto, Ciccone somou quatro pontos e cimentou a conquista da classificação da montanha, com Igor Arrieta (UAE Team Emirates-XRG) e Ludovico Crescioli (Polti VisitMalta) a aproveitarem para se lançarem ao ataque na descida, acabando por chegar ao trio, juntamente com Huens, no final da mesma. No quilómetro Red Bull, Arrieta foi primeiro e ultrapassou Einer Rubio (Movistar) na liderança desta classificação, que só vai ficar decidida em Roma. Na subida decisiva, Ciccone e Ben O’Connor (Jayco AlUla) foram os primeiros a deixar o grupo dos favoritos, seguindo-se Giulio Pellizzari (Red Bull), ao mesmo tempo que Crescioli atacava na frente para evitar que o pelotão lá chegasse. Já sem Piganzoli, que cedeu espaço ao mesmo tempo que Eulálio seguia os mais fortes, Vingegaard lançou o seu ataque, que foi seguido, inicialmente, por Felix Gall (Decathlon CMA CGM), com o austríaco a ceder poucos metros depois.
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O dinamarquês alcançou o italiano e partiu para mais uma vitória nesta Volta a Itália, com Derek Gee-West (Lidl-Trek) a seguir com Jai Hindley (Red Bull) em busca de Gall e Vingegaard. Nessa fase, Afonso encontrou o seu ritmo no grupo de Egan Bernal e Thymen Arensman (Netcompany) e Crescioli. O português cedeu dentro dos últimos oito quilómetros, mantendo-se à frente de Piganzoli durante cerca de um quilómetro. A partir daí, Eulálio respondeu ao ataque do rival direto e contou com o apoio de Damiano Caruso no grupo que também tinha Michael Storer (Tudor). Nos últimos cinco quilómetros, Gee-West e Hindley alcançaram Gall, seguindo-se Bernal e Arensman, numa altura em que a vantagem de Vingegaard já ultrapassava o minuto e meio. Piganzoli voltou a tentar a 1,5 quilómetros da meta, com Caruso a fechar o espaço e Eulálio a contra-atacar logo a seguir.
Jonas Vingegaard bateu o recorde do Piancavallo com oito segundos a menos que Pantani e somou a quinta vitória nesta Volta a Itália naquele que foi o seu 50.º dia a correr em território transalpino. Com este triunfo, a Visma leva agora seis vitórias neste Giro, naquela que é a edição mais bem-sucedida da equipa neerlandesa nesse capítulo, superando os quatro triunfos de 2025. Na luta pelo segundo lugar, Gall bateu Hindley, 1.15 minutos depois do dinamarquês. Afonso Eulálio chegou em solitário, no sétimo lugar, a 2.03, e carimbou o sexto lugar e a maglia bianca. A geral é liderada por Vingegaard, agora com 5.22 para Felix Gall e 6.25 face a Jai Hindley.
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