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Grupo internacional de extrema-direita reúne-se na Figueira. Ex-chefe anti-imigração de Trump entre convidados

A Remigration Summit reúne figuras associadas à extrema-direita europeia e a movimentos que defendem políticas de deportação em massa. Símbolo da política anti-imigração de Trump vai estar em Portugal

Miguel Santos Carrapatoso
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A segunda edição da Remigration Summit (“Cimeira da Remigração”) terá lugar este sábado, na Figueira da Foz. O local exato do evento, o hotel “Salmanha Residence”, foi revelado nas últimas horas pela organização que junta algumas das principais figuras da extrema-direita europeia e internacional. Gregory Bovino, antigo chefe da Patrulha Fronteiriça dos Estados Unidos e símbolo da política anti-imigração ilegal do Presidente norte-americano, Donald Trump, é o principal convidado.

A Remigration Summit reúne figuras associadas à extrema-direita europeia e a movimentos que defendem políticas de deportação em massa, promovendo o conceito de “remigração”, uma ideia usada para justificar a expulsão de imigrantes e assim travar a alegada “substituição” demográfica dos europeus brancos que estará em curso.

Em Portugal, a organização está a cargo de Afonso Gonçalves, líder do movimento de extrema-direita Reconquista que tem a “remigração” como grande bandeira. Já foi detido e identificado várias vezes por participar em manifestações com mensagens xenófobas e de apologia ao ódio contra comunidades imigrantes. Está a ser investigado pelo Ministério Público e Polícia Judiciária por suspeitas de crimes de ódio.

Afonso Gonçalves tem procurado associar-se ao Chega. No final de novembro, Pedro Frazão, deputado e vice-presidente do Chega, enviou uma mensagem para o congresso do Reconquista. “É com enorme orgulho que envio esta mensagem ao congresso da Reconquista, que sei ser uma das casas da direita cristã patriótica em Portugal”.

Nessa mesma mensagem, Frazão referiu-se ao movimento de Afonso Gonçalves como “aliado”. “O Chega, com aliados como vós, está aqui para lembrar a todos que a defesa de Portugal passa também pela defesa da nossa cultura, das nossas famílias e da nossa identidade cristã portuguesa.” Pedro Pinto Faria, conselheiro nacional do Chega, participou na primeira edição da Remigration Summit, em Milão.

A presença de Gregory Bovino foi anunciada nas últimas horas. Foi escolhido por Donald Trump como chefe da Patrulha Fronteiriça dos Estados Unidos e, sob o seu comando, as operações contra imigrantes ilegais tornaram-se muito mais frequentes, repressivas e violentas.

Liderava uma dessas operações quando, a 7 de janeiro, um agente matou a tiro Renee Good, uma mãe de 37 anos, dentro do próprio carro. Também defendeu veementemente os agentes federais que mataram Alex Pretti, um paramédico que participava numa manifestação e foi atingido a tiro. Acabou por ser afastado depois de estes episódios terem desencadeado uma onda de protestos e contestação à Administração Trump.

Também o austríaco Martin Sellner, responsável pela popularização do termo “remigração” na Europa, estará presente. Em 2023, foi um dos organizadores do que ficou conhecido como a “Reunião de Potsdam”, onde apresentou o plano de remigração. Tem ligações passadas a grupos neonazis durante a juventude – algo que admitiu publicamente – e foi orientado por Gottfried Küssel, negacionista do Holocausto. Teve a entrada negada em países como os Estados Unidos, o Reino Unido e a Suíça, de onde foi expulso em 2024.

Dries Van Langenhove, belga de 32 anos, fundador do grupo de extrema-direita “Escudo & Amigos”, cuja principal bandeira é precisamente o combate à imigração, será outro dos oradores. Já foi condenado a um ano de prisão com pena suspensa por violação das leis contra o racismo e negacionismo do Holocausto.

O italiano Andrea Ballarati, de 24 anos, e grande organizador da primeira cimeira, é o outro dos destaques. Fundador do grupo de extrema-direita Ação, Cultura e Tradição (ACT), foi acusado de incitamento ao ódio racial pela Justiça italiana. No passado, defendeu publicamente que os “gangues de imigrantes” que “governam” as cidades italianas são a “prova do fracasso do projeto multicultural”, convidou os “verdadeiros italianos a rebelarem-se” a “reagir e a lutar”.

A neerlandesa Eva Vlaardingerbroek também foi anunciada pela organização. Chegou a pertencer ao partido de extrema-direita Fórum pela Democracia, força política entretanto desacreditada depois de ter entrado em modo de autodestruição. Eva Vlaardingerbroek destaca-se por ser uma convicta defensora da “teoria da substituição”. Está impedida de entrar no Reino Unido.