Inaugurado em 2009 na área metropolitana de Dallas, em Arlington, o AT&T Stadium – rebatizado pela FIFA como Dallas Stadium – é muito mais do que betão e aço. É um monumento ao exagero texano – bigger is better (maior é melhor). O projeto, que exigiu um investimento a rondar os 1,2 mil milhões de euros, impressiona qualquer adepto pela escala. Ali, tudo foi pensado em formato macro: a cobertura é totalmente retrátil e, mesmo por cima do relvado, flutua um dos maiores ecrãs gigantes suspensos do planeta, uma estrutura colossal que dita o visual de toda a arena. Em dias “normais”, o estádio alberga cerca de 80 mil espectadores sentados, mas a engenharia do espaço permite esticar as bancadas até aos 100 mil lugares, assim um evento o exija.
Embora tenha sido desenhado para ser o quartel-general dos Dallas Cowboys na NFL, o recinto rapidamente percebeu que o futebol era um mercado demasiado apetecível para ser ignorado. O relvado já viu passar finais universitárias de relevo, o Super Bowl XLV (2011), a Gold Cup da CONCACAF e alguns jogos da Copa América de 2024. Foi ainda cenário de um jogo de pré-época entre o Real Madrid e o Barcelona, em 2023. Este currículo eclético serve de rampa de lançamento para o Mundial de 2026, onde a FIFA lhe entregou a maior fatia do bolo do torneio: nove jogos no total, incluindo uma das meias-finais.
Mas a verdadeira identidade de um estádio também está nas suas falhas. Logo no jogo de estreia, em 2009, o pontapeador A.J. Trapasso, dos Tennessee Titans, testou a física do recinto e pontapeou um bola de futebol americano com tanta força que esta colidiu diretamente com o ecrã gigante, a 27 metros de altura. O lance insólito obrigou a NFL a criar uma regra que estipulava que qualquer jogada que atinja o monitor é imediatamente anulada e repetida. E não foi a única vez que aconteceu. Em 2022, Jake Camarda, dos Tampa Bay Buccaneers, voltou a acertar no ecrã durante uma partida da NFL.
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O outro quebra-cabeças do estádio é a iluminação (ou iluminação em demasia) – um “defeito de fabrico” provocado pela orientação de este para oeste. O sol poente entra diretamente pelas janelas do lado oeste da estrutura. Ao final da tarde, a luz entra com uma inclinação agressiva que pode comprometer a visibilidade dos jogadores. Durante anos, o proprietário do estádio, Jerry Jones, recusou-se a utilizar as cortinas em jogos da NFL, defendendo que a luz natural fazia parte do fator casa. Contudo, o romantismo de Jones esbarrou nas exigências do Mundial: a FIFA obrigou a administração a instalar cortinas opacas.
https://twitter.com/DallasTexasTV/status/2057815048240672878
BI
- País: EUA
- Cidade: Arlington, Texas
- Ano de fundação: 2009
- Equipas e desportos: Dallas Cowboys (futebol americano)
- Custo de construção: cerca de 1,3 mil milhões de dólares (cerca de 1,2 mil milhões de euros)
- Capacidade: 80 mil espectadores (expansível até 100 mil)
- Jogos no Mundial-2026 (9): Países Baixos-Japão (14/6), Inglaterra-Croácia (17/6), Argentina-Áustria (22/6), Japão-Suécia (25/6), Jordânia-Argentina (27/6), 2 jogos dos 16 avos de final, 1 jogo dos oitavos e 1 jogo das meias-finais