Um juiz federal em Washington ordenou esta sexta-feira que o John F. Kennedy Center for the Performing Arts removesse o nome de Donald Trump da fachada do edifício, assim como de toda a sua identidade visual. Numa decisão com 94 páginas, Christopher R. Cooper considerou que a legislação aprovada pelo Congresso para criar o centro de artes performativas estabelece de forma inequívoca que a instituição foi concebida para homenagear o antigo presidente norte-americano John F. Kennedy. Em resposta, Donald Trump criticou o juiz, disse que vai “devolver” o centro aos democratas e queixa-se de ser tratado de forma “injusta pelos Tribunais”.
“O Congresso deu o nome ao Centro Kennedy, e só o Congresso pode mudá-lo”, escreveu Christopher R. Cooper, citado pelo The New York Times. Para além de ter ordenado que o nome de Trump fosse retirado da fachada do centro de artes em Washington, o juiz federal também impediu o encerramento temporário da instituição para obras este verão, poucos meses depois do Presidente dos Estados Unidos ter classificado o edifício como “ruínas” e de ter anunciado um fecho previsto de dois anos, aprovado em março.
Joyce Beatty, congressista democrata do Ohio e ex-membro do conselho do centro de artes, já se tinha manifestado contra a mudança de nome e contra os planos de encerramento da instituição a partir de julho, relata o jornal nova-iorquino. Os seus advogados defenderam que a medida teria sido, na realidade, uma decisão “concebida para esconder o embaraço provocado pela queda nas vendas de bilhetes”.
A maioria do atual conselho de administração do Kennedy Center é, segundo o The New York Times, composta por aliados de Donald Trump. Em dezembro, o órgão votou por unanimidade a favor da mudança do nome da instituição para Trump-Kennedy Center, numa homenagem ao atual Presidente dos Estados Unidos, revelou a Casa Branca.
“Nenhum dos membros do conselho possuía informações suficientes antes da reunião de 16 de março para tomar uma decisão bem fundamentada sobre o encerramento do centro”, afirmou o juiz federal.
Christopher R. Cooper observou, no entanto, que a sua decisão não impede o conselho do centro de artes de decidir encerrar a instituição no futuro para obras de renovação. Ainda assim, incentivou os responsáveis a avançarem apenas depois de reunirem “informações suficientes para tomar uma decisão ponderada e independente”, assim como o “dever solene” de homenagear o antigo presidente John F. Kennedy.
“Nunca houve um Presidente que tenha sido tratado de forma tão injusta”
Donald Trump reagiu à decisão através da Truth Social. Num longo texto, critica o juiz Christopher Cooper, afirmando que este foi nomeado por Barack Obama, e questiona a decisão de não permitir o fecho do Kennedy Center para reformas, defendendo ainda que o novo nome do espaço foi uma decisão do conselho de administração. “Chocantemente, um Juiz nomeado por Barack Hussein Obama, Christopher Cooper, decidiu que O Kennedy Center, que ia fechar no início de julho para renovações e obras de grande escala devido a anos de negligência, decadência e má manutenção, e que ia ser transformado pela Administração Trump na melhor instalação do seu género, em qualquer parte do mundo, não está autorizado a fechar para estas renovações, as quais não seriam possíveis de realizar adequadamente sem tal encerramento. Adicionalmente, o Juiz Cooper decidiu que o conselho de administração de 36 membros, que votou unanimemente para adicionar o nome ‘TRUMP’ ao antigo Kennedy Center, tornando-o O Trump Kennedy Center, não tinha o direito de fazer essa adição, e o nome, ‘TRUMP’, deve ser removido.”
Trump afirma que o centro “perdeu, ao longo dos anos, antes de nos envolvermos há pouco tempo, centenas de milhões de dólares — em alguns casos, incluindo obras de construção ridículas que foram feitas, mais de 100 milhões de dólares por ano.” O Presidente norte-americano diz ainda que, já que não pode realizar as obras de remodelação que pretendia, vai entregar o centro aos “democratas da esquerda radical”. “Vamos trabalhar com o Congresso para transferir esta instituição falhada de volta para eles, para que possam tomar uma decisão sobre o que fazer com ela.”
“O Juiz Cooper recebeu uma apresentação de proeminentes especialistas em edificação e construção sobre o quão estruturalmente perigoso o edifício está, com vigas podres, áreas de estacionamento sujeitas a colapso e vários outros problemas de vida e segurança, além do facto de que também precisa de uma GRANDE renovação sob o ponto de vista estético, mas ele não foi ‘convencido’ e disse que quer que o Edifício, incrivelmente, permaneça aberto e, portanto, perigoso. O Juiz Cooper deveria ter vergonha de si mesmo! Não posso estar envolvido numa situação em que o perigo para o público é autorizado a florescer à vista de todos. A menos que eu seja livre para fazer o que faço melhor do que qualquer outra pessoa — reerguer esta Instituição, física, financeira e artisticamente —, não tenho interesse em continuar o que só poderia ser uma jornada sem esperança pela ‘TERRA DO NUNCA’.”
Trump termina o texto a afirmar que “nunca houve um Presidente dos Estados Unidos que tenha sido tratado de forma tão injusta pelos Tribunais como eu, mas não faz mal, continuarei a fazer o que é considerado um excelente trabalho para as pessoas maravilhosas do nosso país. Instruí o Departamento do Comércio para fazer todos os preparativos necessários com o Congresso para permitir uma transferência total e completa desta Instituição, dando-lhes a responsabilidade pela sua operação, manutenção e gestão.”