O Ministério da Saúde desmente as declarações feitas pelo ainda coordenador do grupo de acompanhamento do Plano de Emergência e Transformação na Saúde (PETS). Esta quinta-feira, Carlos Robalo Cordeiro disse ao Observador, a propósito dos dois anos da apresentação do plano, que não se reunia com a tutela há mais de um ano, que tinha ficado sem interlocutor no Ministério da Saúde e que o grupo que lidera tinha deixado de receber dados essenciais para fazer uma avaliação da execução das medidas do PETS, acusando a tutela de “inércia”.
O Ministério da Saúde enviou entretanto um comunicado às redações em que fica visível a rutura com Carlos Robalo Cordeiro. A tutela garante que a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, se reuniu com o coordenador do Plano de Emergência para a Saúde no dia 14 de janeiro de 2026, há pouco mais de cinco meses, e sublinha que nesse “encontro foram novamente abordados o PETS e a sua evolução”.
O Ministério da Saúde realça que Carlos Robalo Cordeiro manifestou disponibilidade para apresentar uma proposta de “Plano 2.0”, centrado em medidas estruturais na área da prevenção em saúde, mas garante que, até hoje, “essa proposta não foi apresentada“.
https://observador.pt/especiais/dois-anos-depois-40-das-medidas-do-plano-de-emergencia-da-saude-estao-por-concretizar-grupo-de-acompanhamento-nao-reune-ha-um-ano/
Para além disso, a tutela nega que o grupo de acompanhamento não tenha tido acesso aos dados necessários para avaliar a implementação do plano, como alega o médico pneumologista, e que não tenha disponibilizado um interlocutor. “Ao longo de todo o processo, a ministra da Saúde assegurou ao Grupo de Trabalho o acesso à informação necessária à monitorização do PETS, identificando e disponibilizando igualmente um interlocutor permanente do seu gabinete, bem como a colaboração dos organismos sob a tutela do Ministério da Saúde”, lê-se no comunicado enviado pelo gabinete de Ana Paula Martins.
Esta quinta-feira, o pneumologista e professor universitário Carlos Robalo Cordeiro tinha afirmado o contrário. “Deixámos de ter o interlocutor no Ministério da Saúde, com quem reuníamos mensalmente. Foi-me dito que iria ser substituído mas não foi”, referiu o médico. “É uma pena que tenhamos perdido esta capacidade de monitorização“, acrescentou.
Até esta quinta-feira, 40% das medidas que constam do PETS estavam por cumprir, como o Observador noticiou, com base nas informações disponíveis no portal do SNS. Questionados sobre a implementação do plano, Ordem dos Médicos, administradores hospitalares e médicos de família teceram duas críticas à execução das medidas no terreno.
Nessa noite, o site do SNS acabou por ser atualizado, passando o Ministério da Saúde a considerar concluídas 88% das medidas do PETS (46 em 52), sendo que muitas não têm ainda concretização no terreno (como a libertação de camas hospitalares ocupadas com casos sociais ou as Unidades de Saúde Familiares modelo C, geridas por privados, que ainda não abriram portas).