Depois de dias marcados por longas filas, atrasos e confusão nos aeroportos em Portugal, Vanda e Josh Lill, recém-chegados dos Estados Unidos, ficaram surpreendidos com o pouco tempo que passaram nas filas na Portela. O casal viajou até Portugal para o casamento da sobrinha exatamente no dia em que entrou em vigor o reforço de meios humanos e técnicos do controlo de fronteiras do Aeroporto Humberto Delgado: mais 48 agentes da PSP, 34 postos de controlo nas chegadas (mais 14) e 18 nas partidas (mais quatro). Já na fronteira automática, o aeroporto passou a ter 32 e-gates nas chegadas e 18 nas partidas.
“Nós passamos no controlo de fronteiras de forma bastante rápida“, confessaram, esta sexta-feira, ao Observador. No total, os passageiros dizem ter ficado cerca de 30 minutos à espera. Porém, confidenciaram que, a certa altura, era confuso perceber qual o procedimento a seguir. Um problema comum, como contou Hélio Silva, assistente da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) que procura ajudar os passageiros a usar o sistema europeu. “As pessoas têm tido muitas dúvidas, principalmente gente mais velha”, disse ao Observador.
À semelhança do casal norte-americano, também Luana Melo, que chegou do Brasil, relatou um processo fácil e um tempo de espera de cerca de 20 minutos. “Fiquei 10 minutos a fazer a parte das máquinas e depois 10 minutos na parte do polícia. Ele também foi super rápido, viu o passaporte e nem fez nenhuma pergunta”, contou.
O processo obriga a que “os cidadãos de países terceiros [não-pertencentes à União Europeia]” passem pelas SSK, máquinas de autorregisto usadas para a recolha biométrica. “Estamos a falar das impressões digitais e da recolha de imagem”, explicou o porta-voz da PSP, Sérgio Soares, aos jornalistas. De seguida, os passageiros são encaminhados ou para os e-gates ou para o controlo manual, onde estão os polícias com a formação de guarda da fronteira, conforme os critérios aplicáveis.
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Se no primeiro dia do reforço, as reações às mudanças parecem ser positivas, há passageiros que ainda não esqueceram os constrangimentos vividos no aeroporto de Lisboa nos últimos tempos. Sylvia Li e Matthew Tsui vieram passar férias a Portugal. Partiram do Canadá e chegaram ao país na terça-feira, tendo ficado mais de uma hora à espera para conseguir passar a fronteira.
Sylvia explicou ao Observador que tentou usar as SSK’s, mas a máquina detetou um erro ao fazer a leitura da impressão digital. O casal procurou assistência pensando que iria ter de repetir o processo, mas a resposta foi mais surpreendente: disseram-lhes apenas para avançar. A mulher revelou já ter estado em mais de 10 países diferentes e assegura que Portugal foi o local onde ficou mais tempo à espera.
Esta sexta-feira, ao regressar a casa, Sylvia demonstrou não ter esquecido todo o processo e, ao perceber que teria de voltar a passar pelo sistema, despediu-se apressada: “Tenho de ir para lá mais cedo. Deseja-me boa sorte”.
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Aos jornalistas, o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, mostrou-se satisfeito com as novas medidas e assegurou que o tempo de espera baixou, segundo os primeiros dados recebidos. “É um sistema que toda a Europa está a aprender [a usar]. Nós atingimos agora um ponto em que podemos afirmar com otimismo que vai melhorar. Os números que temos, no pico da manhã, (apontam para) 50% menos do tempo de espera em fila”, revelou.
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Opinião igual manifestou o ministro da Administração Interna, Luís Neves. “Não queremos dizer que não possa haver um ou outro dia em que possa ocorrer alguma falha do ponto de vista tecnológico. Mas tendencialmente, será diferente”, garantiu.
Portugal iniciou a implementação parcial do sistema no dia 12 de outubro de 2025, mas só em abril deste ano é que entrou plenamente em vigor.
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