Provoca curiosidade e chama a atenção o desaparecimento das assinaturas. Em tempos históricos anteriores era requerido que as pessoas desenhassem um desenho que correspondesse aproximadamente a uma coisa que só essas pessoas soubessem desenhar. Em muitos casos esses desenhos eram reproduções de letras. Era relativamente fácil fazê-lo, porque as letras são poucas e são quase todas simples de desenhar; e quem não soubesse desenhar letras iria arranjar-se com um X ou um cão mal feito.
Uma assinatura não reproduz um nome, apesar de muitas vezes reproduzir as letras que são usadas para formar a palavra que constitui esse nome. É assim possível a Saula assinar ‘Paula’ sem que a sua assinatura deixe de ser uma assinatura de Saula. Sendo a assinatura uma habilidade, o seu aspecto é principalmente uma maneira de determinar que certa pessoa e não outra tenciona fazer aquilo para que a assinatura é precisa. Não é necessário que a assinatura de Saula forme a palavra ‘Saula’, desde que tenha sido Saula a cometer a habilidade, ou pelo menos a tencionar fazê-lo.
Há a este respeito duas teorias diferentes sobre assinaturas. Segundo a primeira, a assinatura é principalmente uma proeza que apenas uma pessoa é capaz de realizar. Podemos imaginar que só Saula fosse capaz de assinar de uma certa maneira. Sendo capaz de realizar essa habilidade, seria também capaz de a realizar sempre da mesma maneira; e assim, diante de uma certa maneira igual de assinar, concluiremos que Saula, a única artista capaz de o fazer, tem um certo motivo ulterior. Se for diferente, concluiremos que Saula não tem essa intenção.
A segunda teoria defende pelo contrário que uma assinatura serve só para mostrar um motivo ulterior: comprar um cão, garantir que se pintou um quadro, fazer uma promessa. Segundo essa teoria não é importante que as assinaturas de Saula sejam feitas por Saula. Tal como quem pretende coser um botão pode não ser quem o cosa, Saula pode pretender assinar e não cometer habilidade artística; mas encarregar Paula de escrever, por exemplo, ‘Saula.’ Em caso de desacordo, a segunda teoria recomenda que se examinem os motivos ulteriores de Saula; mas não acha preciso considerar se Saula realizou de facto a habilidade.
A ideia de que uma assinatura é uma proeza que só uma pessoa é capaz de realizar tornou-se menos comum; acredita-se em maneiras mais recentes de mostrar que se tem um motivo ulterior; Saula e Paula podem assinar digitalmente, mesmo que não tenham dedos. As assinaturas sobrevivem como proeza apenas em certos contextos peculiares. As paredes nas grandes cidades continuam cobertas de assinaturas iguais. Não é claro quais possam ser os motivos ulteriores dos seus autores: que estarão eles a comprar, a assinar, ou a prometer? Não é de excluir que principalmente estejam a cometer proezas que imaginam que só eles conseguem realizar.