“Lenda”, “ícone” e “verdadeiro patriota”. A Casa Branca publicou, na sua conta no X, uma longa e carregada de elogios homenagem ao gorila Harambe, morto a tiro a 28 de maio de 2016 após interagir, com alguma agitação, com uma criança de três anos que invadiu a sua jaula do jardim zoológico de Cincinnati. O vídeo que registou este momento gerou polémica nas redes sociais, com muitos ativistas a defender a libertação dos animais em cativeiro. Agora, a publicação, inusitada, gerou muitas críticas por parte dos internautas.
“Hoje, lembramos uma lenda. Neste dia, Harambe comemoraria mais um aniversário. Um ícone que se tornou parte da história da internet, da cultura americana e da linha do tempo de toda uma geração”, pode ler-se na publicação da administração Trump, feita na quarta-feira, onde se diz ainda que a morte do gorila representou o “momento em que o mundo parou de fazer scroll no ecrã e coletivamente lamentou algo maior que um meme”.
https://twitter.com/WhiteHouse/status/2059779450275864710
No mesmo texto, a Casa Branca escreve que Harambe se tornou um “símbolo de lealdade, força, caos, unidade” e que “todos se lembram de onde estavam quando ouviram a notícia”. “De alguma forma, uma década depois, o seu legado ainda vive. Morto, mas nunca esquecido. Descansa em paz, verdadeiro patriota”, pode ler-se ainda.
A homenagem a Harambe originou um coro de críticas e comentários sarcásticos, com utilizadores a apelidarem o texto de “abominável” ou “louco”. “Não é possível que a Casa Branca esteja a postar isto”, pode ler-se numa das respostas à publicação.
https://twitter.com/ThunderAngel5/status/2060182583263265158
O texto sobre o gorila espantou mesmo apoiantes do movimento MAGA, com alguns fãs do Presidente a deixarem comentários indignados. “Tenho que perguntar: de quem foi esta ideia? Porquê? Quais as correlações? Pessoas e animais morrem todos os dias e a maior parte não é reconhecida por qualquer autoridade. Cada pessoa que morreu no mesmo dia que este macaco merecia mais reconhecimento do que um primata”, pode ler-se numa das respostas ao tweet.
https://twitter.com/ConroyJohn36064/status/2060377074578137255
Quando Harambe foi abatido, Donald Trump era candidato à presidência dos EUA e não deixou de comentar o caso, defendendo que tinha sido “muito bonito” ver o primata com a criança”. “Era quase como uma mãe a segurar um bebé… parecia tão bonito e calmo. E houve momentos em que [a cena] pareceu bastante perigosa”, disse aos jornalistas, relembra o The Guardian, assumindo, porém, que os funcionários do zoo não teriam tido outra solução a não ser abater o animal. “Há uma criança pequena em risco e é uma pena não haver outra maneira [de resolver o problema]”, declarou, reagindo também ao debate na opinião pública sobre a legitimidade da resposta letal.
O abate de Harambe tornou-se de tal maneira mediático que, em julho de 2016, o macaco surgia com a mesma percentagem de intenções de voto para a corrida à Casa Branca do que a então candidata do Partido Verde dos EUA, Jill Stein.
*texto editado por Cátia Andrea Costa