
A frase
Soldado de Israel vandaliza estátua de Jesus no Líbano e gera crise diplomática. O que muitos pensavam ser uma “fake news” revelou-se um pesadelo real para a diplomacia de Israel. A guerra de 2026 ultrapassou os limites do campo de batalha e entrou no terreno da fé.
— Utilizador de Facebook, 27 de abril de 2026
No final do passado mês de abril, começaram a circular imagens que mostravam um soldado israelita a destruir uma estátua de Jesus Cristo com um martelo, no sul do Líbano. O membro das Forças de Defesa de Israel e o militar que captou o episódio foram punidos com 30 dias de “detenção militar” e “removidos das operações de combate” com o Hezbollah, após Benjamin Netanyahu ter-se manifestado “chocado e entristecido” com o incidente.
Foi na aldeia de Debel, perto da fronteira entre o Líbano e Israel, que um grupo de oito soldados israelitas se encontraram com uma estátua de Jesus crucificado à porta de uma casa. Este aldeamento é um dos poucos que não foi evacauado desde que as forças israelitas retomaram a ofensiva contra o Hezbollah.
À BBC, o líder da congregação cristã de Debel, Fadi Flaifel, “rejeitou veemente a profanação da cruz” e de “todos os símbolos religosos”, referindo que o ato cometido pelos militares israelitas “vai contra a declaração dos direitos humanos” e que “não demonstra civismo”. Disse, ainda, que este episódio não tinha sido um ato isolado e que várias figuras religiosas tinham sido vítimas do vandalismo levado a cabo pelas IDF.
As IDF, num comunicado oficial, condenaram o episódio e garantiram que os soldados estavam “em total coordenação com a comunidade local” para substituir a estátua, mas mantendo que as operações no Líbano tinham como alvo unicamente o Hezbollah e “outros grupos terroristas, mas não os civis libaneses”.
Na sequência desta notícia, surgiram nas redes sociais várias publicações a relatar o evento, com supostas fotografias do momento. Nesta publicação, um utilizador mostra uma imagem de um soldado israelita, junto de uma estátua de Jesus Cristo que terá sido decapitada com recurso a um machado, alegando que aquela terá sido a estátua destruída em Debel e o motivo do comunicado das Forças de Defesa de Israel.

Olhando para a imagem, percebe-se que não pode ser uma reconstituição verídica dos factos, uma vez que foi utilizado um martelo, não um machado, e a estátua seria uma figura de Jesus crucificado — e nesta imagem não existe qualquer referência à cruz. Adicionalmente, o Observador recorreu à plataforma Hive Moderation para verificar se a imagem foi de alguma forma adulterada ou gerada totalmente com recurso a inteligência artificial, confirmando que a fotografia não é verdadeira.

Conclusão
As imagens divulgadas de um soldado israelita junto de uma estátua decapitada de Jesus Cristo no Líbano foram geradas com inteligência artificial, mas os acontecimentos descritos na publicação remetem para uma história confirmada pelas Forças de Defesa de Israel e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ENGANADOR
No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:
PARCIALMENTE FALSO: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.