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Quarto detido da Operação "Imergente" é um ex-porta-voz do PSOE da Galiza. Faturou mais de 350 mil euros ao PS

Emilio Vásquez Blanco é suspeito de ter manipulado as regras da contratação pública com Duarte Moral. Empresa de espanhol faturou 351 mil euros ao PS por serviços em três eleições nacionais.

João Paulo Godinho
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Luís Rosa
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Depois de Duarte Moral, Rute Reimão e Rui Pedro Nascimento, ao que o Observador apurou, o quarto detido é Emilio Vázquez Blanco, um cidadão espanhol radicado há alguns anos em Portugal e com ligações ao PS e ao partido irmão dos socialistas em Espanha: o Partido Socialista Obrero Español (PSOE). Vázquez Blanco foi deputado e vice-porta-voz do PSOE no Parlamento da região da Galiza, mas está radicado em Portugal há vários anos, tendo uma empresa de comunicação de marketing político.

O socialista espanhol é suspeito de ter sido cúmplice de Duarte Moral na alegada manipulação das regras da contratação pública. A empresa de Emilio Vázquez Blanco participou num concurso por consulta prévia da Junta da Freguesia da Misericórdia que foi ganho pela empresa Diálogo Emergente, de Duarte Moral e Rui Pedro Nascimento. Além da Cecubometrics e da Diálogo Emergente, participou também a empresa Cidade Etérea — a empresa unipessoal de Rute Reimão (mulher de Duarte Moral).

https://observador.pt/especiais/operacao-imergente-as-ligacoes-socialistas-os-contratos-suspeitos-e-o-acordo-em-oeiras/

A Polícia Judiciária (PJ) suspeita que estas três empresas terão combinado que seria a Diálogo Emergente a ganhar o contrato no valor de 22 mil euros — como, de facto, veio a acontecer, em fevereiro de 2025, tendo o Executivo então liderado por Carla Madeira (atual vereadora do PS na Câmara de Lisboa) adjudicado o contrato à empresa de Duarte Moral e de Rui Pedro Nascimento, ex-presidente do PS de Oeiras.

Mas a ligação ao PS não acaba aqui para este cidadão espanhol. O primeiro registo de contratação da empresa de Emilio Vazquez Blanco pelo PS surgiu em abril de 2017, de acordo com o relatório da ECFP relativo às contas da campanha para as eleições autárquicas realizadas em outubro de 2017. São identificadas cinco faturas da Cecubometrics entre abril e setembro desse ano, que perfazem um total de 79.275 euros, numa lista descrita pelo organismo de controlo das contas partidárias como “despesas comuns e centrais de campanha com suporte documental deficiente”.

https://observador.pt/especiais/buscas-no-ps-o-assessor-fanatico-sportinguista-de-carneiro-e-o-autarca-que-tratava-a-freguesia-como-um-feudo/

Mais tarde, por ocasião das eleições para a Assembleia da República de outubro de 2019, as contas apresentadas pelo PS sobre a respetiva campanha eleitoral evidenciam nova contratação da empresa do cidadão espanhol. O documento indica que a Cecubometrics faturou um total de 173.676 euros ao PS.
Ou seja, por estas três contratações da empresa de Emilio Vazquez Blanco, o PS pagou um total de 351.351 euros.

A Cecubometrics foi ainda contratada pelo PS em 2019, no âmbito da campanha para o Parlamento Europeu. De acordo com o relatório da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) — de janeiro de 2021, mas referente a essa campanha de 2019 —, a Cecubometrics foi abrangida por quatro contratos mensais, de 24.600 euros cada, entre março e junho de 2019 — um período no qual Duarte Moral estaria a trabalhar no PS. No total: 98.400 euros por quatro meses, com a ECFP a indicar sobre esta contratação que “não detalha os honorários, número de pessoas da equipa, número de horas e respetivo valor unitário/hora”.

Simultaneamente, neste período de 2019 (e também de 2018, pelo menos), uma breve pesquisa pelo perfil de Emilio Vázquez Blanco nas redes sociais consegue encontrar facilmente dezenas ou centenas de publicações promocionais do PS.

Antes de chegar a Portugal, Emilio Vázquez Blanco já tinha ligações aos socialistas na Galiza. De acordo com a publicação Faro de Vigo, o cidadão espanhol era secretário de Organização do PSOE da Corunha e tomou lugar como deputado no Parlamento galego em abril de 2015.

Na rede social LinkedIn, Emilio Vázquez Blanco, que é licenciado em Ciências Políticas e da Administração e mestre em Marketing Político e Estratégias de Comunicação, diz que trabalhou “no Gabinete de Protocolo da Xunta da Galiza e no Gabinete da Presidência da Diputación Provincial da Corunha”, tendo tido atividade política durante alguns anos.

https://observador.pt/2026/05/28/pj-faz-megaoperacao-em-lisboa-suspeitas-de-crimes-em-juntas-do-ps-leva-a-buscas-em-santa-maria-maior/

“Fui deputado no Parlamento da Galiza e vice-porta-voz do Grupo Socialista. Há alguns anos que vivo em Lisboa, onde exerço a minha atividade profissional como diretor na consultora de comunicação Cecubo Group. Uma empresa fundada em 2011, com presença em Espanha, Portugal, México e Panamá, e especializada em business intelligence aplicada à comunicação e ao marketing”, lê-se na sua página na rede profissional LinkedIn.

Acabaria por deixar o parlamento regional galego em julho de 2016, assumindo publicamente que vinha para Lisboa por motivos pessoais. “Vou embora porque a minha companheira vive em Lisboa há anos e queremos reunir-nos como família. Ela é uma emigrante forçada e não pode voltar, mesmo que quisesse. E eu vou trabalhar em consultoria em Portugal. Só deixo para trás amigos. Vou embora por motivos pessoais”, explicou, em declarações ao jornal La Voz de Galicia.

A empresa Cecubometrics, Unipessoal Lda., alterou entretanto em 2024 o seu nome para BMD Comunication, Unipessoal Lda., e foi já sob esta designação que, segundo o portal Base, alcançou o seu único contrato público.

Em 31 de março de 2025, a empresa de Emilio Vazquez Blanco assinou contrato com a Câmara Municipal de Póvoa de Lanhoso, presidida pelo ex-deputado socialista Frederico de Oliveira Castro. O valor do contrato foi de 19.590 euros, por uma “aquisição de serviço de análise e estudo sobre a presença digital turística de Póvoa de Lanhoso” que durou, de acordo com o portal, 91 dias.

Ex-vereadora do PS detida foi acusada no caso das refeições de Isaltino

Filipa Laborinho, ex-vereadora do PS que hoje trabalha como assessora do Executivo liderado por Isaltino Morais, foi acusada em março deste ano de um crime de peculato no caso dos almoços da autárquica de Oeiras.

No caso de Laborinho estão em causa apenas 185 euros por três almoços (entre 2022 e 2023) às custas do fundo de maneio autárquico.

Recorde-se que em março passado, o Ministério Público acusou Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras, e mais 22 arguidos do crime de peculato por terem sido recebidos da autarquia um total de cerca de 150 mil euros de reembolso por faturas de almoços e jantares que apresentaram aos serviços da Câmara de Oeiras.

https://observador.pt/2026/03/24/isaltino-morais-e-responsaveis-da-camara-de-oeiras-acusados-pelo-ministerio-publico-de-desviar-150-mil-euros-para-refeicoes-alcool-e-tabaco/

Em diversos casos, os titulares de cargos políticos, assessores e dirigentes da autarquia tinham direito a despesas de representação e subsídio de alimentação, previstos precisamente para cobrir esse tipo de despesa. No caso de Isaltino Morais, que recebe mais de 1.000 euros por mês em despesas de representação, estava em causa um total de 96.627,94 euros que foram pagos entre novembro de 2017 e dezembro de 2024.

Filipa Laborinho foi agora constituída arguida na Operação Imergente, tendo sido um dos cinco detidos durante as buscas desta quinta-feira. Laborinho foi detida devido à posse de arma proibida, mas acabou por ser libertada da parte da tarde.