O Infarmed recusou a pelo menos 12 mulheres em Portugal o acesso a um tratamento inovador para uma forma agressiva de cancro da mama, alegando a falta de um equilíbrio entre riscos e benefícios que as equipas clínicas contestam, noticia esta sexta-feira o semanário Expresso.
Em causa está o carcinoma metastático triplo negativo, PD-L1 negativo, a forma de cancro da mama mais agressiva à qual, até ao momento, as melhores terapêuticas não dão resposta.
Um tratamento inovador, chamado conjugado anticorpo-fármaco (ADC), está atualmente a ser desenvolvido e o laboratório por trás da inovação abriu um Programa de Acesso Médico Global de que Portugal faz parte — o que significa que pode ser administrado gratuitamente às doentes elegíveis.
Atualmente, este medicamento foi aprovado apenas nos Estados Unidos. Falta ainda a aprovação para circular no mercado europeu pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA), à qual, depois, se seguirá uma eventual autorização para ser comparticipado pelo SNS, recorda o Expresso. Ainda assim, enquanto nada disto acontece, o medicamento pode ser distribuído às doentes ao abrigo do programa gratuito do laboratório, desde que o Infarmed autorize.
Apesar de gratuito para o Estado, este medicamento, que poderia estender largamente o tempo de vida das doentes — que têm atualmente uma esperança de vida muito curta — foi recusado pelo Infarmed.
“Tomando em consideração a evidência disponibilizada, o Infarmed considerou que, de momento, não permite sugerir um balanço benefício/risco favorável para a utilização deste medicamento nesta indicação”, justificou o Infarmed ao Expresso.
Contudo, o mesmo jornal diz que as equipas clínicas que acompanham estas doentes têm insistido com o Infarmed para que o medicamento possa ser disponibilizado às mulheres e o investigador Luís Costa, do Instituto de Medicina Molecular da Gulbenkian, destaca que este medicamento inovador “aumenta de forma significativa o tempo de controlo da progressão da doença, a sobrevivência das doentes e a taxa de remissão (parcial ou completa) das metástases”.
Quanto às justificações do Infarmed, o investigador destaca que, embora haja “toxicidades” associadas a este medicamento, “no ensaio clínico não houve registo de mortes tóxicas e a severidade dos efeitos adversos foi muito semelhante à da quimioterapia clássica”.