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(A) :: Sánchez pede para ir ao Congresso falar sobre escândalos do PSOE depois de buscas na sede do partido

Sánchez pede para ir ao Congresso falar sobre escândalos do PSOE depois de buscas na sede do partido

Um dia após buscas policiais na sede do PSOE no âmbito do caso SEPI, o líder do Governo espanhol tomou a iniciativa — ERC, Podemos e BNG já tinham feito o mesmo pedido.

Joana Moreira
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O presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, pediu esta quinta-feira para comparecer no Congresso para falar sobre os escândalos que envolvem o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), reporta o El País. A notícia surge um dia depois de a polícia espanhola ter feito buscas na sede do PSOE, em Madrid, no âmbito do caso SEPI, que investiga um alegado esquema de corrupção. Também houve buscas nas casas dos antigos dirigentes do PSOE, Gaspar Zarrías e Santos Cerdán, bem como do empresário Pérez Dolset.

De acordo com a imprensa espanhola, Sánchez quer aproveitar o facto de ter de comparecer após o próximo Conselho Europeu, que se celebrará nos dias 18 e 19 de junho, para abordar também os escândalos judiciais que afetam o seu partido. Acontecerá sempre depois da declaração do ex-presidente do partido, José Luis Rodríguez Zapatero, marcada para 2 de junho, mas caberá ao Congresso decidir a data definitiva da comparência de Sánchez.

No pedido agora conhecido, o Governo propõe, “ao abrigo do disposto no artigo 203 do Regulamento da Câmara”, uma comparência “para informar sobre a situação política relacionada com as últimas investigações judiciais conhecidas, bem como sobre a última reunião do Conselho Europeu”.

Há um ano, quando rebentou o caso Cerdán, também em junho, a comparência de Sánchez aconteceu em meados de julho, e aí anunciou um pacote anticorrupção que, em parte, está bloqueado no Congresso devido à falta de apoios.

Entretanto, ERC, Podemos e BNG — três dos parceiros de esquerda do Governo — solicitaram igualmente a comparência do presidente para que dê “explicações sobre as novas informações relativas a investigações judiciais que afetam o principal partido do Governo”. Os três grupos informaram sobre a sua iniciativa conjunta praticamente ao mesmo tempo que o Palácio da Moncloa comunicava que Pedro Sánchez já a tinha solicitado por iniciativa própria.

https://observador.pt/especiais/temos-informacao-que-pode-ajudar-o-presidente-a-rede-de-difamacao-do-psoe-que-pode-por-em-causa-o-futuro-politico-de-pedro-sanchez/

Durante a manhã, os socialistas negaram ter “ordenado, protegido ou cooperado” na alegada trama de Cerdán e Díez para “desestabilizar” processos judiciais. O PSOE defendeu esta posição depois de, esta quarta-feira, o juiz Pedraz ter ordenado aos agentes da UCO (Unidade Central Operacional) da Guarda Civil que entrassem na sede federal do PSOE, em Ferraz.

O ministro dos Transportes e homem de confiança do presidente, Óscar Puente, denunciou nos corredores do Congresso que se está a tentar “derrubar o Governo não nas urnas, mas com outras artimanhas, com métodos não democráticos”, após as mais recentes decisões judiciais que afetam o Executivo e o PSOE.

Ao longo da manhã, vários representantes partidários pediram explicações e eleições antecipadas. Este movimento é, em todo o caso, como escreve o El País, uma demonstração do crescente desconforto dos aliados do Governo perante a avalanche de ações judiciais que atingem o PSOE. Os grupos mais à esquerda passaram de lançar acusações de lawfare devido à acusação formal contra o ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero a admitir que as suspeitas de corrupção possam não ser infundadas.