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"Ele é assim tão bom como nós achamos?": adjunto de Guardiola recorda relação entre Pep e Klopp

Treinou na formação do FC Porto e mais tarde ganhou a Champions no Liverpool. Agora, Lijnders revelou como chegou ao City e recorda a primeira vez que viu Bernardo Silva, um "competidor puro".

Manuel Conceição Carvalho
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Pepijn Lijnders viveu a experiência única de estar dos dois lados de uma relação de cavalheirismo que dominou a Premier League durante alguns anos. Após ter sido o braço direito de Jürgen Klopp no Liverpool e ser agora adjunto de Pep Guardiola no Manchester City, o treinador neerlandês recordou o processo que o levou até aos citizens. Quando Guardiola decidiu contratá-lo – por ter sido a sua “concorrência durante muitos anos” –, o técnico catalão fez questão de ligar a Klopp a pedir autorização, num gesto de cortesia. Mais recentemente, o telefone de Lijnders voltou a tocar. Do outro lado estava Jürgen Klopp, ainda hoje a questionar sobre a qualidade do treinador espanhol: “Ele é tão bom como nós achamos?”, perguntou o alemão.

Esta exigência ao mais alto nível contrasta com os primeiros passos da carreira de Lijnders em Portugal, onde trabalhou na formação do FC Porto, que, ainda assim, “jogava sempre para ganhar”, independetemente do escalão. O técnico recordou com humor o momento em que assinou uma renovação de contrato com os dragões, e recordou ‘regras’ claras: “Ficas na família, ganhas mais dinheiro e nunca podes trabalhar no Benfica“, afirmou na 4.ª Conferência Bola Branca da Rádio Renascença esta quinta-feira.

Foi precisamente nessa altura, no futebol português de formação, que Lijnders começou a cruzar-se com o talento que hoje orienta em Manchester. Lembra-se perfeitamente da primeira vez que viu Bernardo Silva e João Cancelo – foi em Vila do Conde, diante do Rio Ave, e o técnico era João Tralhão, atualmente treinador adjunto de José Mourinho.

Para o técnico de 43 anos, a receita para lidar com este talento é simples: “Os jovens precisam de modelos, não precisam de críticas”, apontando Bernardo e Rúben Dias como os exemplos, enquanto Diogo Jota (com quem trabalhou no Liverpool) foi “um daqueles imprevisíveis” que encaixava na perfeição na incerteza que os reds de Klopp causavam nas defesas adversárias. Já no balneário do City, o adjunto assume que gosta de gerir o grupo espicaçando o ego competitivo: “Gosto muito de mexer com o orgulho dos jogadores: tu perdes, out [estás fora]”.

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Essa mentalidade de sobrevivência é levada à letra no dia a dia do clube, onde os treinos se transformam num autêntico “Mundial antecipado” devido à quantidade de internacionais no plantel. Lijnders recorda um jogo de futevolei com seis campos alinhados, onde quem ganhava avançava e quem perdia recuava, numa sessão de treinos já depois da época ter terminado. No último campo estavam Bernardo Silva e Rúben Dias. “Já sabem como acabou”, atirou Pepijn.

Ao fim de seis jogos, os internacionais portugueses estavam no primeiro campo – o topo da pirâmide. “O Bernardo é um competidor puro. É sempre o primeiro a entrar no onze e o último a ser-lhe atribuída uma posição”, elogiando a polivalência do médio. Quanto a Rúben Dias, que ultrapassou recentemente uma paragem de cerca de dois meses por lesão, Lijnders assegura que o central está em condições para o Mundial de 2026, definindo-o sem hesitações: “É um dos maiores líderes que já vi na minha vida”.