(c) 2023 am|dev

(A) :: Portugal tem posição "relativamente robusta" no abastecimento energético, mas não está imune à subida dos preços

Portugal tem posição "relativamente robusta" no abastecimento energético, mas não está imune à subida dos preços

Secretário de Estado da Energia diz que abastecimento de Portugal é "relativamente robusto", mas o país não pode controlar os preços dos combustíveis.

Ana Suspiro
text

Portugal está numa posição relativamente robusta no que toca ao abastecimento de produtos energéticos, afirmou o secretário de Estado da Energia. Jean Barroca sublinha que o nosso país não depende do petróleo nem do gás que vem do estreito de Ormuz. Em 2025, o petróleo consumido a nível nacional veio do Brasil e Argélia. O gás natural veio dos EUA e da Nigéria.

Numa audição sobre a resposta à crise energética, Jean Barroca refere ainda a existência do sistema de reservas, a diversificação de fornecedores e infraestruturas e a capacidade de refinação, o “que nos dá autonomia na transformação do petróleo para enfrentar esta crise numa posição mais resiliente do que há uma década.”. No entanto, reconhece, “não estamos imunes. Quando o preço sobe, sobe para todos”, remetendo para o alerta da Agência Internacional de Energia de que esta é a maior disrupção de sempre nos mercados energéticos.

O secretário de Estado da Energia foi chamado pelo Chega para dar explicações urgentes sobre o impacto em Portugal da crise energética e da subida dos preços e sobre a estratégia de resposta. José Dotti questionou a “sucessão de anúncios e remendos” feitos pelo Governo considerando que medidas avulsas não são respostas estruturais.

Sem esclarecer se o Governo vai prolongar os apoios já atribuídos aos consumidores e às empresas, e que terminam no final de junho, Jean Barroca também não fechou a porta a mais medidas. E deixou claro que o país não tem poder para controlar os preços. “Muito mais rapidamente o preço reage a um tweet do presidente dos Estados Unidos” do que a medidas adotadas.

Sobre o risco de abastecimento ao nível do jet, Jean Barroca explica que a estratégia é diversificar os fornecedores. Admitindo que um fornecedor pode deixar de o fazer, mesmo com um contrato, lembra também que se houver escassez de combustível para a aviação será europeia. Mesmo que Portugal tenha jet, os aviões podem não voar para cá se houver uma crise sistémica.

O secretário de Estado da Energia procurou ainda descartar as acusações de falta de estratégia estrutural para as crises energéticas, destacando as medidas já implementadas e em implementação para tirar partido dos recursos do país e reduzir a dependência. Temos de “aproveitar o que é nosso. O vento, o sol e a água”. E dá como exemplo a eletricidade, cuja incorporação renovável foi de 80% no início do ano e cujos preços são dos mais baixos da Europa.

Ainda sobre respostas estruturais e o papel do nuclear na autonomia energética, Jean Barroca sinaliza que o Governo está à espera do estudo que vai avaliar todos os custos associados a cada tecnologia de produção de eletricidade para ajudar a responder a questões mais estruturais. Mas não deixa de responder que começar a discutir o nuclear não vai trazer soluções para esta crise.

O governante lembrou também que o Executivo decidiu “colocar em espera” a instalação de offshore eólico porque ainda não eram sustentáveis.”.