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Carneiro distancia PS de "Operação Imergente" e rejeita leituras políticas sobre as buscas

Líder socialista evita críticas à Justiça sobre o momento em que surgem buscas à sede nacional do partido. E tenta salvaguardar imagem do partido no exercício do poder público.

Rita Tavares
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Ao início da tarde, o líder do PS veio sublinhar o que já tinha feito saber pelo comunicado da manhã: as buscas da PJ, durante a manhã, à sede do partido não são sobre o PS, mas sobre um dos seus trabalhadores (que é o seu assessor mais direto). Mas a declaração teve dois objetivos claros: garantir que o PS defende a “legalidade” onde exerce o poder; travar qualquer eventual tentação de um lamento generalizado por investigações judiciais a envolverem o partido ou os seus elementos.

Durante a manhã, na Antena 1, o ex-coordenador autárquico do PS, André Rijo, lamentou que a “notícia apareça quando o partido está a recuperar alguma confiança”, abrindo a porta à ideia de um clima persecutório na Justiça em relação aos socialistas.

No entanto, nas declarações que fez aos jornalistas no Parlamento, o líder José Luís Carneiro procurou pôr um ponto final nessa tese, recusando a existência de qualquer intenção no timing destas buscas e afirmando que “as autoridades judiciárias devem desenvolver o seu trabalho no momento que considerem oportuno. O nosso dever é cooperar com as autoridades para garantir a legalidade e o cumprimento dos princípios fundamentais do Estado de Direito”.

Carneiro distanciou-se o mais possível do caso nesta fase. Disse ter “conhecimento escasso dos factos, da sua extensão e dos seus responsáveis”, não ter “falado com os visados” (sobre o seu assessor Duarte Moral e o socialista Miguel Coelho) e que só sabe o que “as autoridades transmitiram aos funcionários do partido”, quando chegaram à sede nacional. Repetiu mais do que uma vez que “as diligências não visam o PS.”

“Tudo farei para que o apuramento dos factos seja cabal e para garantir que se faça justiça”, declarou aos jornalistas, nos Passos Perdidos do Parlamento. Numa fase em que tem vindo a ganhar terreno nos estudos de opinião que têm sido publicados, o socialista procura manter o caso à distância e salvaguardar a imagem do partido, frequentemente associado a este tipo de investigações e que perdeu uma maioria absoluta na sequência de um processo judicial.

“Tudo farei para que a legalidade seja defendida e promovida em todos os níveis de responsabilidade do PS, seja a nível local ou nacional”, afirmou, garantindo que o partido está “ao lado das autoridades para assegurar o cumprimento da legalidade”.

https://observador.pt/2026/05/28/pj-faz-megaoperacao-em-lisboa-suspeitas-de-crimes-em-juntas-do-ps-leva-a-buscas-em-santa-maria-maior/