Ontem foi mais um dia muito mau para se acordar socialista.
Por toda a Península Ibérica, as autoridades decidiram deitar a mão a alguns militantes, fazendo buscas a sedes e câmaras municipais, entrando porta adentro com o mesmo estrondo com que a ASAE fiscaliza uma discoteca ilegal.
Em Espanha, a sede do partido de Pedro Sanchéz, o Churchill da Europa, como lhe chamava Ana Sá Lopes, foi um dos alvos: quem diria que um partido socialista com um líder que tem mais buracos morais (e legais) que um queijo Suíço, poderia estar envolvido nestas andanças? Foi com certeza a sua mulher, Begoña, que, por osmose conjugal, o arrastou para alguma das situações que a levam agora a tribunal: por detrás de um grande homem, e de uma grande investigação, está sempre uma grande mulher.
Deve ter sido também um dia difícil para se ser jornalista de esquerda, ou cronista do jornal Público: nestas notícias não é possível ocultar, por muito que se tente – como se fez, por exemplo, no caso de Paulo Abreu dos Santos (indiciado por crimes de pornografia e abuso sexual de menores) – que os visados são mesmo socialistas, e não apenas “ex-adjunto de Ministra”.
Cá por estes lados, a sede do Rato também esteve a saque: um dos detidos é antigo assessor de António Costa e gestor de comunicação de Carneiro. Será que também encontraram algumas caixas de vinho no seu gabinete?
Enfim, temos de ser politicamente correctos e deixar “À política o que é da política, à Justiça o que é da Justiça“: mas parece, pelo menos, haver uma tendência grande para, alegadamente, encontrar tentáculos do cefalópode socialista em grandes esquemas de prevaricação.
Como diria António Costa, experiente nestas andanças, ontem foi ontem, hoje é um novo dia, olhe para o céu, está tão bonito, adeus.