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(A) :: A "bairrice" partidária como inimiga do desenvolvimento

A "bairrice" partidária como inimiga do desenvolvimento

O desenvolvimento das nove ilhas dos Açores exige seriedade e foco na eficiência. É tempo de substituir as trincheiras partidárias pela modernização real da economia e pela atração de valor.

Venício da Costa Ponte
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O liberalismo político e económico assenta, fundamentalmente, na premissa da responsabilidade institucional. Governar não é um exercício de sobrevivência partidária, nem uma constante guerrilha por espaços de influência mediática; é, sim, a gestão diligente e previsível dos recursos dos contribuintes. No entanto, o cenário a que temos assistido recentemente na Região Autónoma dos Açores revela uma inversão preocupante destas prioridades, onde a estabilidade parece ser tratada como um mero detalhe tático.

É incompreensível que, em pleno exercício de funções, forças políticas que integram o próprio executivo regional promovam, ou permitam que se alimentem, dinâmicas de fricção interna e o fomento de um bairrismo artificial. Quando agendas partidárias ou conflitos estéreis de protagonismo sobrepõem-se à solidez governativa, falha-se no dever mais elementar de um gestor público. A utilização da máquina política para alimentar pequenas polémicas de secretaria é um sintoma de imaturidade que o arquipélago, na atual conjuntura, simplesmente não se pode dar ao luxo de sustentar.

Enquanto estas escaramuças de bastidores se desenrolam, o custo real para os Açores não se mede apenas nos milhões de euros que uma eventual e fútil eleição antecipada custaria aos cofres públicos. O verdadeiro prejuízo, muito mais gravoso e silencioso, reside no custo de oportunidade.

Para quem empreende, cria valor ou tenta fixar projetos de inovação tecnológica no arquipélago, a incerteza política funciona como um autêntico veneno económico. A instabilidade traduz-se em dois bloqueios imediatos:

A Paralisia na Execução: O espartilho de potenciais crises e a ameaça de regimes duodecimais travam investimentos, atrasam licenciamentos vitais e paralisam a execução de fundos europeus estruturais, incluindo o PRR, cujo calendário não se compadece com calendários partidários.

O Afastamento de Investimento: O capital privado, e venha ele de onde vier, procura previsibilidade e clareza. Ao projetarem um ambiente de conflito constante, os partidos enviam uma mensagem de desconfiança aos parceiros externos, minando a competitividade e a reputação da Região.

A mensagem que transparece para a sociedade civil é a de uma clara dissociação entre as dores de crescimento dos partidos e as reais necessidades dos açorianos. Quando a manutenção de equilíbrios internos de poder é colocada à frente da continuidade e da eficácia das políticas públicas, as instituições públicas arriscam se transformar num entrave burocrático ao serviço de interesses particulares.

Os Açores não podem continuar reféns de estratégias de curto prazo ou de narrativas de sobrevivência. O eleitor, enquanto cidadão e pagador de impostos, tem o direito e o dever de exigir que os partidos que compõem o arco governativo, em especial aqueles com acrescida responsabilidade na hierarquia executiva, demonstrem um sentido de Estado à altura dos desafios que enfrentamos.

O desenvolvimento das nossas nove ilhas exige seriedade e foco na eficiência. É tempo de substituir as trincheiras partidárias pela modernização real da economia e pela atração de valor. Tudo o resto é apenas “bairrismo” de fachada, pago, infelizmente, com o erário público e com o atraso no futuro de todos nós.