Várias famílias da região Oeste continuam a morar em casas de familiares ou municipais à espera de soluções, quatro meses depois de as suas habitações terem ficado danificadas pelo mau tempo.
No Lapão, a zona mais afetada do concelho de Arruda dos Vinhos, a casa da família de Dina Silva “continua a ceder e está cada vez pior”.
A peritagem do seguro concluiu que “não há obras possíveis”, pelo que a família aguarda a conclusão do processo para ser indemnizada pela seguradora, disse a proprietária à agência Lusa.
Não me vão dar o valor de mercado da casa, mas o custo que tive, o que dá para pagar o que ainda devo ao banco e não dá para construir uma outra casa“, explicou.
A família continua a morar em casa de familiares. Como não fez obras de reparação dos danos, não pôde recorrer aos apoios públicos.
No concelho, já foram pagos 400 mil euros pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo a particulares que se candidataram aos apoios, disse o presidente da câmara, Carlos Alves, na última reunião do executivo municipal.
Vários moradores do Lapão estiveram presentes na primeira reunião deste mês da câmara municipal para saber o ponto de situação das obras nas habitações e nas estradas de acesso, que se mantêm cortadas.
O autarca esclareceu que o Laboratório Nacional de Engenharia fez avaliações técnicas às habitações, remetendo o caso para os seguros.
Em relação aos acessos, disse que a prioridade deste mandado é “reconstruir” o concelho, tendo para o efeito já contraído um empréstimo de 3,8 milhões de euros para reparar, sobretudo, estradas.
Questionada pela agência Lusa, a Câmara Municipal de Alenquer respondeu ter “conhecimento da existência de casos de munícipes afetados pelos danos provocados nas suas habitações, na sequência das intempéries de janeiro e fevereiro de 2026, que permanecem em coabitação com familiares”, sem precisar o número.
Naquele concelho foram submetidas 118 candidaturas de apoio à reabilitação de habitação própria permanente, tendo sido pagos 113 mil euros.
No Sobral de Monte Agraço, as famílias afetadas mantêm-se em casa de familiares, indicou a Câmara Municipal à agência Lusa, acrescentando que foram apresentadas 50 candidaturas de particulares a apoios públicos, tendo sido aprovadas 31 e pagos cerca de 207 mil euros.
Em Torres Vedras, na Encosta do Castelo, no centro histórico da cidade, quatro famílias continuam desalojadas das suas casas.
O município já decidiu adquiri-las por 536 mil euros com vista à sua “expropriação urgentíssima” e “imediata posse administrativa”, para que deixem de ter uso permanente devido à instabilidade existente.
A autarquia está a encontrar alternativas de habitação para as famílias, tendo “uma casa pronta” para uma.
Os proprietários que têm seguro estão também a ver as várias possibilidades junto das seguradoras, disse o vice-presidente da câmara, Diogo Guia, na reunião pública de terça-feira.
Segundo o autarca, “as sondagens geotécnicas na Encosta do Castelo terminaram em abril, houve uma estabilização da encosta e a água parou de emergir“, estando a ser criadas condições para iniciar obras de estabilização.
O município está também a ponderar reabrir a Rua da Sociedade Columbófila, interdita desde fevereiro devido a deslizamentos de terras, o que motivou o encerramento até esta quinta-feira da sala de espetáculos Bang Venue.
No Cadaval, seis pessoas continuam desalojadas e a morar, de forma temporária, em habitações municipais ou de familiares, informou à Lusa o município.
Foram apresentadas 73 candidaturas, tendo sido validados 196 mil euros para pagamento.
Na Lourinhã, devido ao abatimento da estrada nacional 8-2, vários moradores do Casal Lourim continuam fora de casa e realojados junto de familiares.
Até final de abril, tinham sido apresentadas 80 candidaturas de particulares a apoios, mas só sete foram deferidas, tendo sido pago até essa altura cerca de 22 mil euros, disse o presidente da câmara, Orlando Carvalho, na última assembleia municipal.
Peniche e Bombarral não registam desalojados, mas danos em habitações.
Foram apresentadas 52 candidaturas a apoios públicos e pagos 47 mil euros, em Peniche, enquanto o Bombarral recebeu 48 candidaturas, no valor de 313 mil euros, e pagou cerca de 14 mil euros até agora.