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Guatemala vai atacar narcotraficantes em operação conjunta com EUA

O Presidente guatemalteco "concordou com ataques aéreos e outras ações militares" em conversa com o secretário da Defesa dos EUA, noticia o New York Times. As operações deverão começar no próximo mês.

Agência Lusa
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A Guatemala vai fazer ataques conjuntos com os Estados Unidos no seu território contra narcotraficantes, publicou esta quinta-feira o jornal The New York Times, quando Washington conduz uma campanha polémica contra os cartéis na região.

O Presidente guatemalteco, Bernardo Arévalo, “concordou com ataques aéreos e outras ações militares durante uma chamada com o secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth”, referiu o jornal norte-americano, citando fontes próximas das conversações.

As operações deverão arrancar já no próximo mês. A Guatemala solicitou a cooperação bilateral numa carta enviada ao secretário da Defesa norte-americano, confirmou o gabinete do Presidente ao New York Times.

Há vários meses que Washington tem vindo a realizar uma campanha de ataques aéreos no Pacífico e nas Caraíbas contra navios alegadamente envolvidos em atividades de tráfico de droga que abastecem os Estados Unidos.

Dois homens foram mortos na quarta-feira, anunciou o Exército norte-americano, elevando o número total de mortos para pelo menos 195, segundo um levantamento realizado pela agência de notícias AFP.

Entretanto, a Administração do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nunca apresentou provas concretas para demonstrar que os navios visados estavam de facto envolvidos com o tráfico de droga. Os especialistas, assim como as Nações Unidas, denunciam estes atos como execuções extrajudiciais.

Em março, Donald Trump, em plena guerra com o Irão, lançou oficialmente uma “coligação militar” para erradicar os cartéis, com cerca de vinte aliados latino-americanos.

O Equador já lançou um plano de duas semanas para combater o narcotráfico, apoiado pelos Estados Unidos.

O Tribunal Nacional de Justiça do Equador aprovou, há dez dias, a extradição para os Estados Unidos de um membro do cartel “Los Choneros”, cujo principal líder já se encontra preso numa penitenciária de Nova Iorque. Aproximadamente 70% da cocaína que transita pelo Equador tem origem nos seus vizinhos, a Colômbia e o Peru, os maiores produtores mundiais.

Segundo fontes do New York Times, as Honduras podem ser o próximo país do continente a ser considerado para cooperação bilateral sobre o tema.

Washington pretende também pressionar o México a cooperar, quando aumenta as tensões na fronteira entre os dois países. O Governo dos EUA acusa o cartel de Sinaloa, em particular, de traficar fentanil para os Estados Unidos, onde esta droga sintética causou dezenas de milhares de mortes por ‘overdose’ nos últimos anos.