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Irão. Grupo de coordenação do petróleo na UE admite pressão nas próximas semanas

"Se a situação não melhorar nas próximas semanas, se o Estreito não reabrir, espera-se que os mercados fiquem cada vez mais pressionados", indica a Direção-Geral da Energia do executivo comunitário.

Agência Lusa
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O Grupo de Coordenação do Petróleo na União Europeia (UE), órgão consultivo da Comissão Europeia para segurança do abastecimento petrolífero, admitiu esta quinta-feira pressão nas próximas semanas se o Estreito de Ormuz não reabrir, sobretudo sobre combustível de aviação.

“Se a situação não melhorar nas próximas semanas, espera-se que os mercados se tornem cada vez mais pressionados, especialmente no caso do combustível de aviação”, indica a Direção-Geral da Energia do executivo comunitário em comunicado esta quinta-feira divulgado.

Numa reunião realizada na quarta-feira, e anunciada esta quinta-feira, “o Grupo de Coordenação do Petróleo indicou que o encerramento do Estreito de Ormuz afeta tanto o petróleo bruto como todos os principais produtos petrolíferos, e que todos os países da UE são impactados por esta situação”.

“Até agora, a UE tem sentido efeitos ao nível dos preços, sem interrupções físicas no abastecimento aos consumidores”, assinala ainda o executivo comunitário.

O Grupo de Coordenação do Petróleo é um órgão consultivo da Comissão Europeia que reúne representantes dos Estados-membros da UE, responsáveis nacionais pela segurança do abastecimento petrolífero e o próprio executivo comunitário, servindo para acompanhar os mercados de petróleo, avaliar riscos de abastecimento e coordenar respostas.

Também esta semana, na terça-feira, reuniu-se o Grupo de Coordenação do Gás, tendo em conta as tensões contínuas no Médio Oriente.

“As trocas de informações ocorreram num contexto de crescente incerteza e volatilidade dos preços, com amplas implicações económicas. Apesar das difíceis condições de mercado, o Grupo de Coordenação do Gás confirmou que, atualmente, não existe preocupação imediata quanto à segurança do abastecimento de gás na UE para a próxima época de inverno”, aponta a Comissão Europeia.

De acordo com Bruxelas, o grupo observou que os níveis de armazenamento de gás da UE poderão atingir 80% até ao final do verão, o que garantiria o abastecimento de gás para o próximo inverno, de 2026/27.

Até ao momento, os Estados-membros não planearam quaisquer intervenções adicionais no mercado, é referido.

O Grupo de Coordenação do Gás é outro órgão consultivo da Comissão Europeia para monitorizar a situação do mercado, avaliar riscos para a segurança do abastecimento e coordenar possíveis medidas de resposta em caso de crise energética.

Em ambos os casos, “a Comissão e os Estados-membros sublinharam a importância de continuar a coordenação e a preparação perante a evolução da situação dos mercados”, adianta Bruxelas.

Numa altura em que se assinalam três meses desde os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão e da consequente resposta iraniana, já se assiste a consequências para a aviação como aumento de custos, impacto nas operações devido à subida dos preços da energia, perturbações nas rotas e riscos acrescidos para a logística global.

As leis da UE obrigam os Estados-membros a manterem reservas estratégicas para 90 dias de petróleo, sendo que cabe aos Estados-membros decidir que parte corresponde a petróleo bruto e que parte corresponde a produtos refinados, incluindo querosene e combustível para a aviação.

Isto equivale a, pelo menos, 90 dias de importações líquidas de petróleo (ou 61 dias de consumo interno, consoante o valor mais elevado), visando responder a eventuais crises de abastecimento.

Quanto ao gás, os países da UE devem garantir que os armazenamentos de gás estejam cerca de 90% cheios antes do inverno (normalmente até 1 de novembro), embora existam algumas flexibilidades e metas intermédias.

A UE importa a maior parte do petróleo que consome, o que a torna altamente exposta a choques externos como a atual crise energética relacionada com o conflito que envolve Irão, Estados Unidos e Israel.