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(A) :: IL diz que não é novidade ver PS e PSD envolvidos em situações de ilegalidade no poder local

IL diz que não é novidade ver PS e PSD envolvidos em situações de ilegalidade no poder local

Para a líder dos liberais, os dois maiores partidos que vão disputando o poder acabam por ter um certo sentimento de impunidade. Rui Tavares alerta para necessidade de “integridade e transparência”.

Agência Lusa
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A presidente da IL mostrou-se esta quinta-feira surpreendida com a operação da PJ em várias freguesias de Lisboa, mas considerou que “não é novidade” que PS e PSD estejam envolvidos em situações de opacidade e ilegalidade no poder local.

Mariana Leitão falava aos jornalistas à margem da 4.ª Conferência Bola Branca, em Lisboa, após ser questionada sobre as buscas que a Polícia Judiciária (PJ) está a realizar esta manhã em várias freguesias de Lisboa, envolvendo inspetores da Unidade Nacional de Combate à Corrupção. A líder da IL afirmou que está surpreendida e que “não fazia ideia que isto se estava a passar nestes moldes”, esperando que “a justiça faça o seu trabalho”, e deixou críticas ao PSD e ao PS.

“Há uma coisa que eu constato com esta nova operação, é que infelizmente não é novidade que os dois partidos que vão disputando o poder entre eles no nosso país estão sempre envolvidos num conjunto de situações de grande opacidade, até mesmo algumas de ilegalidades, no exercício do poder político”, atirou. Mariana Leitão pediu que, através de casos como este, os cargos públicos passem a ser exercidos “com muito mais seriedade e com muito mais respeito pelo dinheiro dos contribuintes”.

Para a líder dos liberais, “é óbvio que os dois maiores partidos que vão disputando o poder têm tanta envolvência, alastram-se pelos organismos todos, que têm um certo sentimento de impunidade“. “É importante que essas operações decorram, é importante que este sentimento de impunidade acabe de uma vez por todas e que as pessoas se foquem naquilo que interessa, que é servir o cargo que ocupam”, frisou.

Fonte da Unidade Nacional de Combate à Corrupção confirmou à Lusa a notícia avançada esta quinta-feira de manhã pela CNN Portugal de que a PJ “desencadeou uma das maiores operações do ano na área do combate à corrupção, com mais de 300 inspetores mobilizados para uma investigação centrada num alegado esquema de favorecimento associado ao poder autárquico do PS em Lisboa”. A operação, segundo a CNN, “envolve buscas, recolha de documentação e prevê detenções relacionadas com suspeitas de crimes de prevaricação, tráfico de influência e recebimento indevido de vantagem”.

Tavares alerta para necessidade de “integridade e transparência” de quem quer governar

O porta-voz do Livre alertou esta quinta-feira que os políticos do “campo progressista” que pretendem substituir a atual governação têm que ser “absolutamente límpidos” contra os “inimigos da democracia”, numa reação às buscas da PJ que envolvem autarquias socialistas.

“Não tenho grandes dúvidas que as coisas serão tratadas com a devida seriedade, que é isso que as pessoas estão à espera de quem pretende substituir o atual ciclo conservador na política portuguesa por um ciclo progressista que tem que ter critérios, que são critérios elevados em termos de integridade e transparência”, alertou Rui Tavares.

Tavares falava à Lusa à margem de uma ação no centro de Lisboa, questionado sobre as buscas realizadas esta quinta-feira pela Polícia Judiciária em Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra, mas também na sede nacional do PS, no Largo do Rato.

O líder do Livre alertou que este tipo de casos “aproveitam, muitas vezes, aos inimigos da democracia”, ainda que “a moral para fazer essas críticas seja pouca”, afirmando que o líder do Chega, André Ventura, “está por todo o lado no caso Tutti Frutti” — iniciado em 2018 e que investiga a alegada troca de favores entre militantes do PS e PSD na capital.

“Isso é um problema. O outro problema é dos líderes democráticos. Num momento em que queremos que o ciclo que nós temos na política atual, que é um ciclo conservador, venha a ser substituído por um ciclo progressista, é muito importante que os líderes do campo progressista sejam absolutamente límpidos em relação a qualquer questão que tenha a ver com suspeitas de gerir, no caso, autarquias, sem ter em conta o superior interesse, que é o interesse público das coisas serem feitas de forma transparente”, avisou.

Interrogado sobre o facto de o Livre se ter coligado em diversas autarquias com o PS nas últimas autárquicas, nomeadamente na capital do país, Tavares lembrou que essa coligação foi liderada por Alexandra Leitão na qual disse confiar para tratar “de uma forma muito rápida e, se necessário, implacável” qualquer suspeita.

O porta-voz do Livre disse ainda esperar a mesma atuação da liderança nacional do PS, insistindo no aviso de que quem quer substituir o atual ciclo governativo à direita tem que ser transparente.

“Evidentemente, pode sempre haver motivos de esclarecimento, pode haver investigações que decorrem, que revelam o que tiverem a revelar e nós temos que esperar que aquelas cheguem ao seu termo, mas é importante, desde logo, ter a noção da relevância que o povo atribui a estas coisas e da importância que têm os partidos distanciarem-se imediatamente e tratarem as coisas, se necessário, de uma forma implacável”, sublinhou.

O PS confirmou esta quinta-feira que a Polícia Judiciária está a realizar buscas na sede nacional, em Lisboa, afirmando que as diligências estão relacionadas com um dos seus trabalhadores e não com o partido. Segundo a CNN Portugal, um dos detidos será Duarte Moral, assessor de imprensa do PS.

De acordo com o mesmo canal televisivo, a operação da PJ está centrada num “alegado esquema de favorecimento associado ao poder autárquico do PS em Lisboa” e tem como epicentro a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, em Lisboa, anteriormente liderada pelo socialista Miguel Coelho, um dos visados nas diligências em curso.

“Em causa estarão alegados favorecimentos na contratação de militantes socialistas e na adjudicação direta de serviços a empresas ligadas ao partido, num montante que terá ultrapassado os 800 mil euros entre 2016 e 2022”, noticiou a CNN.