O irmão de Pedro Sánchez, presidente do Governo de Espanha, começa esta quinta-feira a ser julgado por alegados crimes de tráfico de influências e prevaricação. Em causa está a contratação, em 2017, de David Sánchez como responsável cultural (diretor de Artes Cénicas) do governo provincial de Badajoz, liderado à data pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).
Segundo a juíza de instrução, o cargo terá sido criado de propósito para David Sánchez, o que indica favorecimento na sua contratação. A julgamento vão ainda mais dez arguidos, incluindo Miguel Gallardo, o líder do PSOE na região da Estremadura. Estes crimes podem ser punidos com até três anos de prisão.
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A investigação teve início em abril de 2024, quando uma denúncia revelou, também, que o irmão de Pedro Sánchez não cumpria as funções que lhe foram atribuídas, não se deslocava ao trabalho e tinha como morada fiscal um palacete comprado em Elvas, em Portugal, onde fixou residência, para pagar menos impostos. As acusações foram, na altura, desvalorizadas pelo Governo espanhol, com o primeiro-ministro a falar em “campanhas de difamação” da direita e extrema-direita.
De acordo com o El País, David Sánchez esperava que o processo fosse arquivado, como o Ministério Público pedira, mas a juíza de instrução Beatriz Biedma decidiu levá-lo a julgamento. Dos factos investigados, “há indícios claros de criminalidade“, afirmou no despacho a magistrada de Córdoba, reiterando que “em momento algum se justificou a necessidade de o cargo ser um cargo de direção superior ou de ser um gestor cultural, como alguns dos arguidos tentaram explicar nas suas declarações”. O lugar foi criado para o irmão de Pedro Sánchez “a pedido, com certeza, de pessoa ou pessoas” próximas, que sabiam que naquele momento não tinha “trabalho estável”, sublinhou, ainda.
O julgamento tem início um dia depois da realização das buscas na sede nacional do PSOE, em Madrid, para recolher documentos relacionados com o caso SEPI, um suposto esquema de corrupção no qual, entre outros, está implicada a ex-membro do partido e funcionária pública Leire Díez. O presidente do Governo, Pedro Sánchez, prometeu cooperação com a justiça, lembrando que Leire Díez já foi expulsa do PSOE e reiterando o “compromisso” do PSOE para agir com firmeza perante novas irregularidades.
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Já na semana passada, o antigo presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, foi indiciado por vários crimes, como organização criminosa, tráfico de influências, falsificação de documentos e branqueamento de capitais. Sobre este caso, Pedro Sánchez reiterou o seu apoio ao ex-líder socialista. “Não há motivos para mudar a minha posição”, referiu, quando questionado pelos jornalistas, um dia depois de se ter ficado a saber que Zapatero tinha num cofre, no seu gabinete, joias avaliadas entre os 30 e os 50 mil euros.
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Apesar das polémicas que o partido enfrenta, os socialistas mantêm-se por agora firmes e Sánchez não tenciona pedir a demissão. “Este Governo faz da estabilidade a ferramenta fundamental para conseguir, em oito anos, a quantidade de marcos que estão a fazer avançar o nosso país”, declarou a porta-voz do Executivo, Elma Saiz. “O Governo vai continuar a lutar”, reforçou o ministro da Transformação Digital, Óscar López.