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(A) :: Papa experimenta o polémico primeiro Ferrari elétrico

Papa experimenta o polémico primeiro Ferrari elétrico

O primeiro carro totalmente elétrico da Ferrari ainda não entrou no mercado, mas o Papa Leão XIV já esteve ao seu volante. Com um valor de 550 mil euros, o modelo Luce só estará disponível em outubro.

Mariana Carrilho
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A residência de Castel Gandolfo foi palco de um encontro entre executivos da Ferrari e o Papa, na manhã de terça-feira. O destaque central da reunião foi Luce, um modelo pioneiro, comunicou a empresa na sua página oficial.

Durante a visita do presidente da Ferrari, John Elkann, o Leão XIV foi informado das características do primeiro carro totalmente elétrico da marca que tem cinco lugares, para atrair mais famílias. Com um preço a rondar os 550 mil euros, as primeiras entregas do automóvel estão previstas para outubro de 2026.

https://twitter.com/Reuters/status/2059828332997526013

Sentado ao volante do carro, o Papa ouviu as indicações do piloto Raffaele De Simone sobre os comandos do modelo. “Ao interruptor vermelho chamamos-lhe ‘manettino’, porque vem da experiência da Fórmula 1, onde o piloto pode alterar as definições”, explicou De Simone.

John Elkann ofereceu ao Papa um volante do automóvel, referindo que foi uma honra encontrar-se com “Sua Santidade”. “Este foi um momento de extraordinário valor humano e simbólico, que inspira todas as pessoas da nossa empresa a continuarem o seu percurso com paixão, responsabilidade e confiança no futuro. Uma ocasião que ficará para sempre nas nossas memórias”, disse em comunicado de imprensa.

https://observador.pt/2026/02/10/ferrari-mostra-interior-do-luce-o-seu-modelo-electrico-com-mais-de-1000-cv/

No entanto, o simbolismo do encontro não foi suficiente para travar a onda de críticas que se tem espalhado nas redes sociais. A rejeição ao Luce centra-se no que muitos consideram ser a “morte da alma” da Ferrari. Para os puristas, a transição para o motor silencioso e a configuração de cinco lugares desvirtuam o propósito histórico da marca. A maior parte do descontentamento foca-se na parceria com Jony Ive; os críticos acusam o antigo designer da Apple de ter transformado um ícone da engenharia italiana num “gadget sobre rodas”, com um design excessivamente limpo e minimalista que carece da agressividade e da paixão visceral que definem o Cavallino Rampante.

Tecnicamente, a polémica estende-se ao sistema sonoro patenteado. Em vez de imitar o motor V12, a Ferrari criou uma assinatura sonora que amplifica os componentes eletrónicos, algo que foi apelidado pejorativamente nas redes sociais como “aspirador de luxo”. Este sentimento de alienação dos clientes tradicionais reflete-se na convicção de que o Luce é um produto feito para o marketing e não para a condução, sacrificando a exclusividade mecânica em prol de uma sustentabilidade que muitos colecionadores ainda veem com ceticismo.

Esta resistência emocional teve eco imediato nos mercados financeiros. Como noticiou a BBC, as ações da Ferrari caíram mais de 8% na bolsa de Milão logo na terça-feira, e mais de 5% em Nova Iorque. Analistas sugerem que o elevado preço de venda, num mercado elétrico cada vez mais competitivo, gera ceticismo entre os investidores quanto à viabilidade comercial do projeto, colocando em causa se a exclusividade do “Cavallino Rampante” será suficiente para sustentar esta nova era da construtora de Maranello.

Texto editado por Dulce Neto