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O Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou esta quarta-feira que ainda não está satisfeito com o resultado das negociações com o Irão e voltou a colocar a hipótese de retomar a ofensiva militar para “terminar o trabalho”.
“O Irão está muito interessado em fechar um acordo. Ainda não chegámos lá. Não estamos satisfeitos com ele, mas vamos ficar, ou teremos de terminar o trabalho”, afirmou durante uma reunião com a sua administração na Casa Branca.
Trump afastou a possibilidade de um acordo que permita à República Islâmica exercer qualquer controlo sobre o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, que as forças iranianas mantêm sob ameaça militar, levando a que os preços de petróleo tivessem disparado nos últimos meses.
As declarações do chefe de Estado surgiram horas depois de a imprensa iraniana ter avançado alegados detalhes do memorando de entendimento, que davam conta de uma gestão partilhada entre Irão e Omã do corredor marítimo. “São águas internacionais e Omã comportar-se-á como qualquer outro país. Vamos monitorizá-las. Vamos monitorizá-las, mas ninguém as vai controlar“, frisou o líder norte-americano.
https://observador.pt/2026/05/27/imprensa-iraniana-avanca-detalhes-de-memorando-de-entendimento-casa-branca-diz-que-e-pura-ficcao/
O líder norte-americano acrescentou que não tem pressa em chegar a um entendimento antes das eleições intercalares em novembro, nas quais estará em causa a maioria republicana no Congresso. “Não me importo com as eleições intercalares. Vejam o que aconteceu ontem à noite”, declarou, referindo-se às primárias republicanas de terça-feira no Texas, nas quais venceu um candidato apoiado pelo dirigente republicano.
Trump recusa descongelamento de ativos e transferência de urânio para Pequim ou Moscovo
Para além dos debates sobre o Estreito de Ormuz, as negociações da última semana têm sido marcadas também pela questão nuclear. Sobre este tema, Trump reiterou a oposição à possibilidade de países como a Rússia ou a China assumirem o controlo dos ‘stocks’ de urânio enriquecido do Irão, um mecanismo já previsto no acordo nuclear de 2015 com Teerão.
“Não, não me sentiria confortável com isso”, respondeu o líder da Casa Branca quando questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de Moscovo e Pequim guardarem o material radioativo com o qual o Irão poderia potencialmente fabricar uma arma nuclear — uma oferta que os dois países já colocaram em cima da mesa. Trump defendeu em diversas ocasiões que um futuro acordo nuclear com o Irão deverá incluir a transferência dos ‘stocks’ de urânio para os Estados Unidos, rejeitando o envolvimento de países terceiros.
Igualmente recusada foi a possibilidade de aliviar sanções ou descongelar ativos iranianos, em troca das exigências norte-americanas relativas ao Estreito de Ormuz e ao urânio enriquecido. “Não, não estamos a falar de alívio de sanções nem de dar dinheiro. Nem sanções, nem dinheiro, nada“, afirmou Trump, reforçando as suas ameaças a Teerão.
“Estamos muito bem. Acho que estão a começar a dar-nos o que precisam de nos dar. Se o fizerem, ótimo. E se não o fizerem, então o homem à minha esquerda [o secretário da Defesa, Pete Hegseth] vai acabar com eles”, avisou.
Washington insiste em nova exigência: a ampliação dos Acordos de Abraão
Para além das exigências que têm vindo a marcar os últimos três meses de guerra, Donald Trump insistiu ainda numa nova condição, que colocou pela primeira vez na passada segunda-feira, numa publicação nas redes sociais: a adesão de vários países do Médio Oriente aos Acordos de Abraão, de normalização da relação dos Estados árabes e muçulmanos com Israel.
“Não tenho a certeza se devemos fechar o acordo se eles não aderirem aos Acordos de Abraão”, declarou Trump durante a reunião. “Gostaríamos que aderissem aos Acordos de Abraão. Seria histórico se o fizessem e, francamente, acho que nos devem isso. Acho que seria um sinal tremendo e acho que estes países nos devem isso”, insistiu, referindo-se à Arábia Saudita, Bahrein, Qatar, Egito, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Paquistão e Turquia, com quem manteve diálogos durante o passado sábado.
Os Acordos de Abraão foram promovidos durante o primeiro mandato de Trump (2017-2021) e permitiram a Israel estabelecer relações diplomáticas com os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein, o Sudão e Marrocos. A inclusão da Arábia Saudita, duas potências regionais aliadas de Washington, mas com rivalidades mútuas, tem sido discutida desde o regresso de Trump à Casa Branca e representaria uma grande mudança geopolítica do Médio Oriente. Contudo, Riade afirma que só o fará quando houver um caminho viável para o estabelecimento do Estado Palestiniano.