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(A) :: Fact Check. Homem retido em cruzeiro com surto de hantavírus é o mesmo que apareceu na BBC durante a Covid-19?

Fact Check. Homem retido em cruzeiro com surto de hantavírus é o mesmo que apareceu na BBC durante a Covid-19?

"Vergonha planetária". É assim que se descreve nas redes sociais o comportamento de um alegado ator pago que tem vindo a "atuar" tanto a descrever os efeitos do hantavírus como da Covid-19. É real?

Marina Ferreira
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A frase

Homem retido num cruzeiro com surto de hantavírus é o mesmo actor pago que já ‘atuou’ no tempo da Covid

— Utilizador do Facebook, 15 de maio de 2026

“Já está mais que provado que este senhor é ator pago e já atuou no tempo da Covid”. A garantia é deixada numa publicação no Facebook, datada de 15 de maio, em que é partilhado um vídeo da BBC que o utilizador apelida de uma “vergonha planetária”.

Noutra publicação, com a mesma data, alega-se que os meios de comunicação social “devem estar sem atores e um pouco desesperados se, para o papel de ator da crise a bordo do navio MV Hondius usaram o blogueiro chorão Jake Rosmarin”.

Ou seja, de forma elucidativa garante-se que este primeiro homem e outro, que surge numa fotografia deitado numa cama de hospital, são a mesma pessoa. Nos dois casos o homem estaria a representar em cenários pandémicos.

O protagonista dos vídeos gravados a bordo do MV Hondius é Jake Rosmarin, um influenciador de viagens norte-americano que partilhou vídeos no TikTok. Descrevia o dia-a-dia a cumprir quarentena dentro da embarcação, o que comiam os passageiros e como estavam a lidar com a cobertura do surto. “O que está a acontecer é muito real para todos nós aqui. Não somos apenas uma história. Não somos apenas manchetes, somos pessoas com famílias, com vidas, com pessoas à nossa espera em casa”, afirmou num vídeo que acabou por ficar viral em todo o mundo.

Na sua página de TikTok, o homem continuou a partilhar vídeos sobre a quarentena a que está sujeito, agora num centro de isolamento no Nebraska, que o Governo norte-americano cedeu desde que os passageiros que residiam nos EUA foram repatriados.

Mas passemos para o segundo homem, que nas redes sociais tem sido apresentado como a mesma pessoa que Rosmarin — um suposto ator pago — mas que em 2022 dava pelo nome de Henry Dyne.

Tal como descreveu à BBC em janeiro de 2022, Dyne, que pode ter algumas semelhanças físicas com este, mas não é Jake Rosmarin, foi alvo de uma campanha de ódio por parte de negacionistas da Covid-19 e anti-vacinas. Isto por ter surgido numa reportagem televisiva do canal britânico numa cama de hospital devido a uma infeção por coronavírus.

Recebeu centenas de mensagens em que era ameaçado e insultado, acusado já nessa altura de ser um ator e de promover uma alegada falsa pandemia. A linha de argumentação de que vários “atores de crise” foram contratados durante o surto de Covid-19 foi sendo repetida por anos a fio.

Tal como provou a BBC, Dyne não estava a representar. Não estava vacinado e acabou por desenvolver doença grave e teve de ser internado, acabando por recuperar alguns dias depois.

Por outro lado, em relação à propagação mais recente de desinformação, Jake Rosmarin afirmou à publicação Daily Beast que os comentários de ódio que tem recebido nos vídeos que publica nas redes sociais não se baseiam em factos. “As pessoas estão a reagir apenas por reagir”, desvalorizou ainda.

Conclusão

Em suma, é falsa a associação que tem sido feita nas redes sociais entre um homem que protagonizou notícias e reportagens no recente surto de hantavírus num cruzeiro de exploração de vida selvagem e outro que foi gravado numa cama de hospital em 2022, quando estava infetado com Covid-19. Não são a mesma pessoa e os dois já se pronunciaram sobre o facto de estarem a ser conotados enquanto “atores de crise”, facto que negam.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.