Morreu o designer francês Christophe Sauvat, avançou a consultora de moda Filipa de Abreu, que foi casada com o criador e com quem tem três filhos, através de uma publicação esta quarta-feira nas redes sociais. Também o irmão, Frédéric Sauvat, partilhou no Facebook que “Christophe nos deixou, esta noite, por volta da meia noite e trinta e cinco, rodeado de Filipa, a mãe dos seus três filhos, Louis, Maria e Antoine, que o acompanharam até o seu último suspiro”. O designer vivia em Portugal desde 2007, e chegou a apresentar no calendário oficial da ModaLisboa entre 2014 e 2017 sob a sua marca homónima.
“Sou um autodidata, nunca estudei moda, o que eu fiz foi aprender a olhar, sejam pessoas, sejam quadros no museu. Aos 18 anos era diretor de um clube noturno em Marselha onde ia a gente de moda. Foi aí que começou. Sempre gostei de roupas, de ver a forma como as pessoas se vestiam. Depois vivi na ilha de St Barthes, numa comunidade franco-alemã muito rica e fashion, sempre cheia de fotógrafos de moda e modelos. Quando voltei para Paris decidi tornar-me designer e comecei por desenhar relógios. A coisa correu bem e ganhei logo uns prémios”, disse, em entrevista ao Observador em 2016.
Christophe Sauvat começou a sua carreira na moda no início dos anos 1980, a desenhar relógios. Depois de uma viagem ao Rio de Janeiro, fez amigos numa favela e descobriu as pulseiras com fios coloridos entrançados — que adotou nos relógios que desenhava, uma ousadia que representou um boom no universo fashion, especialmente junto da elite europeia, que “incluía pessoas de famílias reais”, assinalou o designer, em entrevista ao Observador em 2016. Os relógios trouxeram-lhe prémios, dinheiro e reconhecimento. Num período de dois anos vendeu mais de 8 milhões de pulseiras, que foram fotografadas para dezenas de editoriais de moda internacionais.
Em 1992 fundou a Antik Batik, uma marca com conceito étnico-chique, inspirado numa viagem a Bali, na Indonésia. Foi lá que descobriu uma forma ancestral de pintar tecido, muito usada nas décadas de 1960 e 1980 pelo movimento hippie, e que adaptou às roupas com estilo mais sofisticado. As peças eram feitas artesanalmente, a cruzar influências e tradições de várias regiões do mundo, e rapidamente ganharam o público, impulsionadas pelas vendas em lojas de departamento como a La Redoute. Ao fim de 15 anos vendeu a marca, e mudou de vida.
Em 2007 o criador veio para passar um fim de semana em Cascais e depois conheceu a Comporta, sendo um dos pioneiros no mundo da moda e do design a viver na região, seguido por nomes como Philippe Starck ou Christian Louboutin. O designer francês deixou para trás a vida entre a França, Bali e St. Barth, a sua conhecida marca, e inspirou-se no estilo hippie-chic da Comporta para as novas coleções, dessa vez em nome próprio. Fundada com a então mulher, Filipa de Abreu, estabeleceu a marca em Portugal e passou a apresentar no calendário oficial da ModaLisboa, em edições entre 2014 e 2017. A marca chegou a ser vendida internacionalmente em países europeus, EUA, e também nos Emirados Árabes Unidos, na Arábia Saudita, no Japão e na China.