(c) 2023 am|dev

(A) :: O calor que não queimou a história: Nuno Borges vence Kecmanovic e é o primeiro português a chegar duas vezes à 3.ª ronda de Roland Garros

O calor que não queimou a história: Nuno Borges vence Kecmanovic e é o primeiro português a chegar duas vezes à 3.ª ronda de Roland Garros

Depois de uma entrada em falso, Nuno Borges quebrou todos os primeiros jogos de serviço de Kecmanovic nos sets seguintes e venceu por 3-6, 6-2, 6-1 e 6-2. Segue-se Andrey Rublev, a quem nunca ganhou.

Bruno Roseiro
text

Era uma autêntica caixa de surpresas. Numa fase em que reentrou no top 50 do ranking mundial, ninguém poderia ao certo prever que Nuno Borges podia ou não marcar presença em Roland Garros, segundo Grand Slam da temporada e único em terra batida. Depois de um início de época onde o melhor resultado em piso rápido acabou por ser a passagem pela terceira ronda do Open da Austrália, a passagem para o pó de tijolo trouxe exibições que os resultados depois não conseguiram traduzir na prática, como se viu no Open de Barcelona, no challenger de Cagliari ou no Masters de Roma. No entanto, a estreia foi convincente.

Após vencer o argentino Tomás Etcheverry, 23.º cabeça de série no Major francês, por claros 3-0, com os parciais de 6-3, 6-4 e 6-2, o português tinha agora pela frente um daqueles underdogs que é forte na terra batida apesar de estar também no limite do top 50, Miomir Kecmanovic (47.º). E, à partida, o sérvio até partia com algum favoritimo teórico, pela forma como passou o húngaro Fabián Marozsán na ronda inicial. Contudo, quem sabe acreditava no maiato. E um dos que sabe com conhecimento de causa, Mats Wilander, antigo campeão sueco que é agora comentador do Eurosport, apontava Nuno Borges à vitória.

“Nuno Borges pode perfeitamente ultrapassar Kecmanović. É um jogador sólido, bate bem na bola e movimenta-se muito bem, mas acredito que Nuno Borges é um verdadeiro especialista em terra batida. Penso que tem uma excelente oportunidade. Para mim, Nuno Borges é daqueles jogadores que raramente perde frente a adversários que está em condições de vencer. É um encontro de 50/50 mas acredito que Borges parte com uma ligeira vantagem por ser um especialista em terra batida”, tinha destacado o antigo tricampeão de Roland Garros na década de 80, com triunfos em 1982, 1985 e 1988.

Era assim que via o jogo na teoria, foi assim que o jogo decorreu na prática. Apesar de ter começado o jogo da pior forma, perdendo o primeiro jogo de serviço naquele que foi o único ponto de break das partidas iniciais, Nuno Borges recuperou da derrota por 6-3 no primeiro set, venceu o segundo parcial por 6-2 com duas quebras do serviço do balcânico e um ponto de break evitado e fulminou Kecmanovic no terceiro set, com uma entrada a 5-0 antes de fechar com 6-1. A própria postura do balcânico indicava que o português tinha o encontro controlado, com mais uma entrada com 4-0 a fechar o quarto parcial por claros 6-2 num set onde o oitavo e último jogo acabou por ser o mais disputado, com Borges a perder três match points, a salvar ainda um break mas a fechar de vez as vantagens para o triunfo que o colocou na terceira ronda num dia marcado pelo calor na capital francesa que acabou por não afetar o rendimento do jogador português.

Nuno Borges vai agora defrontar Andrey Rublev na terceira ronda, depois do triunfo do russo frente ao argentino Camilo Ugo Carabell por 6-1, 1-6, 6-3 e 7-6 (5). E esta é também uma oportunidade para o jogador português, que perdeu todos os quatro encontros realizados diante do atual 13.º do ranking mundial – os dois últimos este ano, primeiro nos quartos de Hong Kong em piso rápido e depois na segunda ronda do Masters de Monte Carlo em terra batida. Antes, Jaime Faria, o outro português presente no quadro principal de Roland Garros, vai defrontar o alemão Jan-Lennard Struff após vencer o canadiano Denis Shapovalov.

De recordar que Nuno Borges já igualou assim o melhor resultado que tinha conseguido em Roland Garros, quando no ano passado também chegou à terceira ronda e perdeu com o australiano Alexei Popyrin, tornando-se também o primeiro a alcançar o feito em duas ocasiões (antes só Michelle Larcher de Brito e Hugo Rocha tinham conseguido). Antes, o português tinha também atingido a terceira ronda no Open da Austrália, levando uma série de seis em sete Grand Slams onde no mínimo ganhou dois jogos (a exceção foi mesmo o US Open de 2025, onde caiu na segunda ronda). Caso consiga vencer Rublev, o maiato iguala o melhor registo em Majors, que está na quarta ronda onde chegou na Austrália e no US Open de 2024