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Indústria da pasta e papel ficou com 59% dos apoios do Fundo Ambiental para os custos com o CO2

Em 2025, o Fundo Ambiental distribuiu 50 milhões de euros de apoios indiretos aos custos das indústrias com as emissões de CO2. Maioria dos beneficiados são do setor da pasta e papel.

Ana Suspiro
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A indústria do papel e da pasta concentrou mais de metade das ajudas públicas de 50 milhões de euros atribuídas às empresas grandes consumidoras de energia para aliviar a fatura com o custo das licenças de CO2.

De acordo com a lista de subvenções pagas no ano passado pelo Fundo Ambiental, as empresas de pasta e papel receberam mais de 29 milhões de euros, o que corresponde a 59% do total. Neste setor, o destaque vai para o grupo Navigator e às suas sete unidades industriais que tiveram direito a apoios de mais de 19 milhões de euros. Só 9 milhões de euros destinaram-se à fábrica de papel do grupo na Figueira da Foz. Três unidades do grupo Altri do mesmo setor foram apoiadas com mais de cinco milhões de euros.

Entre as ajudas mais avultadas por unidade, estão as que foram pagas às duas empresas siderúrgicas a operar em Portugal. A Megasa do Seixal teve uma ajuda de 6,9 milhões de euros. A unidade localizada na Maia teve apoios de 7,8 milhões de euros. De uma lista de cerca de 25 empresas que dividiram o bolo dos 50 milhões de euros, 17 estavam ligadas à indústria da pasta e papel, incluindo a Renova e a Europac em Viana do Castelo.

O segundo setor a ser mais ajudado foi o químico, com destaque para o apoio de 4,5 milhões de euros atribuído à Bondalti, do grupo José Manuel de Mello.

A medida de auxílio a custos indiretos do Comércio de Emissões de Emissões de CO2, financiada pelo Fundo Ambiental, viu duplicar as verbas no final do ano passado depois da autorização dada pela Comissão Europeia para Portugal ajudar mais as indústrias eletrointensivas que estão expostas aos custos com as licenças de emissões de CO2. O Governo foi sensível aos argumentos destas unidades que se queixaram da perda de competitividade internacional face às concorrentes europeias sediadas em países, como a Espanha, que davam mais apoios às suas empresas.

Bruxelas autorizou um reforço de 100 milhões de euros ao programa português que ficou com uma dotação de 275 milhões de euros para o período de 2021 a 2030. Este programa é financiado com as receitas obtidas com a venda de licenças de CO2 às empresas industriais que emitem carbono.

Esta não é a única ajuda pública prevista para as grandes empresas industriais. No ano passado, Portugal viu aprovado um regime de apoio à fatura elétrica destes grandes consumidores que entram no estatuto do cliente eletrointensivo. O esquema português pode abranger mais de 300 empresas e prevê um apoio anual da ordem dos 60 milhões de euros. A atribuição de subsídios às tarifas terá, contudo, de ser acompanhada de investimentos por parte das empresas na descarbonização do processo produtivo e na incorporação de eletricidade de origem renovável no mix de consumo.