(c) 2023 am|dev

(A) :: Croácia (grupo L). A Last Dance de um pequeno Super Herói de máscara em busca do lugar no pódio que falta

Croácia (grupo L). A Last Dance de um pequeno Super Herói de máscara em busca do lugar no pódio que falta

Nunca aparece no topo das apostas, vai sempre parar ao topo das apostas. A Croácia é aquela seleção que gosta de vestir o fato de outsider porque entra sempre na festa. Neste caso, a última de Modric.

Bruno Roseiro
text

Um nulo a abrir com Marrocos, uma goleada esperada frente ao Canadá, uma decisão que ficava em aberto na última jornada com a Bélgica. Todos esperavam um triunfo dos Diabos Vermelhos, que chegavam a essa fase final como segundo melhor seleção do mundo no ranking FIFA. No entanto, e entre inúmeros lances que podiam ter mudado por completo a história do encontro, a Croácia soube resistir frente à então equipa de Roberto Martínez. Mais uma vez, todos torciam o nariz ao que os balcânicos seriam capazes de fazer. E, mais uma vez, os argumentos eram repetidos – equipa “velha”, em fim de ciclo, com poucas figuras de uma nova geração que pudesse mostrar algum futuro, ultrapassada. Com os “mesmos”, voltou a surpreender.

“É muito, muito complicado assistir aos encontros em vez de estar a jogar, acreditem em mim. Acho que só nesse encontro com a Bélgica devo ter perdido uns cinco anos de vida”, assumiu Ivan Rakitic em entrevista à FIFA, recordando aquilo que se passara no Qatar em 2022. O antigo médio de Barcelona e Sevilha foi um dos poucos que saiu de uma longa caminhada que poucos esperavam que durasse tanto. Ainda assim, mais do que ninguém, sabia de tudo o que aquele grupo conseguia fazer. Da mesma forma como sabia, nesse caso em campo, daquilo que a equipa de 2018 seria capaz de alcançar, quando pela primeira vez na história chegou a uma final do Campeonato do Mundo frente à França. Além de Rakitic, também Lovren, Corluka, Brozovic e Mandzukic deixaram os croatas com o passar dos anos. Mas, no final, a base continua a ser a mesma.

Desde que participou pela primeira vez num Mundial, em 1998, quando Davor Suker, Boban, Prosinecki, Bilic e Tudor, entre outros, chegaram à medalha de bronze, a Croácia só por uma vez não conseguiu chegar à fase final. Em seis presenças, foi capaz do melhor e do pior, não passando da fase de grupos em 2002, 2006 e 2014. Mais tarde, na antecâmara do Mundial de 2018, Zlatko Dalic assumiu o comando da seleção com essa condição de ficar apenas no cargo caso assegurasse o pauramento para a fase final. Era quase como “interino” sem ser um interino. Quase uma década depois, tem uma prata e um bronze mas quer ainda mais.

Para isso conta com um pequeno Super Herói que chega à América do Norte de máscara para a Last Dance que pode mesmo ser a última de todas. Depois de ter sido operado a uma fratura no osso zigomático após um choque com Locatelli num clássico entre AC Milan e Juventus, Luka Modric, de 40 anos, conseguiu ainda recuperar para marcar presença em mais um Campeonato do Mundo. É nele que estão centradas todas as atenções numa equipa onde impera o coletivo, com uma identidade que se foi enraizando ao longo dos anos e que joga mais do que nunca pelo sonho do lugar mais alto do pódio naqueles que podem ser os últimos jogos da carreira do capitão, que admite arrumar as chuteiras no final da prova depois do dececionante final de temporada do AC Milan, que falhou a entrada na Liga dos Campeões e pode ter acelerado o adeus de Modric.

BI

  • Ranking FIFA atual: 11.º (a 1 de abril de 2026)
  • Melhor ranking FIFA: 3.º (julho de 1998)
  • Patrocinador: Nike (desde 2000)
  • Alcunha: Vatreni
  • Presenças em fases finais: 6
  • Última participação: 2022 (3.º lugar, meias-finais com Argentina)
  • Melhor resultado: 2.º lugar em 2018 (França)
  • Qualificação: 1.º lugar do grupo L da UEFA (22 pontos em 8 jogos com Rep. Checa, Ilhas Faroé, Montenegro e Gibraltar)
  • O que seria um bom resultado? Chegar às meias-finais

Jogos desde junho de 2025

  • Jogo particular, 7/6: Eslovénia (casa)
  • Jogo particular, 2/6: Bélgica (casa), 0-2 (D)
  • Jogo particular, 1/4: Brasil (neutro), 1-3 (D)
  • Jogo particular, 26/3: Colômbia (neutro), 2-1 (V)
  • Qualificação UEFA, 17/11: Montenegro (fora), 3-2 (V)
  • Qualificação UEFA, 14/11: Ilhas Faroé (casa), 3-1)
  • Qualificação UEFA, 12/10: Gibraltar (casa), 3-0 (V)
  • Qualificação UEFA, 9/10: Rep. Checa (fora), 0-0 (E)
  • Qualificação UEFA, 8/9: Montenegro (casa), 4-0 (V)
  • Qualificação UEFA, 5/9: Ilhas Faroé (fora), 1-0 (V)
  • Qualificação UEFA, 9/6: Rep. Checa (casa), 5-1 (V)
  • Qualificação UEFA, 6/6: Gibraltar (fora), 7-0 (V)

O onze

  • 3x5x2: Livakovic; Vuskovic, Caleta-Car, Gvardiol; Stanisic, Kovacic, Luka Modric, Sucic e Perisic; Kramaric e Budomir

O treinador

  • Zlatko Dalic (croata, 59 anos, desde outubro de 2017)
  • Outros clubes: Varteks (interino), Varteks, Rijeka, Dínamo Tirana, Slaven Belupo, Al Faisaly, Al Hilal e Al Ain
  • Títulos (5): 1 Supertaça da Albânia, 1 Taça do Rei da Arábia Saudita, 1 Taça do Presidente dos EAU, 1 Liga dos EAU e 1 Supertaça dos EAU

O craque

  • Luka Modric (40 anos, médio do AC Milan)
  • Outros clubes: Dínamo Zagreb (formação), Zrinjski Mostar, Inter Zapresic, Dínamo Zagreb, Tottenham e Real Madrid

A revelação

  • Luka Vuskovic (19 anos, central do Hamburgo emprestado pelo Tottenham)
  • Outros clubes: Hajduk Split (formação), Radomiak Radom, Westerlo e Hajduk Split

O mais internacional e o maior goleador

  • Luka Modric (196 internacionalizações) e Davor Suker (45 golos)

Os 26 convocados

  • Guarda-redes (3): Dominik Livakovic (Dínamo Zagreb, Croácia), Dominik Kotarski (Copenhaga, Dinamarca) e Ivor Pandur (Hull City, Inglaterra)
  • Defesas (7): Josko Gvardiol (Manchester City, Inglaterra), Duje Caleta-Car (Real Sociedad, Espanha), Josip Sutalo (Ajax, Países Baixos), Josip Stanisic (Bayern, Alemanha), Marin Pongracic (Fiorentina, Itália), Martin Erlic (Midtjylland, Dinamarca) e Luka Vuskovic (Hamburgo, Alemanha)
  • Médios (10): Luka Modric (AC Milan, Itália), Mateo Kovacic (Manchester City, Inglaterra), Mario Pasalic (Atalanta, Itália), Nikola Vlasic (Torino, Itália), Luka Sucic (Real Sociedad, Espanha), Martin Baturina (Como, Itália), Kristijan Jakic (Augsburgo, Alemanha), Petar Sucic (Inter, Itália), Nikola Moro (Bolonha, Itália) e Toni Fruk (Rijeka, Croácia)
  • Avançados (6): Ivan Perisic (PSV, Países Baixos), Andrej Kramaric (Hoffenheim, Alemanha), Ante Budimir (Osasuna, Espanha), Marco Pasalic (Orlando City, EUA), Petar Musa (FC Dallas, EUA) e Igor Matanovic (Friburgo, Alemanha)

O local do estágio

  • Hotel AKA Alexandria, Alexandria, na Virgínia (treinos: Episcopal High School, na Virgínia)

A antevisão

"Sempre fomos os outsiders, ninguém acreditava em nós e ganhámos três medalhas em seis anos. Somos mais fortes do que se pensa. Somos quatro milhões de croatas, o que conquistámos nos últimos anos é um milagre. A prioridade é passar à próxima fase. Pressão? Já não existe pressão, é simplesmente o momento mais alto da vida de cada um de nós."
Zlatko Dalic, selecionador da Croácia

A ligação a Portugal

  • O avançado que já não está no Benfica entrou nos 26, o avançado que reforçou no último verão o Benfica ficou fora dos 26… mas na reserva: numa lista sem grandes alterações em relação à base que tem feito as últimas grandes competições pela Croácia, Petar Musa, que deixou os encarnados em 2024 para rumar aos norte-americanos do Dallas FC, foi convocado por Zlatko Dalic, ao passo que Franjo Ivanovic, que terminou a época de estreia na Luz com oito golos e duas assistências em cerca de 1.500 minutos feitos em 42 partidas oficiais, ficou como reserva caso exista algum problema físico.