O melhor Campeonato do mundo teve o condão de reunir os campeões da Europa e do mundo na antecâmara da final. Numa altura em que os dois clubes se defrontam numa equilibrada meia-final no basquetebol, o hóquei em patins volta a ser palco da rivalidade entre FC Porto e Sporting, equipas que voltam a medir forças na meia-final. Há um ano, os dragões levaram a melhor em direção ao seu 26.º título de campeão nacional, num ano que viria a terminar com os leões a levantarem o troféu do Mundial de Clubes pela primeira vez. Já em 2025/26, o emblema portista conquistou a Liga dos Campeões em Coimbra, depois de ter perdido a Supertaça para os sportinguistas, caindo em três dos quatro clássicos até aqui disputados. Ainda assim, os azuis e brancos foram mais consistentes ao longo da fase regular e garantiram o fator casa na meia-final, que se reveste de grande importância na modalidade.
https://observador.pt/2026/03/07/pol-segurou-a-fortaleza-do-dragao-fc-porto-vence-classico-frente-ao-sporting-com-hat-trick-de-manrubia-e-igual-rival-no-segundo-lugar/
“Começam agora as meias-finais, uma nova fase do playoff que será disputada à melhor de cinco jogos. É muito importante vencermos este primeiro jogo em casa, de forma a marcarmos uma posição e a metermos mais pressão no lado do Sporting. A equipa chega às meias-finais numa boa fase, depois de ganhar a Liga dos Campeões há duas semanas e de vencer a Oliveirense nos últimos dois jogos. Estamos numa boa fase e confiantes de que podemos fazer um bom jogo. Queremos chegar aqui, fazer um bom jogo e vencer. Esperamos que o pavilhão esteja lotado e que os adeptos nos empurrem para a vitória. Sabemos perfeitamente que o fator casa é importantíssimo, mas no ano passado conseguimos contrariar isso. As equipas são muito equilibradas, têm grandes jogadores e um coletivo muito forte. Sabemos que todos os cenários são possíveis, mas nós queremos que o Dragão Arena seja a nossa fortaleza”, assumiu Gonçalo Alves.
“Tivemos uma semana para preparar esta meia-final, o que foi muito bom. Os jogadores têm muitos jogos acumulados esta época e este pequeno descanso entre os quartos de final e as meias-finais foi bom para estarmos preparados a 100%. São duas equipas que se conhecem muito bem e acho que não vai haver grandes surpresas. Os pormenores vão fazer a grande diferença e esses pormenores são os artistas que os vão fazer. Terá de ser um Sporting como foi muitas vezes durante esta época, com uma personalidade forte na defesa e, depois, com um ataque dinâmico como mostrámos em muitos jogos e em muitas finais. Houve várias alterações nos plantéis [em relação à época passada]. Na época passada, os pequenos detalhes fizeram a diferença. Temos de ir jogo a jogo, com calma. Sabemos que temos de ganhar um jogo no Dragão e estamos preparados para isso. Chegou a hora da verdade, vamos disputar o Campeonato Nacional, que é o melhor campeonato do mundo”, perspetivou Edo Bosch.
Sem Hélder Nunes, que deverá estar lesionado, Paulo Freitas chamou Tiago Saraiva para o primeiro clássico da meia-final, lançando de início Xavi Malián, Telmo Pinto, Rafa Costa, Carlo di Benedetto e Gonçalo Alves. Já Bosch, que deixou de fora Roc Pujadas e Santiago Honório, optou pelo cinco habitual, com Xano Edo, Rafa Bessa, Danilo Rampulla, Facu Navarro e Nolito Romero. O clássico arrancou a todo o gás e, logo aos seis segundos, Romero acertou no ferro da baliza de Mali com um tiro de meia-distância (1′). Os dragões responderam da mesma moeda e foram felizes, com Gonçalo a receber antes do meio-campo e a rematar de pronto, com Carlo a desviar para o golo na área (5′). Contudo, na jogada de saída, Bessa recebeu na esquerda e rematou, com Rampulla a desviar de igual forma para o empate (5′).
Já depois de Freitas ter parado o jogo pela primeira vez, o Sporting carimbou a reviravolta num lance de transição rápida, com Navarro a recuperar a bola junto à sua área e a servir Nolito que, com espaço, desferiu um remate cruzado para o terceiro golo da partida (8′). Ainda assim, a resposta voltou a surgir de pronto, com Di Benedetto a roubar a bola no ataque e a combinar com Rafa para restabelecer o empate no minuto seguinte (9′). Na reta final do primeiro tempo, Edo pediu o seu primeiro desconto de tempo, numa fase em que os guarda-redes se começaram a evidenciar, mas em que Edu Lamas se mostrou… e de que maneira: o internacional recebeu de Gonçalo a meio-campo e aproveitou o facto de não ter sido pressionado para desferir uma stickada muito forte para o 3-2, com a bola a entrar junto ao ângulo superior mais distante (21′).
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Na etapa complementar, o Sporting voltou a entrar forte, com Gonçalo Alves a perder para Rafa Bessa, que transportou e deixou para Nolito Romero, o argentino contemporizou e serviu Facundo Navarro que, isolado e com muita calma, voltou a empatar o clássico e chegou aos 30 golos na temporada (28′). Na resposta, Carlo di Benedetto voltou a fazer das suas dentro da área, mas acabou por acertar no poste (33′). Pouco depois, o francês assumiu a responsabilidade de cobrar o livre direto que resultou da décima falta leonina, foi para cima de Xano Edo, mas o seu remate acertou na trave e, na recarga, o português levou a melhor (34′). À entrada para os últimos dez minutos, um empurrão de Edu Lamas a Diogo Barata traduziu-se na décima falta de equipa do FC Porto, com Nolito a arrancar para a finta e a deitar Xavi Malián antes de acertar no poste (40′). Logo a seguir, Ezequiel Mena viu o azul por derrubar Romero e, no powerplay, Danilo Rampulla fez o 3-4 com uma grande picadinha (41′). No lance seguinte, Facundo Navarro serviu Bessa para o quinto (42′).
Com um minuto de inferioridade ainda pela frente, Paulo Freitas parou de imediato o jogo e reviu o momento defensivo da sua equipa, mas sem grande sucesso, já que os campeões do mundo voltaram a variar rapidamente o jogo, com Rampulla a aparecer sozinho ao segundo poste a fazer o 3-6 (43′). Os papéis inverteram-se e um choque entre Henrique Magalhães e Gonçalo Alves acabou com o jogador leonino a ver o cartão azul (43′). Em superioridade numérica, os dragões até estiveram perto de sofrer, com Navarro a acertar no poste e a obrigar Malián a aplicar-se em dois contra-ataques (44′), e não conseguiram encontrar o caminho do golo. Já dentro dos últimos quatro minutos, Bessa viu o cartão azul e, no segundo powerplay, o campeão da Europa voltou a passar mal na defesa e, ao segundo passe falhado de Gonçalo para Nolito, Carlo travou Romero com o argentino isolado e, no penálti, Rampulla atirou para defesa de Mali (47′).
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Na reta final, a bola circulou rapidamente de baliza a baliza, até o FC Porto ter tido um golo anulado por falta técnica, por Di Benedetto ter desviado, segundo a dupla de arbitragem, acima do metro e meio que está na lei (48′). Ainda assim, os portistas tiveram dificuldades no capítulo da eficácia e o Sporting acabou por fazer mais um golo, com Rafa Bessa a aproveitar a sua oportunidade (50′), ajudando o leão a sair do Dragão Arena na frente da eliminatória e com o fator casa do seu lado (3-7). Olhando à história, esta foi a primeira derrota de sempre dos azuis e brancos em casa em meias-finais do playoff com público, ao passo que o Sporting não vencia no Dragão Arena desde 2023. Para além disso, o FC Porto não perdia mais de dois jogos em casa na mesma época desde 2020/21, com a equipa de Alvalade a juntar-se ao Benfica, na Taça de Portugal, e ao Barcelona, na Liga dos Campeões.