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(A) :: Águia à solta na noite em que o futebol de bairro voltou a ganhar: Crystal Palace bate Rayo Vallecano e faz história na Liga Conferência

Águia à solta na noite em que o futebol de bairro voltou a ganhar: Crystal Palace bate Rayo Vallecano e faz história na Liga Conferência

A final da Liga Conferência voltou a escrever uma história que não seria possível de outra forma. Em Leipzig, o Palace foi mais eficaz e conquistou o seu primeiro troféu internacional (1-0).

Tiago Gama Alexandre
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De um lado Croydon, do outro Vallecas. Como tem sido apanágio desde que foi criada, a Liga Conferência voltou a dar palco a dois clubes que são protagonistas de histórias impactantes, algo que, de outra forma, não seria possível. Leipzig teve o condão de reunir o futebol de bairro, com Crystal Palace e Rayo Vallecano a defrontarem-se numa inédita final europeia que teve como pano de fundo a cidade alemã que mais cresceu na última década no que respeita ao futebol. Nascido no bairro de Croydon, no sul de Londres, os eagles são — ou dizem ser — o clube profissional mais antigo do mundo, com a sua fundação a datar de 1861, dois anos antes do Crystal Palace ter sido um dos fundadores da federação inglesa (Football Association). Depois de se ter profissionalizado no início do século passado, os ingleses conquistaram o seu primeiro troféu há um ano, quando derrotaram o Man. City na final da Taça de Inglaterra.

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Apesar de os glaziers terem acompanhado o crescimento do futebol inglês com a entrada de magnatas no capital dos clubes, a essência bairrista mantém-se viva, algo que os últimos dias têm demonstrado. Em solo alemão, os adeptos ingleses desafiaram a UEFA e espalharam-se por toda a cidade, optando por não se concentrar na fan zone criada pelo organismo. Para além disso, os adeptos têm protestado com a UEFA, John Textor e Evangelos Marinakis, os três responsáveis que “atiraram” as águias para esta Liga Conferência. final, com a vitória na FA Cup, o Crystal Palace deveria ter disputado a Liga Europa. Tal não foi possível porque, na altura, Textor era o sócio maioritário do clube e do Lyon, o que vai contra o regulamento da UEFA, que não permite que dois clubes do mesmo dono joguem a mesma competição continental. Deste modo, os ingleses tiveram de “descer” à Liga Conferência, com o Nottingham Forest, de Marinakis, a ser “promovido” à segunda prova europeia.

Bem no centro da Península Ibérica nasceu, em 1924, o Rayo Vallecano, clube que tem como casa o famoso bairro de Vallecas, em Madrid. Numa cidade em que Real Madrid e Atl. Madrid são os grandes dominadores, os franjirrojos representam o seu bairro e os seus moradores, sendo conhecidos como o clube do povo e da classe trabalhadora. Fora de campo, o Rayo Vallecano é um clube progressista, com as suas claques a associarem-se a movimentos antifascistas e de combate ao racismo e à homofobia. No que respeita ao futebol, esta foi a primeira final na história dos rayistas, que tinham bem menos recursos que os ingleses, o que lhes valia o estatuto de underdog. Faltava saber quem iria suceder ao Chelsea que, há um ano, goleou o Bétis (4-1).

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“Pensávamos que íamos disputar a Liga Europa. Merecíamo-lo depois de termos ganho a Taça de Inglaterra, mas aceitámos. Talvez não seja a competição mais interessante para quem joga a Liga dos Campeões, mas para nós é. Aproveitámos cada momento desde o primeiro jogo. Foi difícil ganhar experiência, mas toda essa experiência ajudou-nos. É incrível para qualquer treinador disputar duas finais em quatro anos com dois clubes diferentes. Disputei a final da Taça da Alemanha e a de Inglaterra. Ganhar este torneio com este clube significaria muito para mim. Temos trabalhado muito. Quando se joga uma época tão longa, há sempre momentos difíceis. É preciso ultrapassá-los. Em dezembro passámos por momentos difíceis, mas sabia que, assim que recuperássemos os jogadores lesionados, voltaríamos a ser competitivos. Conseguimos concentrar-nos na Liga Conferência. Percebemos que há mais ruído do que pensávamos. Temos uma relação muito próxima e já lhes disse o que quero. Quero tirar o máximo partido deles, mas não quero que estejam sempre de acordo comigo. Há muitas formas de trabalhar e podemos debater. Gosto que me dêem feedback”, revelou Oliver Glasner.

“Haverá coisas a que não estamos habituados. Temos de ignorar os holofotes e aceitar o que vier. Temos de manter a nossa identidade e fazer com que isso nos ajude a vencer. Para além das comparações associadas ao desporto, que nada têm a ver com o jogo, temos de representar Vallecas e os nossos adeptos. Se fizermos isso e mantivermos a nossa garra, correrá tudo bem. Não podemos controlar o resultado, mas podemos controlar o resto. Temos de ignorar o tipo de comparações que têm a ver com o marketing. Vallecas? Tenho vindo a dizer isto ao longo de todo o ano: sente-se uma dívida emocional e uma enorme responsabilidade. Não pelo resultado, mas para que se sintam orgulhosos do que fizermos. A final não será uma exceção. Espero que possamos oferecer-lhes uma forma de agir que esteja à altura do que temos feito. Palace? Partilhamos características e temos uma forma idêntica de entender o sacrifício. As estruturas são diferentes, mas unimos o coletivo. Quando essas forças se chocam, sabe-se que o impacto será significativo. No início da competição, se tivéssemos de escolher um adversário, seriam eles os escolhidos”, perspetivou Iñigo Pérez.

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No que toca aos onzes, Glasner voltou a apostar na sua equipa habitual, depois de ter rodado na última jornada da Premier League, lançando de início Adam Wharton e Ismaïla Sarr. O mesmo aconteceu com Pérez, que voltou a contar com Jorge de Frutos, Andrei Ratiu e Alemão. Apesar disso, a primeira fase da final foi tudo menos emotiva, com os dois clubes a acusarem o nervosismo que adviu de estarem a disputar a primeira final da sua história. A primeira ocasião saiu dos pés de Alemão, que quase aproveitou uma má abordagem de Chadi Riad, mas o seu remate saiu ligeiramente ao lado (24′). Já na parte final do primeiro tempo, Unai López apareceu com perigo à entrada da área, desferiu um remate colocado, mas a bola voltou a sair ao lado (39′). Nos descontos, Tyrick Mitchell protagonizou o falhanço do jogo, aparecendo na área completamente sozinho a corresponder ao cruzamento de Wharton, mas o seu cabeceamento saiu para fora quando tinha tudo para fazer melhor (45+1′).

Na segunda parte, Adam Wharton desferiu um remate forte de fora da área que Augusto Batalla não conseguiu travar, defendeu para o lado e deixou a bola nos pés de Jean-Philippe Mateta que, completamente sozinho, fez o golo inaugural na recarga (50′). O golo galvanizou o Crystal Palace que, pouco depois, ficou perto do segundo, com Yéremy Pino a acertar nos dois ferros na cobrança de um livre em zona frontal (56′). No lance seguinte, Mateta apareceu isolado, mas Batalla saiu rapidamente da baliza e impediu o golo com uma grande defesa (57′). Iñigo Pérez foi o primeiro a mexer e lançou em campo Pedro Díaz e Nobel Mendy para a última meia-hora, retirando Unai López e Óscar Valentín. Já com Sergio Camello e Pacha Espino nos lugares de Jorge de Frutos e Álvaro García, os espanhóis continuaram sem reação. Strand Larsen, Ilias Akhomach e Evann Guessand ainda saíram dos bancos, mas o resultado manteve-se e o Crystal Palace conquistou o primeiro troféu internacional da sua história (1-0).

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