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Inglaterra (grupo L). A missão de endireitar aquilo que começou a nascer torto com um Kane que leva tudo a direito

Depois dos sinais de alarme nos particulares de março, ausência de alguns "pesos pesados" aumentou pressão sobre Tuchel. Sem olhar a nomes, o técnico tem uma gasolina chamada convicção. E Kane, claro.

Bruno Roseiro
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A lista ainda não tinha saído, a polémica já estava instalada. Harry Maguire assumiu nas redes sociais a sua mágoa por não poder representar Inglaterra, Kyle Walker tinha visado a ausência então ainda só falada de Trent Alexander-Arnold, os vários programas de comentário do país não demoraram a incendiar tudo mais um pouco falando de preteridos como os “cativos” Phil Foden, Cole Palmer e Luke Shaw ou um dos grandes destaques da Premier League na presente temporada, Morgan Gibbs-White (18 golos e sete assistências em 53 jogos pelo Nottingham Forest). Ao contrário do que aconteceu com 47 seleções que marcarão presença no Mundial, as opções ainda não eram públicas e já se tinham transformado num foco de polémica.

Thomas Tuchel, que assume pela primeira vez o comando de uma seleção sendo apenas o terceiro técnico não britânico à frente dos Três Leões depois de Sven-Goran Eriksson e Fabio Capello, enfrentava um legado que seria sempre pesado depois de um ciclo de oito anos de Gareth Southgate que reaproximou a Inglaterra das decisões mas sem o passado final (duas finais de Europeus perdidas, uma ida às meias do Mundial). A isso acrescentou uma gasolina chamada convicção. Dentro do politicamente correto que tinha sempre de fazer prevalecer, explicou que procurava uma seleção com outra intensidade, outra alma, outra frescura, ao mesmo tempo que assumiu as dificuldades que teve não em escolher os 26 eleitos mas sim em comunicar a todos aqueles que não foram chamados. Se a ideia falhar, será fácil perceber onde irão recair as culpas.

Em paralelo, e apesar de uma qualificação “limpa” só com vitórias num grupo que tinha Sérvia, Albânia, Letónia e Andorra, não se pode dizer que a Inglaterra tenha alguma vez convencido. Em termos defensivos foi uma equipa com menos golos sofridos e a conceder menos oportunidades mas, do meio-campo para a frente, nunca conseguiu fazer jus à qualidade que tinha à disposição. A isso juntaram-se os sinais de alarme que foram ficando dos encontros particulares realizados em Wembley, com uma derrota frente ao Senegal em junho, um empate com o Uruguai em março e novo desaire diante do Japão quatro dias depois. Ou seja, entre um apuramento europeu só com vitórias, os testes que foram feitos com formações de África, da América do Sul e da Ásia, ainda com um leque alargado de escolhas, não foram famosos…

O que pode fazer o clique para uma caminhada que consiga levar de novo a equipa dos Três Leões a uma final do Campeonato do Mundo? Harry Kane. O avançado de 32 anos, que pode ou não estar a fazer o seu último Mundial da carreira, teve a melhor temporada de sempre com 61 golos e sete assistências em 51 jogos num percurso onde ganhou tudo o que havia para ganhar em termos nacionais (fechando com um hat-trick na Taça da Alemanha) e só caiu nas meias-finais da Liga dos Campeões frente ao PSG. A par do capitão, outra das grandes armas inglesas será um meio-campo que junta “consagrados” como Declan Rice ou o experiente Henderson ao tal “sangue novo” de Elliot Anderson, Kobbie Mainoo ou Morgan Rogers. Mas será suficiente?

BI

  • Ranking FIFA atual: 4.º (a 1 de abril de 2026)
  • Melhor ranking FIFA: 3.º (agosto a setembro de 2012, setembro a outubro de 2021 e novembro de 2023)
  • Patrocinador: Nike (desde 2013)
  • Alcunha: Os Três Leões
  • Presenças em fases finais: 16
  • Última participação: 2022 (quartos, França)
  • Melhor resultado: campeã em 1966
  • Qualificação: 1.º lugar do grupo K da UEFA (24 pontos em 8 jogos com Albânia, Sérvia, Letónia e Andorra)
  • O que seria um bom resultado? Voltar a uma final

Jogos desde junho de 2025

  • Jogo particular, 10/6: Costa Rica (casa)
  • Jogo particular, 6/6: Nova Zelândia (casa), 1-0 (V)
  • Jogo particular, 31/3: Japão (casa), 0-1 (D)
  • Jogo particular, 27/3: Uruguai (casa), 1-1 (E)
  • Qualificação UEFA, 16/11: Albânia (fora), 2-0 (V)
  • Qualificação UEFA, 13/11: Sérvia (casa), 2-0 (V)
  • Qualificação UEFA, 14/10: Letónia (fora), 5-0 (V)
  • Jogo particular, 9/10: País de Gales (casa), 3-0 (V)
  • Qualificação UEFA, 9/9: Sérvia (fora), 5-0 (V)
  • Qualificação UEFA, 6/9: Andorra (casa), 2-0 (V)
  • Jogo particular, 10/6: Senegal (casa), 1-3 (D)
  • Qualificação UEFA, 7/6: andorra (fora), 1-0 (V)

O onze

  • 4x2x3x1: Jordan Pickford; Reece James, Konsa, Marc Guéhi, Nico O’Reilly; Declan Rice, Elliot Anderson; Bukayo Saka, Jude Bellingham, Anthony Gordon e Harry Kane

O treinador

  • Thomas Tuchel (inglês, 52 anos, desde outubro de 2024)
  • Outros clubes: Augsburgo II, Mainz, B. Dortmund, PSG, Chelsea e Bayern
  • Títulos (11): 1 Taça da Alemanha, 2 Ligue 1, 1 Taça de França, 1 Taça da Liga de França, 2 Supertaças de França, 1 Liga dos Campeões, 1 Supertaça Europeia, 1 Mundial de Clubes e 1 Bundesliga

O craque

  • Harry Kane (32 anos, avançado do Bayern)
  • Outros clubes: Tottenham (formação), Milwall, Norwich, Leicester e Tottenham

A revelação

  • Elliot Anderson (23 anos, médio do Nottingham Forest)
  • Outros clubes: Newcastle (formação), Bristol e Newcastle

O mais internacional e o maior goleador

  • Peter Shilton (125 internacionalizações) e Harry Kane (78 golos)

Os 26 convocados

  • Guarda-redes (3): Dean Henderson (Crystal Palace, Inglaterra), Jordan Pickford (Everton, Inglaterra) e James Trafford (Manchester City, Inglaterra)
  • Defesas (9): Dan Burn (Newcastle, Inglaterra), Marc Guéhi (Manchester City, Inglaterra), Reece James (Chelsea, Inglaterra), Ezri Konsa (Aston Villa, Inglaterra), Tino Livramento (Newcastle, Inglaterra), Nico O’Reilly (Manchester City, Inglaterra), Jarell Quansah (Bayer Leverkusen, Alemanha), Djed Spence (Tottenham, Inglaterra) e John Stones (Manchester City, Inglaterra)
  • Médios (7): Elliot Anderson (Nottingham Forest, Inglaterra), Jude Bellingham (Real Madrid, Espanha), Eberechi Eze (Arsenal, Inglaterra), Jordan Henderson (Brentford, Inglaterra), Kobbie Mainoo (Manchester United, Inglaterra), Declan Rice (Arsenal, Inglaterra) e Morgan Rogers (Aston Villa, Inglaterra)
  • Avançados (7): Anthony Gordon (Newcastle, Inglaterra), Harry Kane (Bayern, Espanha), Noni Madueke (Arsenal, Inglaterra), Marcus Rashford (Barcelona, Espanha), Bukayo Saka (Arsenal, Inglaterra), Ivan Toney (Al Ahli, Arábia Saudita) e Ollie Watkins (Aston Villa, Inglaterra)

O local do estágio

  • The Inn at Meadowbrook, Prairie Village, no Kansas (treinos: Swope Soccer Village, no Kansas)

A antevisão

"Adoro esta convocatória. Em que realmente confiamos? Quem nos deu resultados? Quem criou uma cultura, especialmente a partir de setembro? Acima de tudo, trata-se da energia, da confiança e da ligação entre os jogadores. Respeito todos, fiz chamadas muito difíceis mas Inglaterra precisava de um pouco de ar fresco, de jogadores mais jovens que jogam com entusiasmo. Não partimos como favoritos mas queremos ganhar o Mundial."
Thomas Tuchel, selecionador de Inglaterra

A ligação a Portugal

  • Tino Livramento, uma das surpresas da convocatória, tem uma ligação indireta a Portugal: apesar de ter nascido no sul de Londres, o pai é português e podia ter optado por jogar na Seleção Nacional, algo que nunca se chegou a colocar no trajeto que começou no Chelsea, passou pelo Southampton e deu o salto quando se transferiu para o Newcastle por quase 40 milhões de euros. Ainda assim, há algo mais “direto”: Hilário, antigo guarda-redes internacional que passou por FC Porto e Chelsea, entre outros, faz parte da equipa técnica de Thomas Tuchel como treinador de guarda-redes numa ligação que teve início quando se cruzaram em Londres no Chelsea, não chegou ao Bayern mas regressou agora.