O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças reforçou esta quarta-feira o apoio na República Democrática do Congo e no Uganda devido ao agravamento do surto de Ébola, considerando “muito baixo” o risco para a população europeia.
“À medida que o surto da doença do Ébola na República Democrática do Congo [RDCongo] e no Uganda evolui rapidamente, o ECDC [sigla inglesa de Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças] está a reforçar o seu apoio no terreno, continuando ao mesmo tempo a sublinhar que o risco de infeção para a população em geral na Europa permanece muito baixo”
De acordo com o centro europeu, o atual surto “é motivo de séria preocupação e, em muitos aspetos, não é comparável a surtos anteriores de Ébola“.
“A situação extremamente complexa na região afetada torna consideravelmente mais difícil a adoção de medidas eficazes de controlo”, vinca o ECDC.
Segundo a agência europeia, o cenário é agravado pelo facto de o surto ser provocado pelo vírus Bundibugyo, para o qual não existe atualmente vacina aprovada nem tratamento específico.
Apesar do agravamento da situação, o ECDC reitera que a probabilidade de infeção para cidadãos europeus que residam ou viajem para as zonas afetadas “permanece baixa”, desde que sejam cumpridas as medidas de precaução recomendadas.
O ECDC indicou que está a trabalhar com parceiros internacionais para reforçar a presença da equipa europeia de emergência sanitária (EU Health Task Force) na RDCongo e no Uganda, com o objetivo de recolher informação diretamente no terreno e apoiar as autoridades locais.
A agência comunitária disse ser essencial o reforço do rastreio de passageiros à saída das zonas afetadas, para identificar viajantes com sintomas e reduzir o risco de propagação internacional da doença.
Entre as medidas anunciadas estão o apoio aos países da União Europeia e do Espaço Económico Europeu na preparação para detetar e isolar rapidamente casos importados, a publicação diária de atualizações epidemiológicas e o desenvolvimento de orientações científicas sobre prevenção e controlo de infeções.
O ECDC revelou ainda que está a colaborar com o setor da aviação para uniformizar procedimentos na gestão de casos suspeitos durante voos internacionais e a desenvolver estudos sobre a probabilidade de importação de casos para a Europa.
De acordo com os dados mais recentes, mais de 900 casos suspeitos de Ébola foram registados na RDCongo até 24 de maio, enquanto o Uganda confirmou sete casos.
A Organização Mundial da Saúde reviu o risco sanitário para a RDCongo, que agora considera “muito alto”, bem como para um grupo de dez países, nomeadamente Angola, onde agora o risco é “alto”. Para o resto do mundo, o risco continua a ser baixo.