O Banco de Portugal considera que existe um risco de “correção dos preços do imobiliário residencial” e está, também, preocupado com os riscos associados a “choques climáticos“. São as principais áreas de preocupação, a nível nacional, para o supervisor financeiro, a que se junta, a nível internacional, o risco geopolítico.
As preocupações do supervisor estão referidas no Relatório de Estabilidade Financeira, um relatório semestral divulgado pelo supervisor. Em conferência de imprensa de apresentação do relatório, Álvaro Santos Pereira afirmou que o risco de correção nos preços das casas “é o nosso principal risco interno“.
“Nós sabemos que o crédito à habitação e ao consumo continuam a crescer a níveis bastante elevados, o endividamento das famílias voltou a aumentar, temos tido os maiores crescimentos anuais do preço do imobiliário residencial”, afirmou o governador do Banco de Portugal. O responsável reconhece que “tem havido um aumento da oferta no lado dos licenciamentos” mas a construção só aumentou 5,5%, o que evidencia que persistem “demasiados constrangimentos ao nível do licenciamento“.
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A nível internacional, “estamos num ambiente com elevada incerteza“, incluindo um “conflito no Médio Oriente onde ainda não sabemos bem o que vai acontecer, qual será a duração do conflito”. Esse conflito terá “uma implicação bastante grande na evolução dos preços e das economias” e isso acontecerá mesmo que “o estreito de Ormuz abrisse amanhã”.
Os principais riscos para a estabilidade financeira aumentaram, refletindo as tensões geopolíticas. O agravamento destas tensões ou a eventual correção súbita dos mercados financeiros, sobretudo se ocorrerem ao mesmo tempo, podem afetar negativamente a atividade económica, a inflação, os preços dos ativos e a capacidade de famílias e empresas pagar os seus créditos”, afirma o Banco de Portugal.
Relativamente aos preços das casas, o Banco de Portugal assinala que “os preços no mercado imobiliário poderão registar uma correção, com impacto acrescido no atual contexto marcado pelo aumento do crédito à habitação”. “Após fortes subidas, existe o risco de uma redução abrupta e inesperada dos preços das casas, potenciado por um cenário de desaceleração económica e correção nos mercados financeiros internacionais, afetando principalmente as famílias mais vulneráveis”, acrescenta o supervisor.
Sobre o risco climático, Álvaro Santos Pereira recordou que “este ano tivemos tempestades muito grandes, com impacto muito significativo para as regiões afetadas e para o resto do país – e vemos uma tendência de aumento da frequência destes fenómenos nas últimas décadas”.
Por outro lado, “o risco cibernético sistémico acentuou-se”, diz o Banco de Portugal. “A aceleração da digitalização aumenta a dependência face a prestadores externos e a infraestruturas críticas, e os novos modelos de inteligência artificial podem acelerar e aumentar os ciberataques”, afirma o supervisor, acrescentando que “o agravamento das tensões geopolíticas também contribui para o perfil de risco do sistema financeiro”.