Ken Paxton venceu esta terça-feira as primárias para decidir quem será o candidato republicano a senador do Texas nas próximas eleições intermédias. A vitória do atual procurador-geral do Texas (64%), apoiado oficialmente por Trump, impossibilita a reeleição de John Cornyn (36%), que representa os republicanos no Senado dos EUA desde 2002. Esta é a primeira vez na história do partido republicano que um senador do Texas perde uma eleição interna para tentar a reeleição ao cargo.
Nesse sentido, a escolha do controverso Paxton aumentou a confiança dos democratas na capacidade de disputarem a eleição para o Senado em novembro. O partido democrata não tem uma vitória estadual no Texas desde 1994 e não elege um senador naquele Estado desde 1988. No entanto, os problemas judiciais de Paxton, que foram tema central das primárias republicanas, e o otimismo dos democratas face ao seu próprio candidato criam uma oportunidade única neste século para uma vitória democrata no Texas.
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“É a melhor oportunidade que os democratas do Texas terão de vencer uma eleição a nível estadual em toda a minha carreira”, disse Jeff Rotkoff ao Politico, conselheiro das campanhas democratas no Estado há 25 anos. Também entre republicanos é possível encontrar quem acredite que a conjugação do perfil dos dois candidatos é favorável aos democratas. “Os democratas estão no deserto há três décadas”, disse ao mesmo jornal Mark McKinnon, antigo conselheiro do ex-presidente George W. Bush. “Talarico pode ser Moisés.”
James Talarico é o candidato que ganhou as primárias do partido democrata. Atualmente, cumpre o mandato de deputado estadual no Texas, mas é reconhecido nacionalmente pela sua ligação à religião — Talarico é pastor numa Igreja Presbiteriana. Esse poderá ser um trunfo para uma corrida eleitoral num estado com um eleitorado predominantemente cristão. Por outro lado, também vai explorar o extremismo do seu adversário. Numa reação ao resultado das primárias republicanas, Talarico apelou diretamente aos apoiantes de Cornyn, que era visto como um candidato mais moderado. “Vocês têm um lugar na nossa campanha”, escreveu nas redes sociais.
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O candidato democrata disse esta terça-feira que a escolha em novembro será entre ele e o “político mais corrupto” nos EUA. Talarico refere-se aos processos judiciais em que Paxton esteve envolvido (uma investigação do FBI e um processo de impeachment por corrupção em que foi absolvido) que também marcaram a disputa com Cornyn. “Sem sombra de dúvida, serei o alvo número um dos democratas em novembro”, disse Paxton, no seu discurso de vitória esta terça-feira.
Rejeição de Trump valeu 400 mil votos
A disputa entre Paxton e Cornyn estabeleceu o recorde como a campanha para as primárias mais cara de sempre na história da política norte-americana, segundo o The New York Times. Terão sido gastos cerca de 128 milhões de dólares (cerca de 110 milhões de euros) apenas em publicidade. Neste campo, Cornyn teve larga vantagem em relação ao seu adversário com, pelo menos, 92 milhões de euros investidos em mensagens de apoio à sua candidatura, mas especialmente de ataque a Paxton.
Apesar do alto investimento na campanha, o senador incumbente não conseguiu garantir o apoio oficial do Presidente dos EUA. Donald Trump não apoiou nenhum dos candidatos na primeira volta das primárias em março, em que Cornyn ficou em primeiro lugar com 910 mil votos. Há cerca de 10 dias, porém, o Presidente dos EUA pronunciou-se a favor de Paxton, dizendo que o procurador-geral do Texas é um “verdadeiro guerreiro MAGA“, numa referência ao seu próprio movimento político.
As palavras de Trump abanaram definitivamente a disputa: Cornyn perdeu mais de 400 mil votos em relação à primeira volta. No seu discurso de vitória, Ken Paxton não se esqueceu de mencionar a importância do apadrinhamento do Presidente norte-americano. “Quando todos em Washington lhe disseram para me abandonar e abandonar o povo do Texas, ele não lhes deu ouvidos”, disse o procurador-geral do Texas. “O presidente Trump é o líder do nosso partido, e o seu apoio é a força mais poderosa da política.”
Ao anunciar o seu apoio ao procurador-geral do Texas, Trump acusou John Cornyn de não o ter apoiado “quando os tempos eram difíceis” e recordou que o senador demorou a declarar o apoio à sua candidatura presidencial. Em 2023, Cornyn chegou a afirmar que Trump já não conseguiria vencer as presidenciais do ano seguinte, porque o seu “tempo tinha passado”. Também foi inicialmente crítico da proposta de construção de um muro na fronteira com o México, embora atualmente apoie a medida.
O resultado destas eleições é mais uma prova da manutenção da influência de Trump nas bases do partido Republicano. Nas recentes primárias republicanas nos Estados de Louisiana, Kentucky e Indiana, o Presidente norte-americano também apoiou adversários que desafiaram os incumbentes, devido a diferendos que teve com estes últimos, noticia a Associated Press. Tal como aconteceu com Paxton, os candidatos que apoiou nestes três Estados saíram vencedores.
https://observador.pt/2026/05/26/primarias-republicanas-no-texas-trump-declara-apoio-a-ken-paxton-enquanto-john-cornyn-tenta-ser-reeleito/