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Polícia espanhola faz buscas na sede do PSOE e em casa de ex-dirigentes socialistas por suspeitas de corrupção

Em causa estão contratos que terão sido atribuídos de forma fraudulenta, num total de aproximadamente 132 milhões de euros, a troco de compensações financeiras. Feijóo pede eleições antecipadas.

Tiago Caeiro
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Vários agentes da Unidade Operacional Central da Guarda Civil estão, esta quarta-feira, a realizar buscas na sede nacional do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), em Madrid, para recolher documentos relacionados com o caso SEPI, um suposto esquema de corrupção no qual, entre outros, está implicada a ex-membro do PSOE e funcionária pública Leire Díez, avança o El País.

Paralelamente, as autoridades espanholas estão também a realizar diversas buscas nas residências em Madrid dos ex-líderes do PSOE Gaspar Zarrías (figura histórica do PSOE da Andaluzia) e de Santos Cerdán, bem como do empresário Javier Pérez Dolset, acrescenta o diário espanhol.

Depois de o líder do PP ter pedido, já esta manhã, a convocação de eleições antecipadas, o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, afastou essa possibilidade e garantiu que o PSOE vai colaborar com a justiça, prometendo agir se for comprovada a existência de novas irregularidades no seio do partido.

Em causa está um alegado esquema de corrupção, que levou à prisão, em dezembro, de Leire Díez, Vicente Fernández Guerrero, ex-presidente da SEPI (Empresa Estatal de Participações Industriais), e do empresário basco Antxon Alonso, proprietário da empresa Servinabar e amigo de Santos Cerdán, ex-secretário de Organização do PSOE. Os três foram acusados de crimes de abuso de poder, peculato, tráfico de influências e crime organizado.

A investigação aponta para cinco contratos e subsídios atribuídos de forma fraudulenta, num total de aproximadamente 132 milhões de euros. Os suspeitos terão exercido influência em troca de supostas compensações financeiras.

Líder do PP reforça apelo para eleições antecipadas

Pouco depois de ter sido tornada pública a operação policial, o líder da oposição, Alberto Núñez Feijóo, reforçou o apelo por eleições antecipadas, um pedido que tem repetido insistentemente à medida que se acumulam os casos judiciais em torno do PSOE. “Estamos numa situação de agonia; colocamos em causa não só a decência do governo, não só do Partido Socialista, mas já começamos a enfrentar o risco de contágio”, disse o líder do Partido Popular, nos corredores do Congresso espanhol.

https://observador.pt/2026/05/19/espanha-ex-primeiro-ministro-jose-luis-zapatero-investigado-por-suspeitas-de-branqueamento-e-trafico-de-influencias/

Já antes, na primeira reação do Governo às buscas, o vice-primeiro-ministro e ministro da Economia, Carlos Cuerpo, defendeu “tolerância zero para qualquer tipo de comportamento irregular ou ilegal” e pediu “respeito pelos processos judiciais e pela presunção de inocência”.

“Se houver novas irregularidades, agiremos com a mesma firmeza”, garante Sánchez

O presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, prometeu cooperação com o sistema judicial e uma resposta “enérgica” a quaisquer irregularidades no seio do PSOE. “Não quero subestimar a seriedade da investigação em curso no Tribunal Nacional”, disse o líder do governo, prometendo que o PSOE prestará “total cooperação com o sistema judicial”. Sánchez lembrou que Leire Díez já foi expulsa do partido e reiterou o “compromisso” do PSOE para agir com firmeza perante novas irregularidades.

https://twitter.com/el_pais/status/2059577388254572918

“Se houver novas irregularidades, agiremos com a mesma firmeza com que agimos anteriormente”, garantiu Sánchez, à margem de uma visita ao Vaticano, onde se encontrou com o Papa Leão XIV. Questionado sobre a possibilidade de convocar eleições antecipadas, como pede o líder do PP, Pedro Sánchez descartou tal possibilidade, embora tenha referido que tem recebido pedidos nesse sentido dentro do PSOE, uma vez, que, diz, haveria possibilidade de conquistar uma maioria no Congresso.

Há alguns colegas que claramente me pedem para antecipar as eleições porque sabem que terei maioria parlamentar no Congresso, o que me permitirá governar com muito mais facilidade, e eu entendo isso, mas não posso convocar eleições por interesses partidários, tenho que convocar eleições pelo interesse geral dos cidadãos”, disse o presidente do Governo espanhol, sublinhando que foi a estabilidade governativa que impulsionou os bons resultados económicos do país nos últimos anos.

Este é mais um caso a abalar a política espanhola e particularmente o PSOE, uma semana depois de o antigo presidente do Governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero (socialista) ter sido indiciado por vários crimes, como organização criminosa, tráfico de influências, falsificação de documentos e branqueamento de capitais. Sobre este caso, Pedro Sánchez reiterou o seu apoio ao ex-presidente do Governo espanhol. “Não há motivos para mudar a minha posição”, referiu, quando questionado pelos jornalistas, um dia depois de se ter ficado a saber que Zapatero tinha num cofre, no seu gabinete, joias avaliadas entre os 30 e os 50 mil euros.

“Já o disse no Parlamento espanhol e reafirmo hoje: cooperarei plenamente com o sistema judicial, respeito integralmente a presunção de inocência do Presidente Zapatero e apoio-o incondicionalmente”, afirmou Sánchez.

https://observador.pt/2026/05/26/colares-aneis-e-relogios-as-joias-que-a-policia-espanhola-encontrou-em-cofre-de-zapatero-e-que-podem-valer-quase-50-mil-euros/