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Primárias republicanas no Texas. Trump declara apoio a Ken Paxton enquanto John Cornyn tenta ser reeleito

Com Trump a apoiar Paxton, Cornyn pode tornar-se o primeiro senador republicano do Texas a perder a nomeação do partido para a reeleição. Vencedor defronta o democrata James Talarico em novembro.

Manuel Nobre Monteiro
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As urnas do Texas para as primárias republicanas ao Senado dos Estados Unidos voltaram a abrir esta terça-feira. De acordo com a Associated Press, a segunda volta está a ser marcada por ataques pessoais, pelos gastos de campanha elevados e pela intervenção tardia de Donald Trump, que declarou o apoio ao procurador-geral Ken Paxton — concorrente direto do senador John Cornyn, que ocupa o cargo há quatro mandatos.

Estas eleições têm como propósito escolher os candidatos republicanos às eleições gerais nos Estados Unidos. O vencedor (entre Paxton e Cornyn) irá enfrentar o democrata James Talarico em novembro, altura em que se decide quem ocupa o lugar no Senado em Washington.

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A competição prolongou-se durante meses e, segundo a mesma agência de notícias, tornou-se numa das mais caras e agressivas dos últimos tempos. Desde o ano passado, a campanha de Cornyn investiu perto de 90 milhões de dólares (cerca de 77,4 milhões de euros) em publicidade, grande parte destinada a atacar Paxton. Ainda assim, Cornyn não conseguiu alcançar a maioria absoluta na primeira volta das primárias, em março, em que também participou o congressista Wesley Hunt.

As críticas dirigidas a Paxton centraram-se sobretudo em questões éticas e pessoais. O procurador-geral foi absolvido num processo de destituição em 2023, depois de surgirem acusações relacionadas com alegadas relações extraconjugais. No ano passado, a mulher de Paxton chegou a pedir o divórcio, invocando “motivos bíblicos”.

Mesmo após a primeira volta, os grupos pró-Cornyn continuaram a investir fortemente em publicidade negativa. Segundo a imprensa norte-americana, os aliados do senador gastaram 16,5 milhões de dólares (cerca de 14 milhões de euros) desde março, um valor muito acima dos 5,9 milhões de dólares (cerca de 5 milhões de euros) investidos pela campanha de Paxton e pelos seus apoiantes.

Por seu turno, a campanha de Paxton centrou-se imediatamente no apoio presidencial. Cornyn reconheceu que o gesto de Trump teria impacto, mas insistiu que a decisão caberia aos eleitores texanos. “Quem escolhe os nossos senadores são as pessoas do Texas”, afirmou.

O apoio de Donald Trump a Paxton, anunciado a 18 de maio, deu um novo impulso ao procurador-geral e colocou Cornyn na posição de se tornar o primeiro senador republicano da história do Texas a perder a nomeação do partido para a reeleição. “Ken Paxton passou por muita coisa, em muitos casos de forma muito injusta, mas é um lutador e sabe como vencer”, escreveu o Presidente dos Estados Unidos nas redes sociais, acrescentando que o país precisa de “lutadores” e de “lealdade à causa da grandeza”.

Na mesma mensagem de apoio a Paxton, Trump acusou Cornyn de não o ter apoiado “quando os tempos eram difíceis” e recordou que o senador demorou a declarar o apoio à sua candidatura presidencial. Cornyn chegou a afirmar, em 2023, que Trump já não conseguiria vencer as presidenciais de 2024 e que o seu “tempo tinha passado”. Também foi inicialmente crítico da proposta de construção de um muro na fronteira com o México, embora atualmente apoie a medida.

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A disputa no Texas tornou-se mais um exemplo da estratégia de Trump para afastar republicanos considerados pouco leais. Nas últimas semanas, o Presidente apoiou candidatos que derrotaram políticos republicanos na Luisiana, Kentucky e Indiana, demonstrando a influência que continua a exercer junto da base conservadora.