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(A) :: BP afasta presidente devido a questões "graves" de conduta

BP afasta presidente devido a questões "graves" de conduta

Petrolífera justifica afastamento de Albert Manifold com condutas inaceitáveis. Imprensa britânica refere que gestor era verbalmente agressivo na interação com outros dirigentes da companhia.

Ana Suspiro
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A petrolífera anglo-americana BP anunciou o afastamento com efeitos imediatos do presidente não executivo (chairman), devido a questões “graves” de governo e de conduta. Albert Manifold tinha sido nomeado em outubro do ano passado, com o mandato para ajudar a refocar a empresa no negócio tradicional — combustíveis fósseis.

Sem entrar em detalhes, a sua demissão foi justificada pela administradora independente da BP num curto comunicado. “O Albert ajudou a trazer um foco e ritmo bem-vindos à transformação da BP. Contudo, o conselho de administração, surpreendido e desiludido ao saber do desleixo das regras de governação e temas de conduta considerados inaceitáveis, tomou a decisão de o afastar.”

De nacionalidade irlandesa, Manifold foi escolhido em julho do ano passado para chairman da BP, vindo da presidência executiva do fabricante de materiais de construção CRH e sem experiência de gestão no setor da energia.

Albert Manifold é o segundo gestor de topo da BP a ser despedido por questões de comportamento em menos de três anos. Em setembro de 2023, o então presidente executivo (CEO) Bernard Looney foi obrigado a demitir-se por não ter comunicado ter tido relações com colegas da empresa quando foi nomeado. Um caso comparável aconteceu no início de 2025 em Portugal, quando o então presidente executivo da Galp, Filipe Silva, se demitiu na sequência de uma investigação interna a uma denúncia sobre um relacionamento não comunicado dentro da empresa. A Galp nunca revelou o resultado desta investigação, mas o antigo gestor recebeu a remuneração variável que lhe foi atribuída.

Sem informação concreta sobre os problemas de conduta do gestor da BP, a imprensa anglo-americana lembra que a chegada de Manifold foi sucedida, poucos meses depois, do afastamento do presidente executivo da BP em exercício. Murray Auchincloss estava no cargo há dois anos e não foram dadas razões para a sua saída. Para o substituir foi contratada Meg O’Neill, que foi a primeira mulher a desempenhar a função de presidente executiva na petrolífera.

O Financial Times (conteúdo fechado) vai mais longe e aponta exemplos concretos de comportamentos atribuídos ao gestor irlandês que causaram desconforto dentro do topo da BP. Vários colegas consideravam que o nível de controlo que exercia era mais adequado ao perfil de presidente executivo do que do cargo que ocupava — o que ajudaria a explicar o afastamento do anterior CEO. Também lhe é apontado o dirigir-se de forma condescendente a outros dirigentes da companhia, quer em reuniões quer em encontros a dois. Há uma fonte ouvida pelo jornal inglês que diz que o gestor gritava em interações com os colaboradores e relatos de abuso verbal.

Outra fonte refere que Manifold tentou restringir a capacidade da CEO se reunir de forma independente com os administradores não executivos e há mesmo quem estabeleça uma ligação direta entre a contratação da nova CEO, que iniciou funções há algumas semanas, e a demissão do chairman.

O gestor de 63 anos ainda não fez comentários.

Na última assembleia geral em abril, o conselho liderado por Manifold teve duas propostas chumbadas pelos acionistas. O então chairman da BP foi acusado de excluir da votação uma proposta apresentada pelo grupo de ativistas do clima que contestava a sua condução da empresa.

A Reuters assinala que a BP teve cinco presidentes executivos desde 2020. A instabilidade a nível da administração da petrolífera com sede em Londres está também associada a mudanças profundas de rumo na estratégia que marcam também o percurso recente de outras empresas do setor. Depois de uma aposta forte na descarbonização e em investimentos em energias renováveis, a BP voltou a mobilizar os recursos para o negócio petrolífero.

Com sede em Londres, as ações da BP chegaram a derrapar quase 10%, tendo depois recuperado parcialmente da desvalorização.