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(A) :: Como mostrar que a melhor defesa é mesmo o ataque: Jonas Vingegaard domina em Carì e reforça camisola rosa

Como mostrar que a melhor defesa é mesmo o ataque: Jonas Vingegaard domina em Carì e reforça camisola rosa

No início da última semana do Giro e na etapa da Suíça, o dinamarquês manteve-se na cabeça do pelotão e arrancou a 6 kms da meta para ganhar e reforçar a rosa. Afonso Eulálio caiu para 5.º na geral.

Mariana Fernandes
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Era o início da última e terceira semana do Giro e também o início da semana mais dura do Giro. Depois do derradeiro dia de descanso, a Volta a Itália entrava nos momentos de todas as decisões com um dado adquirido e expectável, que era a camisola rosa de Jonas Vingegaard, e um elemento surpreendente e impressionante, que era o segundo lugar de Afonso Eulálio na classificação geral.

Esta terça-feira, na 16.ª etapa da atual edição do Giro, o dinamarquês da Visma tinha a possibilidade de alargar a vantagem para o ciclista português: arrancava com uma margem de conforto de 2.26 minutos, sendo que Eulálio até se preocupava mais com quem vinha atrás, como Felix Gall a menos de 30 segundos e Thymen Arensman logo a seguir, do que propriamente com a fuga de um vencedor anunciado. Afinal, na entrada para a última semana do Giro e depois de ter tido a camisola rosa durante vários dias, o jovem português já só alimentava o incrível sonho de ficar no top 10.

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Contudo, e apesar de reunir todo o favoritismo, Jonas Vingegaard tinha toda a noção da dificuldade dos próximos dias. “A última semana é a mais difícil, de longe. Mas também tem muitas oportunidades e vamos escolher os nossos dias. Claro que não vou dizer que dias são, mas não seremos completamente defensivos em todas as etapas, isso é certo. Mas sim, a recuperação tem sido importante. E é por isso que não tento ganhar todas as etapas, isto não tem de ser mais difícil do que o que já é. Mas estou aqui para honrar esta corrida e agora que tenho a camisola rosa quero ganhar uma etapa de rosa. Seria um sentimento especial e tenho a certeza de que vamos tentar ganhar mais uma”, explicou o dinamarquês, que já levava três triunfos.

Assim, no arranque da última semana, o Giro cumpria apenas 113 quilómetros entre Bellinzona e Carì, na Suíça, mas com um acumulado brutal de três mil metros de desnível. O início era relativamente tranquilo, mas tudo se tornava mais complicado no Vale do Brenno com as subidas da Torre (4,2 quilómetros a 6,2% de altitude) e Leontica (três quilómetros a 8,2%), percorridas duas vezes, antes da subida final até Carì (11,2 quilómetros a 8%) que inclui trechos com inclinações de 13%.

A etapa começou com várias tentativas de ataques, como seria de esperar, e Nélson Oliveira incluiu-se desde logo num grupo de oito ciclistas que procurava fugir. Contudo, foram apanhados no início da primeira subida, muito graças ao esforço de Igor Arrieta, e um novo grupo de cerca de 12 ciclistas liderado por Giulio Ciccone — que ia aproveitando para somar pontos para a camisola azul da montanha — voltou a criar uma quebra face ao pelotão. Aí, porém, a Visma tinha plena noção de que a etapa dava muito jeito a Jonas Vingegaard e não permitia grandes distâncias para os fugitivos.

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A fuga foi emagrecendo à medida que o tempo foi passando, sobrando apenas quatro ciclistas a cerca de 30 quilómetros da meta. A 20, a diferença para o pelotão já pouco passava do minuto. A 15, estava abaixo do minuto. Pelo meio, a Decathlon juntou-se à Visma para tentar ditar o ritmo e mostrou que Jonas Vingegaard não tinha a corrida na mão, com Felix Gall a assumir-se como outro dos candidatos à vitória — algo que, naturalmente, não favorecia Afonso Eulálio.

Jhonatan Narváez e Giulio Ciccone ficaram para trás e Einer Rubio não conseguiu responder ao ataque de Chris Harper, com o australiano a isolar-se numa espécie de fuga que foi rapidamente apanhada por um grupo solto do pelotão que incluía Jonas Vingegaard. Mais atrás, Afonso Eulálio ia aguentando na roda de Ben O’Connor e mantinha-se a uma distância natural, mesmo que virtualmente já tivesse perdido o segundo lugar.

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Jonas Vingegaard arrancou a 6,5 quilómetros da meta, deixando todos os que o acompanhavam para trás, e não deu hipóteses até ao fim: o dinamarquês venceu em Carì com o tempo recorde da subida, somou o quarto triunfo na prova e engordou a liderança do Giro, assumindo-se ainda mais como candidato único à vitória. Felix Gall e Jai Hindley completaram o pódio, enquanto que Afonso Eulálio cruzou a meta em 11.º, manteve a camisola branca da juventude e é agora quinto na classificação geral, atrás de Gall, Hindley e Thymen Arensman e a 5.40 minutos da camisola rosa de Vingegaard, que tem agora 4.03 minutos de vantagem no topo.

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