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Arábia Saudita (grupo H). Quatro anos e quatro treinadores depois, onde anda o tal efeito Ronaldo?

Chegada de Ronaldo era vista como motor para potenciar Liga e futebol saudita. Na parte local, falhou – e as apostas em Mancini e Hervé Renard também foram ao lado. Agora, Donis procura um "milagre".

Bruno Roseiro
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Quando terminou a fase de grupos do Mundial do Qatar, a sensação era clara: a Arábia Saudita conseguiu o que ninguém pensava ser possível, vencendo a Argentina no jogo de abertura em pleno Estádio Lusail, mas não conseguiu aquilo que estaria mais ao alcance, que passava por pontuar com Polónia e/ou México. Sobrou um sentimento agridoce, de quem faz milagres, sonha alto mas volta a ficar com os pés no chão. No entanto, e embalado por esse feito, o futebol saudita ganhou uma nova esperança em relação ao futuro com a chegada à liga do país de Cristiano Ronaldo. O capitão da Seleção, pago a peso de ouro para ser bem mais do que um mero jogador do Al Nassr, era o novo chamariz para que outras estrelas mundiais quebrassem esse tabu de irem para o Médio Oriente ganhar dinheiro mas aumentar a competitividade do futebol no país.

Em parte, esse objetivo foi alcançado. Olhando não só para os quatro principais clubes detidos pelo Fundo Soberano, foram vários os jogadores de topo que rumaram, passaram ou ficaram na Liga saudita. Quer isso dizer que a prova consegue chegar sequer aos calcanhares das Big Five da Europa? Não. Mas houve de facto um aumento da qualidade global. Problema? Isso não significou de forma direta um aumento daquilo que é a qualidade média do futebol saudita, seja dos jogadores que fazem parte da seleção, seja das novas gerações que deveriam aparecer para uma meta maior que passa pelo Mundial de 2034 jogado em “casa”. E esse é o grande calcanhar de Aquiles do projeto do país, que chega a 2026 com os jogadores locais a jogarem apenas onde não há vaga para os estrangeiros e com um só nome na Europa (Saud Abdulhamid, do Lens).

A par disso, a própria Federação não conseguiu evitar uma instabilidade desportiva que levou à passagem de quatro treinadores pelo cargo de selecionador em apenas quatro anos. Hervé Renard, que estava no cargo desde setembro de 2019, saiu três meses depois do Mundial do Qatar e foi substituído por Saad Al-Shehri, que ocupou a posição durante oito meses até à chegada do “prometido”, Roberto Mancini. O italiano, que foi campeão europeu de seleções pela squadra azzurra, acabou por ser uma aposta falhada, saindo apenas um ano depois com 30 milhões de euros de indemnização para o regresso de Hervé Renard. O francês voltou a conseguir garantir o apuramento para a fase final na quarta ronda da qualificação asiática mas, sem que nada o fizesse prever, deixou de novo a Arábia Saudita a pouco mais de dois meses do início do Mundial, sendo rendido pelo grego Georgios Donis, que antes tinha treinado vários conjuntos sauditas.

Se aquilo que os Falcões Verdes seriam capazes de fazer já era uma incógnita, agora ainda mais. E o grupo também não promete facilidades, com as presenças de Espanha e Uruguai além do estreante Cabo Verde. Há um dado certo: aquilo que todos consideravam ser o motor para acelerar a evolução do futebol local trouxe mediatismo à Liga saudita mas não fez a seleção nacional carburar para outros patamares. Esse é o maior desafio de Donis: aproveitar o curto período de três semanas antes do arranque do Campeonato do Mundo para potenciar o que estava bem feito, melhorar as lacunas e deixar uma imagem que dificilmente será melhor do que aquela que ficou no último Mundial mas que pode chegar para ir aos 16 avos de final.

BI

  • Ranking FIFA atual: 61.º (a 1 de abril de 2026)
  • Melhor ranking FIFA: 21.º (julho de 2004)
  • Patrocinador: Adidas (desde 2023)
  • Alcunha: Os Falcões Verdes
  • Presenças em fases finais: 6
  • Última participação: fase de grupos em 2022 (com Argentina, Polónia e México)
  • Melhor resultado: oitavos em 1994 (Suécia)
  • Qualificação: 2.º lugar no grupo G da 2.ª fase da AFC (13 pontos em 6 jogos com Jordânia, Tajiquistão e Paquistão), 3.º lugar no grupo C da 3.ª fase da AFC (13 pontos em 10 jogos com Japão, Austrália, Indonésia, China e Bahrain) e 1.º no grupo B da 4.ª fase da AFC (4 pontos em 2 jogos com Iraque e Indonésia)
  • O que seria um bom resultado? Passar a fase de grupos e chegar aos 16 avos de final

Jogos desde junho de 2025

  • Jogo particular, 10/6: Senegal (casa)
  • Jogo particular, 6/6: Porto Rico (neutro)
  • Jogo particular, 5/6: Porto Rico (neutro)
  • Jogo particular, 31/5: Equador (fora), 2-1 (D)
  • Jogo particular, 31/3: Sérvia (fora), 1-2 (D)
  • Jogo particular, 27/3: Egito (fora), 0-4 (D)
  • Taça Árabe, 18/12: EAU (neutro), derrota administrativa
  • Taça Árabe, 15/12: Jordânia (neutro), 0-1 (D)
  • Taça Árabe, 11/12: Palestina (neutro), 2-1 a.p. (V)
  • Taça Árabe, 8/12: Marrocos (neutro), 0-1 (D)
  • Taça Árabe, 5/12: Comores (neutro), 3-1 (V)
  • Taça Árabe, 2/12: Omã (neutro), 2-1 (V)
  • Jogo particular, 18/11: Argélia (casa), 0-2 (D)
  • Jogo particular, 14/11: Costa do Marfim (casa), 1-0 (V)
  • Qualificação AFC, 14/10: Iraque (neutro), 0-0 (E)
  • Qualificação AFC, 8/10: Indonésia (neutro), 3-2 (V)
  • Jogo particular, 8/9: Rep. Checa (fora), 1-1 (E)
  • Jogo particular, 4/9: Macedónia do Norte (neutro), 2-1 (V)
  • Gold Cup, 29/6: México (neutro), 0-2 (D)
  • Gold Cup, 23/6: Trindade e Tobago (neutro), 1-1 (E)
  • Gold Cup, 20/6: EUA (fora), 0-1 (D)
  • Gold Cup, 16/6: Haiti (neutro), 1-0 (V)
  • Qualificação AFC, 10/6: Austrália (casa), 1-2 (D)
  • Qualificação AFC, 5/6: Bahrain (fora), 2-0 (V)

O onze

  • 4x3x3: Nawaf Al-Aqidi; Saud Abdulhamid, Hassan Al-Tambakti, Ali Lajami, Hassan Kadesh; Abdullah Al-Khaibari, Mohamed Kanno, Nasser Al-Dawsari; Ayman Yahya, Salem Al-Dawsari e Firas Al-Buraikan

O treinador

  • Georgios Donis (grego, 56 anos, desde abril de 2026)
  • Outros clubes: Ilisiakos, AEL Limassol, AEK Atenas, Atromitos, PAOK, APOEL, Al Hilal, Sharjah, Panathinaikos, Maccabi Telavive, Al-Wehda, Al Fateh e Al-Khaleej
  • Títulos (9): 1 3.ª Divisão da Grécia, 1 4.ª Divisão da Grécia, 1 2.ª Divisão da Grécia, 1 Taça da Grécia, 1 Liga do Chipre, 1 Taça do Chipre, 2 Taças do Rei saudita, 1 Supertaça saudita e 1 Taça de Israel

O craque

  • Salem Al-Dawsari (34 anos, extremo do Al Hilal)
  • Outros clubes: Al Hilal (formação) e Villarreal

A revelação

  • Musab Al-Juwayr (22 anos, médio do Al-Qadsiah)
  • Outros clubes: Al Hilal (formação), Al Hilal e Al-Shabab

O mais internacional e o maior goleador

  • Mohamed Al-Deayea (173 internacionalizações) e Majed Abdullah (72 golos)

Os 26 convocados

  • Guarda-redes (3): Mohammed Al-Owais (Al-Ula, Arábia Saudita), Nawaf Al-Aqidi (Al-Nassr, Arábia Saudita) e Ahmed Al-Kassar (Al-Qadsiah, Arábia Saudita)
  • Defesas (10): Saud Abdulhamid (Lens, França), Hassan Al-Tambakti (Al-Hilal, Arábia Saudita), Abdulelah Al-Amri (Al-Nassr, Arábia Saudita), Nawaf Boushal (Al-Nassr, Arábia Saudita), Ali Lajami (Al-Hilal, Arábia Saudita), Ali Majrashi (Al-Ahli, Arábia Saudita), Hassan Kadesh (Al-Ittihad, Arábia Saudita), Moteb Al-Harbi (Al-Hilal, Arábia Saudita), Jehad Thakri (Al-Qadsiah, Arábia Saudita) e Mohammed Abu Al-Shamat (Al-Qadsiah, Arábia Saudita)
  • Médios (9): Salem Al-Dawsari (Al-Hilal, Arábia Saudita), Mohamed Kanno (Al-Hilal, Arábia Saudita), Nasser Al-Dawsari (Al-Hilal, Arábia Saudita), Abdullah Al-Khaibari (Al-Nassr, Arábia Saudita), Musab Al-Juwayr (Al-Qadsiah, Arábia Saudita), Ayman Yahya (Al-Nassr, Arábia Saudita), Ziyad Al-Johani (Al-Ahli, Arábia Saudita), Sultan Mandash (Al-Hilal, Arábia Saudita) e Alaa Al-Hejji (Neom, Arábia Saudita)
  • Avançados (4): Firas Al-Buraikan (Al-Ahli, Arábia Saudita), Saleh Al-Shehri (Al-Ittihad, Arábia Saudita), Abdullah Al-Hamdan (Al-Nassr, Arábia Saudita) e Khalid Al-Ghannam (Al-Ettifaq, Arábia Saudita)

O local do estágio

  • Four Seasons Hotel Austin, Austin, no Texas (treinos: Austin FC Stadium)

A antevisão

"Quero ver a minha equipa muito organizada e disciplinada desde o primeiro jogo, para mostrar a nossa ambição. Depois, é ver o que acontece. Mas aqui não existem milagres, é melhor olhar para a floresta e não para a árvore."
Georgios Donis, selecionador da Arábia Saudita

A ligação a Portugal

  • O fim do Mundial de 2022 marcou uma viragem de paradigma na Arábia Saudita, com a chegada de Cristiano Ronaldo ao Al Nassr a ser uma referência para haver cada vez mais jogadores estrangeiros a chegarem à liga do país. Hoje, metade das equipas sauditas têm representantes portugueses, não só jogadores mas também treinadores, diretores desportivos e CEO. Mas, olhando para a equipa, há uma outra ligação menos óbvia mas que se tornou famosa em 2022: Saleh Al-Shehri, avançado que marcou um dos golos do histórico triunfo frente à Argentina na abertura do Mundial, joga agora no Al-Ittihad (treinado por Sérgio Conceição e tem Danilo e Roger) mas passou pelo Mafra e pelo Beira-Mar.