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Sistema Lima: a arma eletrónica ucraniana que desvia os mísseis russos dos alvos

Modelo manipula sinais de navegação por satélite para desviar (sem destruir) mísseis e drones russos para zonas sem valor estratégico. Já foram entregues mais de 400 unidades ao exército ucraniano.

Manuel Nobre Monteiro
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A Ucrânia está a apostar num novo sistema eletrónico para se defender dos ataques russos, numa altura em que enfrenta escassez de mísseis de defesa aérea. O sistema, chamado Lima, foi criado pela ucraniana Cascade Systems e tem como objetivo desviar armas inimigas do seu alvo através da interferência nos sistemas de navegação.

De acordo com o jornal Politico, o sistema Lima utiliza a “guerra digital” para bloquear e manipular sinais de navegação por satélite, ao contrário dos sistemas tradicionais de defesa aérea, que destroem os mísseis e drones no ar através de intercetores. Assim, com este modelo, as armas russas podem ser desviadas para zonas sem importância estratégica.

“Quando o Lima está ligado, aumenta ainda mais o desvio dos mísseis. Além de suprimir a navegação, substituímos as coordenadas por vários quilómetros. Podemos fazer os mísseis cair em campos em vez de atingirem os seus alvos“, explicou ao Politico um dos programadores do sistema, que é também responsável pela unidade de guerra eletrónica Night Watch, integrada nas forças de defesa da Ucrânia.

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O modelo, segundo os criadores, consegue criar zonas onde os sinais de navegação deixam de funcionar ou passam a fornecer coordenadas falsas. Quando os sinais de satélite são bloqueados, as armas russas continuam a voar recorrendo aos sistemas de navegação inercial, mas a precisão degrada-se significativamente, podendo haver desvios de cerca de dois quilómetros por cada 100 quilómetros percorridos.

A Cascade Systems já forneceu mais de 400 unidades ao exército ucraniano, que começou a testá-las em julho de 2024. Desde outubro que o sistema passou a ser usado para proteger infraestruturas civis e, nos últimos 18 meses, a empresa garantiu que o Lima conseguiu interferir em 20.500 drones Shahed e desviar dezenas de mísseis balísticos e de cruzeiro.

“Estamos constantemente a alterar o Lima. A guerra está sempre a evoluir”

Uma das vantagens do sistema é o preço reduzido comparado com outros sistemas de defesa. Cada unidade custa até três milhões de hryvnias (cerca de 58 mil euros). De acordo com a empresa, seriam necessárias entre 30 e 100 unidades para proteger uma grande cidade, o que se reflete num investimento total estimado em cinco milhões de euros, aproximadamente o mesmo valor de um único míssil Patriot PAC-3.

O desenvolvimento do sistema começou em 2022, numa fase inicial destinada a combater mísseis de cruzeiro russos. A evolução do Lima tem sido marcada por uma corrida tecnológica constante entre a Ucrânia e a Rússia.

“Estamos constantemente a alterar o Lima com base nas características das armas russas, analisamos os impactos e damos recomendações ao Estado-Maior do Exército sobre onde posicionar o sistema e como utilizá-lo”, disse o responsável da empresa ao Politico, sublinhando que “a guerra está sempre a evoluir”.

As versões mais recentes do Lima conseguem também interferir com armas de longo alcance que utilizam o sistema de navegação por satélite russo GLONASS. Maksym Skoretskyy, chefe do departamento de guerra eletrónica das forças terrestres ucranianas, afirmou ao mesmo jornal que o sistema passou igualmente a conseguir desviar bombas aéreas guiadas russas.

Ainda assim, os responsáveis admitem limitações. Os drones e mísseis desviados continuam a cair e podem provocar danos noutros locais. Ao contrário dos sistemas tradicionais, a “guerra digital” não destrói a arma em pleno voo, só a desvia.